Capítulo Dezesseis

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ANY GABRIELLY

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ANY GABRIELLY

Tudo estava nos eixos novamente. É assim que descreveria minha situação com Noah. Após aquele dia em que tudo ficou estranho e eu, como Gaby, o beijei no Hel'as com uma ousadia que não sei de onde tirei, não consegui parar de pensar nos lábios dele. Juro, tentei até uma sessão de terapia, mas não rolou. Assuntos do coração não se resolvem numa consulta rápida, e, sejamos honestos, terapia não é minha praia.

Noah beija tão bem — tão bem! — que só de lembrar meu corpo reagia, e minha única saída foi fugir dele. E fugi. Mantivemos uma rixa boba por semanas, até ontem.

As meninas me contaram que ele estava meio abalado no dia do beijo, o que me pegou desprevenida. Pensei que ele estaria feliz — afinal, nos beijamos! Ou melhor, eu o beijei. Claro, sempre esqueço que ele não sabe que Gaby sou eu. Enfim, após a apresentação, Mel e Nour ficaram com os meninos e depois me entregaram um relatório completo.

Foi difícil não tê-lo por perto. A presença de Noah ilumina meu dia, e me limitar a um "boa tarde" nos raros encontros pelo prédio foi um sofrimento. Sou teimosa e birrenta, admito. Mas não foi só a discussão idiota que nos afastou — foi o beijo. Senti algo tão intenso que, se não me afastasse, talvez perdesse o controle. E, para piorar, cozinhar sem ele para me ajudar, foi um pesadelo. Sobrevivi de delivery, miojo e besteiras. A comida dele fez uma falta danada.

Peguei minha bolsa, e descemos. Era sábado, o dia estav lindo, e, após nossa reconciliação, esperava que nada abalasse isso. Pedi a Noah que trocasse a lâmpada do meu quarto — uma desculpa esfarrapada para reatarmos. Vê-lo sem poder tê-lo me consomia. Quase todos os dias, varria a porta do apartamento que nem obcecada na esperança de cruzar com ele. Nossa única interação significativa foi na reunião do condomínio, quando quase rimos juntos do escândalo da dona Carmen. Agora, cada morador varreria sua porta até contratarem novos funcionários. Longa história.

Chegamos ao Pub L.A., nosso point favorito para almoços com os amigos. Mel, Nour, Lamar, Alex e Jonah, agora parte do bonde, já estavam lá. Noah e eu nos juntamos, cumprimentando todos com abraços calorosos.

Pedimos nossos pratos. Urrea e eu dividimos um churrasco que, segundo o cardápio, era para duas pessoas. Só se forem duas pessoas bem famintas. A porção que chegou daria para quatro, fácil.

A conversa fluía, até que Melanie Angel Soares, minha linda irmã, resolveu abrir a boca. Às vezes, só queria que ela ficasse quieta, mas a amo mesmo assim.

— Vocês dois estão estranhos... — disparou ela, com aquele olhar investigativo.

— Como assim? — perguntei, franzindo o cenho, fazendo a sonsa.

— Estranhos, ué! Existe outra definição? — reforçou Nour, entrando na onda.

— Não, é só que, sei lá, senti falta disso. — disse sincera, mas também tentando desviar do assunto.

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