Noah é calmo, trabalhador e talentoso na cozinha - seu maior sonho é ter um restaurante próprio. Embora pareça transparente, guarda um lado oculto que evita revelar. Any, jovem professora determinada, é admirada por sua força e beleza, mas à noite...
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NOAH URREA
O domingo amanheceu ensolarado. Quase acreditei na apresentadora do "Clima Tempo" dizendo na TV que havia chance de chuva e céu nublado. Isso acabaria com meus planos para nós. Meu dia seria inteiramente dedicado a ela. Queria levá-la pra sair, dar o presente que comprei semanas antes, curtir juntos.
Desde o e-mail da Venice Gourmet confirmando minha vaga no concurso, minha agitação era visível. O evento, que antes seria de dois dias, agora teria quatro. Precisava planejar mais dois cardápios, mas acreditava que daria tudo certo. Seriam eu e mais nove candidatos, todos tão bons quanto eu. Só de competir e mostrar meu talento, já me sentia grato.
Acordamos "transantes", como Any dizia. Fizemos amor, nossa rotina. Porém comecei fazendo algo um pouco diferente: levei o café na cama pra ela.
— Esse pão recheado está divino! Uau...
— Gostou?
— Amei! Já pode fazer mais vezes.
— Vou fazer. Preciso alimentar esse dragãozinho que mora em você!
— Noah? — exclamou, fingindo protesto.
Terminei o café ao lado dela na cama e separei minha roupa pra sairmos. Peguei a caixinha que escondi por semanas. Me ajoelhei na cama, e ela se endireitou, vendo a caixa nas minhas mãos. Any arregalou os olhos, engolindo um pedaço de pão.
— Estava pensando... A vida é como deve ser. Fazemos escolhas todos os dias, rotineiras ou não e uma das melhores foi aceitar esse amor que sinto por você, nos envolvermos, morarmos juntos...
— Noah... — sussurrou, voz embargada — O que está acontecendo? — seus olhos marejaram.
— Calma. — sorri — Acontece, Any Gabrielly, que nunca senti só um "amor de amigo" por você. Sempre vou te amar como o homem que só quer ver você feliz. Sou imensamente satisfeito ao seu lado, porque você me torna melhor. Comprei esse presente semanas atrás, amor, esperando o momento certo para te dar.
— Ai que porra... — disse, com a mão na boca, enquanto abria a caixinha.
— Era um presente pra comemorar morarmos juntos, te agradecer por propor isso, o que nos uniu de vez. Mas guardei até hoje, o momento perfeito pra te presentear.
Ela sorriu comigo.
— Noah, é lindo, amor... — lágrimas rolaram.
— Te amo, Any Gabrielly. Demais.
— Também te amo, meu amor. Obrigada.
Agarrou meu pescoço e me beijou. Demoramos no beijo, sem pressa, apaixonados.
— Esse colar vai ficar lindo em você.
— Põe aqui!
— Ainda não. — ela franziu o cenho — Primeiro, vá tomar banho. Vamos sair.