Capítulo 53

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Isaac Willian

Seguro a mão da Liz diante da casa da Tifanny. Ela vai animada na frente, com o presentinho do irmão dela nas mãos — ainda não acredito que tivemos que parar para comprar isso — e caminho devagar até a ruiva, que sorri ao me ver... mas o sorriso morre no mesmo instante em que ela enxerga Ayla vindo logo atrás.

— O que ela tá fazendo aqui? — pergunta

— O que você acha? — retruco, mantendo a calma apenas por causa da Liz.

Tifanny cruza os braços, rindo com ironia

— Passou a noite com ela?

— Passei. — solto sem hesitação.

— Você tá de brincadeira.

— Parece que eu tô brincando? — encaro — Vou buscar minha irmã às seis.

Ela segura meu braço com força e puxa para que eu abaixe. Não esperava, e por reflexo viro o rosto — ela aproveita para beijar minha bochecha. Afasto sua mão de imediato, com raiva.

— Não faz isso nunca mais, entendeu?

Solto com firmeza e a empurro de leve, só o suficiente para afastá-la. O olhar que ela me lança é cheio de raiva, mas não dou a mínima. Viro as costas e volto para Ayla, guiando-a até o carro. Abro a porta pra ela, espero que entre, e dou a volta

— Sabe onde vai ser? — pergunto.

— Vamos passar antes em outro lugar. Preciso pegar umas coisas. Pode dirigir, eu te guio.

Apenas concordo com a cabeça, ligo o carro e sigo pelas ruas conforme as instruções dela. O lugar onde paramos me dá uma vibe meio filme de espionagem, discreto, afastado, e com clima de missão secreta. Ayla desce e me pede para esperar no carro. Obedeço, mesmo com a curiosidade me consumindo.

A observo à distância. Ela fala com um cara de preto, um segurança do pai dela, provavelmente. Eles trocam poucas palavras, Ayla pega uma mochila das mãos dele e o agradece com um abraço. Volta tranquila até o carro.

— Quando combinou isso? — pergunto.

— Ontem, antes de ir pro prédio. Vi o Christopher e pedi que pegasse umas coisas pra mim. Marquei horário e local.

— O que tem aí? — dou uma olhada rápida na mochila.

— Algumas roupas... e meu celular. — ela ergue o aparelho — Pronto, agora posso ver onde vai ser o encontro.

Enquanto ela mexe no celular, sigo observando o segurança se afastar com o carro.

— Pode ir. Eu vou te mostrando o caminho.

Dirigi em silêncio. Um pouco inquieto pra ser sincero. Quando chego ao local, paro o carro e encaro o prédio à frente.

— Isso é uma... fábrica abandonada? — pergunto, franzindo a testa

Tá falando sério?

— É aqui mesmo. Obrigada por me trazer.

— Tem certeza que não quer que eu vá com você?

— Não precisa. — diz, com firmeza.

— Então... te busco mais tarde?

— Sim. Te mando uma mensagem. — diz, já com a mochila no ombro, pronta pra sair.

Antes de sair, me surpreende com um selinho rápido. Meus olhos demoram a acompanhar o gesto. Ela sai do carro e fecha a porta, me deixando completamente desnorteado.

Ela acabou de me beijar...?

Respiro fundo e ligo o carro de novo. No caminho de volta, o silêncio é uma tortura. A única coisa que passa na minha cabeça é o maldito nome de Layam. Ele ainda tá solto, atrás dela. E se for uma armadilha?

Se esse cara encostar nela de novo... juro por tudo que vou acabar com ele. Nem que eu precise matá-lo.

Estaciono no prédio e subo direto. O lugar está em silêncio, meus pais devem ter saído. Deixo as chaves e a carteira na mesa e vou pro andar de cima. Preciso treinar, estudar, focar. Me distrair antes de enlouquecer.

Pego o celular quando ele vibra. Não esperava essa ligação.

— O que foi? — atendo, irritado.

— Ayla não me responde... você tá com ela?

A voz do Ryan me tira a paciência.

— Deixei ela em um lugar meio... peculiar, mas foi o que ela quis. Por quê?

— Fiquei sabendo do que aconteceu com ela. Como ela tá?

— Rosto machucado, mas tá bem. Sabe que tipo de "assunto" ela foi tratar numa fábrica abandonada?

— Se não me engano... ela foi resolver o lance do Layam.

Meu sangue ferve.

— Ela sabe que você conhece ele?

— Não. E não vou contar. Vou fingir desentendimento, como sempre. Mas... não confio muito no Malcolm. Ele anda envolvido com umas coisas pesadas, tipo a família dela.

— Se ela foi pra ver ele, então confia nele. E você devia confiar nela também. Ayla quer provar que não precisa sujar as mãos pra resolver merda nenhuma.

— Eu confio, mas... tô preocupado, porra.

— Preocupado ou com ciúmes? Porque a real é que ela não precisa de você, Ryan. Tô com ela pra manter ela segura.

— Ah, cala essa boca, Isaac. Você só tá surtando porque sabe que eu cheguei primeiro. Eu sou o melhor amigo dela.

— Vai se foder, Ryan. Ou devo te chamar de Aiden? Se você atrapalhar ou se meter, vai se arrepender. Juro por Deus que vai.

— Certo, "nerdzinho valentão". Vai treinar enquanto ela corre perigo.

Desligo antes que eu jogue esse celular pela janela. Merda. Sim, Ryan — ou Aiden, foda-se — tem sentimentos por ela. E o pior? Ela confia nele.

Se eu não me mexer logo, ele vai roubar minha garota bem debaixo do meu nariz.

Continua...

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