Noah é calmo, trabalhador e talentoso na cozinha - seu maior sonho é ter um restaurante próprio. Embora pareça transparente, guarda um lado oculto que evita revelar. Any, jovem professora determinada, é admirada por sua força e beleza, mas à noite...
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NOAH URREA
Alguns dias se passaram desde que vi Any no baile de máscaras. Contei tudo pra minha mãe, minha sogra, meus amigos. Eles me olharam como se eu tivesse perdido o juízo, como se eu fosse um doido varrido, mas eu sabia que não estava louco. Aquela era ela — o brilho do vestido, o cabelo cacheado, o jeito que meu corpo reagiu. Não tinha como ser outra pessoa. A imagem dela, tão perto e tão longe, não saía da minha cabeça, e a esperança de encontrá-la me mantinha de pé, mesmo com o peito em frangalhos.
Frustrado, esperei o delegado Phineas encontrar alguma pista com a placa do carro que anotei. Eu tinha certeza de que ia trazer Any de volta, custasse o que custasse.
Dois dias após a festa, ele me ligou, pedindo pra ir à delegacia. Disse que tinha informações que só podia passar pessoalmente. Me arrumei logo cedo, sentindo o coração acelerado, tentando não deixar a ansiedade e nagatividade me engolirem. Depois, iria pra empresa trabalhar como CEO, uma rotina que me mantinha ocupado e evitava que eu desmoronasse, assim como o restaurante.
Meu pai andava estranho. Fazia ligações escondidas, e eu desconfiava que podia estar traindo minha mãe. Se fosse verdade, ele ia se arrepender. Mamãe não merecia isso, e eu a defenderia com unhas e dentes. Tudo nele era suspeito, mas eu fingia não perceber, mantendo o foco na busca por Any.
Minha rotina era pesada: manhã na Wines & Beers, tarde no Elly's Gourmet, à noite, estágio na Venice. Nos fins de semana, mergulhava nas disciplinas online do curso de gastronomia, uma vantagem por não precisar ir à instituição. O estágio, liberado antes do terceiro semestre, também ajudava. Mas nada disso importava tanto quanto Any. Só me mantinha no automático.
Não havia um dia que eu não pediase aos céus, para que ela estivesse viva e segura. Depois de vê-la a poucos metros de mim na festa, era latente meu desejo de trazê-la de volta, um desejo que estava mais próximo de acontecer — pensava. Foda-se nossa briga, foda-se qualquer motivo que nos separou! Teria minha mulher de novo junto a mim, e, com essa certeza, segui pra delegacia, positivo, tentava afastar o apertado do peito.
...
— Bom dia, senhor Urrea. O delegado Phineas lhe aguarda. — disse a recepcionista me acompanhando até a sala dele.
Phineas insistiu que eu viesse acompanhado, sei lá por quê. Talvez ainda estivesse me achando meio insano, já que não passava um dia sem importuná-lo, perguntando por pistas, exigindo respostas sobre Any. Segui o conselho e trouxe Jonah.
Falando nele, com Hel'as tendo fechado todos nós perdemos os empregos, obviamente, Heyoon encerrou nossos contratos dentro dos conformes, mas nada estava perdido, à respeito, contratei Jonah pra trabalhar comigo no restaurante — prefiria dizer "comigo", ao invés de "para mim". Administrava o local em conjunto com Morris — que na verdade, cuidava mais das finanças.