Noah é calmo, trabalhador e talentoso na cozinha - seu maior sonho é ter um restaurante próprio. Embora pareça transparente, guarda um lado oculto que evita revelar. Any, jovem professora determinada, é admirada por sua força e beleza, mas à noite...
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ANY GABRIELLY
— Essa é a casa de Any Gabrielly?
O que dá pra melhorar, pode desabar em segundos. E foi exatamente o que aconteceu com o meu mundo quando aquela figura surgiu na minha porta. Anos sem vê-lo, e lá estava ele.
Nervosa, travei, fitando um ponto qualquer à frente. Ele continuava o mesmo. Sua voz despertou lembranças que eu jurava ter enterrado. Mas a culpa era minha. Eu deveria ter feito algo em relação a ele naquela época.
— Mamãe. — a chamei.
O reconhecimento veio como um choque ao lado dela, tão perplexa quanto eu.
— Sim. — até que Noah respondeu o óbvio, e meu corpo, por instinto, me levou para perto dele.
— Eu sou Silvio. Pai da Any.
Acho que ele ainda não tinha notado a presença da mamãe, talvez porque Noah, ao entrar, obstruiu um pouco sua visão. Eu nunca revelei meu endereço para meu pai. Não queria que ele me importunasse e invadisse minha paz.
— Ah. — entendia bem a reação do meu namorado.
— Pode chamá-la, rapaz? E você é o quê dela, a propósito?
— Sou o namorado dela. Noah Urrea, prazer.
Noah estendeu a mão, e eles se cumprimentaram. Meu pai o encarou de um jeito estranho. Não entendi o porquê, talvez fosse ciúme de pai. Pelo seu olhar, parecia irritado, assustado e confuso, talvez? Ou talvez fosse o ego masculino ferido. À toa.
— Hrn. — meu pai apenas murmurou.
— Elly... — Noah finalmente me chamou, e eu não tinha escapatória.
— Oi, pai. Entra.
Disse finalmente, e Noah lhe deu passagem, se assustando ao notar a presença da mamãe ali, ficando um pouco sem reação. Se eu não o via há anos, morando no mesmo país, ela não o via há muito, mas muito mais tempo.
— Oi, filha. — ele beijou o topo da minha cabeça, olhando para a mamãe. — Priscila.
— Silvio.
— Como descobriu onde eu moro?
— Eu consigo descobrir o que quero e quando quero, Gabrielly.
— Ah. Está explicado então por que veio aqui, "porque quer e quando quer". — rosnei ao falar. Era irônico isso não é? Não. — Aliás, o que você quer, pai?
— Essa é a maneira de falar com seu pai, que você não vê há um tempo?
Soltei uma risada amarga.
— Por culpa de quem? Minha? — falei seca.
— Any.
— Todo generoso, amenizando as palavras. "Um tempo"? — ainda estava desacreditada — Certo.