Capítulo Trinta e Oito

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NOAH URREA

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NOAH URREA

— Hoje sou eu quem vai cozinhar — anunciou Any, decidida.

— Elly... Acho que...

— Nã-nã-não! — bateu na minha mão quando tentei pegar os utensílios pra começar o almoço. — Você prometeu que me deixaria cozinhar pelo menos uma vez a cada quinze dias. E que, nesse dia, ficaria só olhando, sem dar pitaco, e comeria tudo o que eu fizesse.

— Mas tem que ser hoje? — perguntei, hesitante.

— Sim. Por quê? — ela franziu o cenho, chateada e apreensiva.

— Nada, amor. Cozinha, vai. Eu deixo.

Any deu um pulinho de animação e começou a pegar os ingredientes, enquanto eu me sentei na ponta da ilha da cozinha, a observando e checando meus e-mails.

O concurso estava a duas semanas, e eu ainda não tinha recebido nenhum comunicado sobre minha inscrição. Any sempre me incentivava, para eu manter minha confiança, o que me dava forças. Mas, ao abrir a caixa de entrada, como agora, o desânimo batia. Nada. Talvez nunca me chamassem. Precisava me conformar.

— Ai! — ela reclamou, chupando o dedo, que sangrava um pouco.

Levantei rápido e fui até ela.

— Cortou muito? Mostra.

Colocamos a mão dela sob a torneira. Depois, pus band-aid e uma luva de cozinha nela. Antes, dei um beijinho leve no dedo machucado. Ela sorriu, boba.

Aquilo foi o suficiente para eu não resistir e unir nossas bocas, aprofundando o beijo, numa sensação que arrepiava nós dois. Encostei Any na bancada do armário. Ela gemeu, mas, contra a vontade, me afastei, deixando que terminasse o almoço — um cardápio surpresa, que ela não revelava.

— Obrigada. — disse, balançando o dedinho com o band-aid.

Sorri.

Meu celular apitou pela segunda vez desde que acordei. No visor, apontava "sogrinha", escrito em português.

Priscila tinha me ligado ontem, enquanto Any estava distraída. Atendi, e ela disse que estava no voo, que resolveria umas coisas antes de vir pra Santa Mônica, e que me avisaria quando chegasse. Mandei o endereço do nosso apartamento, por precaução — ela só esteve aqui uma vez. Pedi pro Alex chamar a Mel pra almoçar conosco, convidando os dois, na verdade. Era parte da surpresa. Any e Mel não faziam ideia.

Na mensagem atual, minha sogra confirmava que estava chegando. Mas eu não contava que justo hoje Any cismaria de cozinhar. De fato, prometi isso numa discussão longa, quando ela achou injusto eu sempre cozinhar, dizendo que "não estava certo".

[Flashback on]

— Isso está muito errado, Noah! Que mulher eu seria, deixando só você cozinhar? Que porra! — exclamou Any, indignada.

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