Capítulo Quarenta e Nove

216 19 14
                                        

NOAH URREA

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

NOAH URREA

— Uau. Você está... uau, amor. — falei sussurrado e também com a voz rouca de admiração, quase sem acreditar que ela era minha.

— Fecha essa boca. — ela riu, o rosto corando de um jeito que me fazia querer beijá-la ali mesmo. — Vamos.

Estávamos prontos para mais uma festa de gala, um evento beneficente dos Urrea. Como da última vez, torcia para que não fosse um tédio mortal. Minha família, amigos e o pessoal do Venice estariam lá. Any, agora minha noiva, estava deslumbrante, e tê-la ao meu lado me fazia sentir o homem mais sortudo do mundo.

Dias antes, passei pelo restaurante para acertar uns detalhes e, por convite, vi a cozinha em pleno vapor. Foi quando descobriram minha ligação com a Wines & Beers. Achei que já soubessem, mas não. Surpreendentemente, mesmo conectando meu sobrenome à empresa da família, ninguém me tratou diferente. Valorizaram meu talento, não meu nome, e isso me encheu de orgulho.

Enfim, não tinha como fugir daquele dia, daquele evento. O clima com minha mãe estava mais leve, mas com meu pai... era um campo minado. Depois do churrasco, a tensão só aumentou.

[Flashback On]

— Bonita a casa. — meu pai disse, o tom carregado de julgamento.

— Eu sei, pai. — respondi, sem ânimo, já sabendo onde aquilo ia parar.

Estava encostado num canto, tomando uma cerveja, tentando respirar. Tinha acabado de ouvir uma conversa entre as meninas e Any, e minha cabeça estava a mil, um misto de irritação e preocupação me corroendo.

— Achei que você não conseguiria um feito desses. Comprar um imóvel assim.

— Eu trabalho, pai. — retruquei, seco, segurando a raiva. Dizendo o óbvio.

— Eu sei. Mas, convenhamos, ser barman não é o melhor trabalho do mundo. Ainda sonho com o dia em que você vai ceder e trabalhar comigo.

Fiquei em silêncio, engolindo as palavras dele, ditas com aquela arrogância que me sufocava. Como ele conseguia ser tão convencido? Éramos tão diferentes. Talvez o único elo entre nós fosse o sangue.

— Não quero falar sobre isso.

— E qual é o melhor momento pra você? Precisa marcar hora? — rebateu, sarcástico.

— Olha, pai! — minha voz explodiu, carregada de fúria. — Sinto muito por não ser o filho perfeito que você queria! Tenho um emprego honesto, não preciso do seu dinheiro! Consigo minhas coisas sozinho! Sinto muito por ter que repetir isso toda vez e por você achar que sou um pé-rapado que não seguiu os seus sonhos!

Ele me encarou, atônito. Gritei mais alto do que na última discussão, meses atrás. Um silêncio pesado caiu sobre nós.

— Esse seu orgulho ainda vai te custar caro...

ConcentrateOnde histórias criam vida. Descubra agora