Capítulo Cinquenta e Três

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NOAH URREA

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NOAH URREA

Três meses.

Três meses sem ela, e eu não podia dizer que estava feliz. Como poderia? Mas segui em frente, mesmo com o peito em pedaços, da forma que deu. O delegado Phineas encontrou uma pista de um dos caras que levaram Any, isso há um mês. Chegaram no lugar, mas o desgraçado estava morto. Ninguém sabia o que aconteceu, e ali, naquele momento, joguei tudo para os céus.

Perdi as forças, me senti um inútil, e decidi que precisava sobreviver, mesmo que fosse no automático. Era difícil, parecia errado, mas era o que Any ia querer. Todo dia, uma chama de esperança acendia, só pra apagar logo depois. Mas nem um segundo se passava sem que eu pensasse na minha Elly.

Podem me chamar de cruel, de sem coração. Entrei num estado de negação, vivendo como se Any estivesse me olhando, torcendo por mim. Entretanto, no fundo, eu era fraco, um cara quebrado, fazendo tudo por inércia. Muita coisa rolou em tão pouco tempo, e cada passo parecia me afastar mais dela, mesmo que doesse admitir.

[Flashback On]

— Sina? Desculpa, não te vi.

Havia trombaso nela e como sombra, ela estava ali, mas eu estava perdido nos meus pensamentos até respondê-la.

— Imagina, Noah, tudo bem... — riu, leve. — E aí, como você está? Soube de tudo. — não esbocei reação — Não gostava da Any, confesso, mas não desejo isso pra ninguém.

— Estou indo. Levando a vidaz — respondi, seco, sem vontade de me abrir.

— Que coisa, uma tragédia...

Ela continuou devagando, e eu fiquei quieto, o peso no peito apertava. Não queria ouvir pena, muito menos vindo dela.

— E você? — perguntei, mais por educação que por curiosidade.

— Deixei o Hel'as. Já estava de saída naquele dia, na verdade. Dei meu depoimento, e foi a última vez que vi a Any. Trocamos umas farpas, como sempre, e ela saiu de perto. Depois de acertar tudo com a Heyoon, fui pra casa e um pouco depois soube do que aconteceu.

— Entendi. — murmurei, minha mente estava longe.

— Agora estou procurando um emprego de verdade, sabe? Aquela vida na boate não era pra mim.

— Sei.

— Bom, espero que você fique bem.

Assenti, e ela começou a se afastar, mas algo me fez chamá-la.

— Sina!

— Sim?

— Daqui a duas semanas, vou selecionar funcionários pro meu restaurante. Se quiser, estou contratando.

Ela arregalou os olhos, surpresa.

— Jura? Não sabia que...

— É. Sempre quis ter meu próprio restaurante. Está sendo um jeito de tocar a vida, seguir... você sabe. — minha voz pesou, e engoli o nó na garganta.

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