Capítulo Vinte e Quatro

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NOAH URREA

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NOAH URREA

Num piscar de olhos, saí do paraíso para o inferno. Meu pai, estava parado na porta do apartamento, e minha mente travou, debatendo se o deixava entrar ou não.

— Não vai me convidar pra entrar, filho?

A voz dele carregava aquela imponência de sempre, como se o mundo girasse ao seu redor.

— Entra.

Dei espaço, e ele passou, lançando o olhar que eu conhecia bem: analítico, julgador, acusador — tudo que havia de pior. Seus olhos encontraram Any, caminhou e veio ao meu lado, segurando minha mão. A confusão estampava o rosto dela, haviam mil perguntas pairando em sua expressão. Eu sabia bem o que aquele olhar assustado e surpreso significava.

— Não vai me apresentá-la?

— Sim. — respondi, mas com a garganta apertada. Nunca falava da minha família com ela, e agora ali estava ele — Any, esse é meu pai, Marco. Pai, essa é Any Gabrielly, minha... namorada.

Hesitei, mas confirmei o que ela era para mim, mesmo sem o pedido oficial. Não sossegaria até torná-la minha de verdade.

— Prazer, senhor Urrea. — disse ela, apertando a mão dele.

Marco me deu um sorriso mínimo, quase protocolar.

— Pai.

O chamei na tentativa de perguntá-lo e entender o que ele fazia ali.

— O senhor quer se sentar? — Any me interrompeu — Aceita uma água? — ofereceu.

— Agradeço. Aceito a água.

Ele se acomodou na poltrona da sala, como se fosse dele, para o seu formato, olhando sutilmente à volta, e Any foi à cozinha buscar o copo.

O silêncio entre nós era pesado, cortado apenas pelo som dos passos e movimentos dela. Não sabia o que dizer, como começar. Nem ele. Nosso último encontro, meses antes, terminou em briga, como sempre. Desde então, evitava as ligações da mamãe, a respondendo apenas por mensagem. As do meu pai? Cessaram após dois dias de tentativas pós-discussão — tentativas obrigadas por mamãe.

— Aqui, senhor. — Any se mantinha formal, entregando o copo. A olhamos. — Vou resolver umas coisas... Qualquer coisa, é só chamar, ok? — falou, me dando um selinho  e aperto leve no ombro antes de sair.

Ela sentiu o clima tenso, com certeza. E eu sabia que, mais tarde, enfrentaria um interrogatório dela, ansiosa por respostas sobre essa visita inesperada. Não me surpreendia tanto que meu pai tivesse aparecido. Quando Marco Urrea queria algo, ele ia até o fim do mundo para conseguir.

— A que devo a visita?

Ele pigarreou, pousando o copo na mesinha.

— Sua mãe.

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