Capítulo 13

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Ayla Miller

Meu corpo simplesmente trava quando o olhar dele sobe até mim. Isaac se afasta do saco de areia com o peito arfando, respirando pesado pela boca. E sem o óculos. Preciso dizer alguma coisa. Qualquer coisa.

— É... o homem lá embaixo disse que eu podia chegar já entrando — forço um sorriso, tentando parecer confiante, mas a minha voz entrega o nervosismo — Eu... cheguei em uma hora ruim?

— Não.

Ele se vira de costas, e a visão me pega desprevenida. A regata branca colada ao corpo está encharcada de suor, desenhando perfeitamente cada contorno das costas largas e definidas. Eu quase engasgo com o próprio ar. Céus... como aqui está quente.

Isaac tira as luvas e as larga sobre a mesa ao lado de uma garrafa de água. Ele pega a garrafa, leva à boca e bebe, o gogó subindo e descendo. Depois, me encara com aquele olhar neutro, como se nada estivesse acontecendo.

— Vou tomar um banho. — diz, ofegante, puxando mais ar antes de seguir em direção à porta ao fundo do cômodo.

Uma toalha cai sobre seu ombro com um gesto simples, quase automático. Ele desaparece pela porta sem mais palavras.

Eu me viro imediatamente e caminho pelo corredor, tentando me recompor. Meu rosto arde. Meus pensamentos, então... estão em caos. Desço as escadas e vou direto para o sofá, sentando como uma estátua. Nem me mexo. Nem respiro direito. Qualquer coisa errada que eu faça aqui vai me fazer parecer ainda mais idiota.

***

Ele está na cozinha. O cabelo ainda úmido denuncia o banho recente. A camisa preta que agora veste deixa à mostra parte dos braços musculosos. E o mais perigoso: está sem os óculos.

Sem eles, Isaac parece outra pessoa. Menos o nerd reservado, mais o cara sexy de série adolescente que todas querem. O tipo de garoto que você tenta fingir que não repara, mas que o corpo inteiro reage só de estar perto.

Preciso me concentrar.

— Se você sabe lutar... por que deixa baterem em você no colégio? — pergunto, soltando a pergunta no ar sem pensar duas vezes.

Ele se aproxima com passos firmes, carregando um copo em uma das mãos. O cheiro limpo do sabonete ainda parece flutuar no ar.

— Porque não posso brigar fora do ringue. Se eu fizer isso, nunca mais poderei participar de campeonatos. — responde, calmo — Aqui. — estende o copo para mim.

— O que é isso?

— Um líquido pra beber. Pega. — a resposta dele vem seca, sarcástica.

— Eu sei que é um líquido! — reviro os olhos — Quero saber qual líquido.

— Suco de limão. — diz com um sorriso torto.

Aquele maldito sorriso torto.

Meu corpo inteiro entra em curto. Borboletas se agitam na minha barriga. Um frio esquisito percorre minha espinha.

— A-Ah... obrigada...

Droga. Por que minha voz saiu tão baixa?

Tomo o suco em silêncio, tentando disfarçar o colapso emocional interno. Ele se senta ao meu lado, pegando os papéis com os exercícios que fiz ontem. Seus olhos passam pelas respostas com atenção, as sobrancelhas se franzem de leve.

— Você... não mora com seus pais? — solto sem pensar. Minha boca definitivamente tem vontade própria.

— Eles moram em outra cidade. Vim pra cá pra ter um estudo melhor. Dizem que Olws é um dos melhores colégios pra entrar numa faculdade de ponta. Minha irmã acabou vindo junto.

— E onde ela está?

— Saiu com uma tia minha. — responde, sem desviar os olhos da folha.

O silêncio se instala. Tento parecer ocupada tomando o suco, mas o ar aqui está... pesado. Denso. É o calor ou é ele?

— Você errou menos dessa vez. — diz de repente, os olhos encontrando os meus.

— O quê?

— Por que continua errando as questões que já sabe a resposta?

— Talvez por... falta de atenção?

— Provavelmente. — ele larga uma folha nova na minha frente e aponta com o queixo — Pega e senta no chão. Vou te ensinar enquanto você tenta resolver.

Coloco o copo sobre a mesa com cuidado, e me sento no tapete. Pego minha mochila, tiro o lápis e respiro fundo. Ele se inclina para frente e abaixa o corpo para ficar na mesma altura que eu.

O calor do corpo dele se aproxima como uma onda. O perfume — suave, limpo e amadeirado — preenche meus sentidos. É sutil, mas viciante. A mandíbula dele se move enquanto ele fala, e eu o observo. A forma como a boca se mexe, como a pele é lisinha ali do lado...

Meu Deus, o que eu tô fazendo?

Tento focar no que ele diz sobre os cálculos, mas a voz grave dele ecoa de um jeito perigoso dentro da minha cabeça. Ainda assim, consigo entender o básico.

— Entendeu?

— Sim.

— Então tenta resolver. — ele se afasta um pouco, mas o calor dele ainda me envolve.

Tento fazer os cálculos na cabeça, mas os números embaralham como se estivessem zombando de mim.

— Está fazendo errado.

— Estou? Onde? — olho para ele, confusa.

Ele se inclina de novo, e seu rosto se aproxima. Isaac pega minha mão com delicadeza, movendo o lápis entre meus dedos para mostrar onde errei. O simples toque dos seus dedos nos meus explode uma descarga elétrica pelo meu corpo.

É só um toque.

Mas esse toque é o suficiente para minha pele arrepiar até o último fio de cabelo.

— Você sempre precisa usar o y aqui. Se não colocar, vai perder ponto e pode errar o cálculo inteiro. Entendeu? — ele pergunta, me olhando nos olhos.

— Sim. — digo, mas retiro a mão com um pouco de pressa

Volto a olhar para a folha, fingindo estar completamente focada, mas minha cabeça está longe.

Como Isaac consegue me deixar assim... só com um toque?

Continua...

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