//Capítulo 67//

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"All I can do is say that this arms are made for holding you..
I wanna love like you made me feel, when we were 18.."  - 18, One Direction.


(...)

Entro no apartamento depois de expulsar Luke para o dele e suspiro colocando minha bolsa no balcão da cozinha.

Me sento no sofá e olho lá para fora pela porta de vidro que dá pra varanda.

Céu escuro e o barulho alto de trovão ecoando pelo apartamento, depois de ontem, o que eu menos preciso agora é de uma tempestade que me faça lembrar da noite que me ligaram falando que meu pai já não estava mais vivo.

Fico horas alí parada olhando lá pra fora, enquanto aquela noite passa e repassa pela minha cabeça.

O telefone tocando, os médicos dando a notícia, eu deixando o telefone cair e Flynn tentando ajudar de alguma forma.

Eu passei a noite inteira acordada escutando o barulho dos raios e trovões, foi horrível.

Sinto uma angústia cresceu no meu peito fazendo o ar sumir aos poucos e tento respirar fundo e me manter no controle.

Eu não aguento mais isso! Eu só quero que acabe tudo de uma vez, eu não aguento mais.

Abraço minhas pernas e abaixo a cabeça soltando um soluço que eu nem sabia que estava segurando.

Um trovão ecoa pelo apartamento e eu coloco minhas mãos sobre os meus ouvidos na intenção de abafar o barulho, mas sem sucesso.

Puxo meus próprios cabelos em um ato desesperado enquanto um trovão atrás do outro ecoa pela sala pouco iluminada do meu apartamento.

Ouço a porta de entrada abrir e levanto o olhar vendo Luke caminhar na minha direção.

Eu: tá fazendo o que aqui? - Pergunto baixo com a voz falha.

Luke: vim ver como está.. então foi por isso que me expulsou? - Pergunta me olhando e eu desvio o olhar soltando um soluço.

Eu: queria ficar sozinha. - Falo com a voz trêmula.

Luke: e ajudou? - Pergunta e eu nego com a cabeça enquanto lágrimas escorrem sem parar.

Eu: eu tô cansada. - Fala suspirando, sentindo meu coração doer conforme eu respiro fundo.

Luke: eu sei.. - Fala se sentando ao meu lado e pousando sua mão nas minhas costas, onde faz um pequeno carinho.

Eu: eu não quero mais viver assim, Luke. - Falo baixinho.

Eu: eu não aguento mais. - Falo enquanto minha voz falha no meio da frase.

Luke: não desiste.. por favor. - Fala me olhando atentamente e eu levanto o olhar vendo preocupação em seus olhos.

Eu: eu estou quebrada? - Pergunto com a voz trêmula e ele nega com a cabeça.

Luke: não, não está.. eu prometo. - Fala me puxando para um abraço e eu deito minha cabeça em seu peito sentindo o seu perfume inundar o local.

Mais um trovão ecoa pela sala, dessa vez mais alto do que todos os outros, e meu coração acelera de e forma rápida e constante, tão rápido que dói e me dá a impressão de que posso infartar a qualquer momento.

Eu: faz parar, por favor.. faz parar! - Falo em meio a um choro desesperado.

Luke: eu tô aqui, olha mim.. eu tô aqui com você! - Fala segurando meu rosto com delicadeza e me abraçando.

Eu: por favor.. eu não aguento.. mais. - Falo chorando e fechando os olhos cansada do choro, do ambiente, da dor física, psicológica e emocional.

Luke: eu tô aqui com você, e eu não vou a lugar algum. - Fala baixo, mas alto o suficiente para eu ouvir.

Permaneço de olhos fechados e tento focar minha atenção em sua presença, seus braços me segurando, sua cabeça apoiada na minha e de vez em quando, seus lábios na minha testa.

Eu: você parece preocupado... - Falo após alguns minutos em silêncio.

Luke: isso é preocupante.. - Fala com a voz rouca e eu suspiro.

Luke: o que você acha de chamar o pessoal pra ficar aqui com a gente? - Pergunta e eu nego com a cabeça.

Eu: não, não quero ninguém. - Falo sem o olhar.

Eu: quero silêncio. - Falo o empurrando fazendo ele deitar no sofá e me deito ao seu lado, deitando minha cabeça no seu peitoral.

Luke: tá me mandando calar a boca? - Pergunta indignado.

Eu: depende do ponto de vista. - Falo sentindo seu braço circular a minha cintura.

Luke: o que quer fazer? - Pergunta encarando o teto.

Eu: morrer. - Falo como se fosse a coisa mais óbvia e normal do mundo.

Luke: não quer não. - Fala e eu suspiro.

Ninguém nunca leva a sério..

Eu: vocês só vão acreditar quando eu aparecer morta. - Falo me virando de costas pro mesmo e sinto ele me abraçar por trás.

Luke: eu acredito, mas gostaria que não fosse verdade. - Fala baixinho com a boca perto do meu ouvido.

Luke: amanhã a gente vai na psicóloga. - Fala e eu reviro os olhos.

Eu: eu não disse que ia. - Falo ouvindo ele soltar um riso.

Luke: mas você vai, vai te fazer bem.. prometo. - Fala e eu suspiro.

Eu: por que tá fazendo isso? Por que não me deixa morrer? - Pergunto sentindo o ar faltar.

Luke: eu não posso viver num mundo onde não existe Julie Molina.. é impossível. - Fala me abraçando apertado e eu sinto a sensação de angústia sumir aos poucos.

Luke: eu não posso ver você nesse estado e simplesmente não fazer nada.. eu amo você, eu preciso lutar por você. - Fala e eu derramo uma lágrima.

Eu: estou cansada demais para lutar, não sei se consigo continuar Luke. - Falo suspirando.

Luke: eu ajudo.. prometo que ajudo e luto junto com você. - Fala de forma calma e eu sinto meu coração aquecer e doer ao mesmo tempo.

Por que ele tem que ser a pessoa que cuida de mim nesses momentos?

Logo ele?

Fecho os olhos enquanto sinto minha cabeça doer e suspiro com a sensação boa de estar em seus braços.

Sentimento de segurança, aconchego e amor, mesmo que o mundo ainda esteja caindo lá fora, mas isso não é mais um problema.

Ele conseguiu fazer com que não fosse mais. Ele veio, entrou no apartamento e ficou, eu não pedi, eu não quis, mas ainda assim ele escolheu ficar.

E eu o amo por isso! Ele transformou o caos em paz.

Entre todas as pessoas que se passaram pela minha vida, ele foi a minha preferida. A nossa conexão era de outro mundo e eu amava isso.

Eu amava o jeito como só ele conseguia fazer os meus dias melhores, e no final, ainda faz.

A nossa conexão ainda é de outro mundo, e ele continua sendo a minha pessoa preferida, por mais que eu tente negar.

Eu só não queria que ele fosse a pessoa a trazer o meu brilho de volta, porque eu queria ser essa pessoa.

Eu queria vencer, e ser o motivo do meu próprio brilho, não queria que fosse ele.

E isso só depende de mim!

Mas será que eu tenho forças para lutar contra isso? Lutar ainda mais?

Ou será que eu sou tão fraca, que vou me render aos seus braços e deixar que ele seja a minha salvação?

Espero que gostem
Bjs.

Sorry os erros!

Só sofrimento por aqui...

Até o próximo capítulo meus amores!

Beautiful Harmony.Onde histórias criam vida. Descubra agora