Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Seguro a mão da Liz diante da casa da Tifanny. Ela vai animada na frente, com o presentinho do irmão dela nas mãos — ainda não acredito que tivemos que parar para comprar isso — e caminho devagar até a ruiva, que sorri ao me ver... mas o sorriso morre no mesmo instante em que ela enxerga Ayla vindo logo atrás.
— O que ela tá fazendo aqui? — pergunta
— O que você acha? — retruco, mantendo a calma apenas por causa da Liz.
Tifanny cruza os braços, rindo com ironia
— Passou a noite com ela?
— Passei. — solto sem hesitação.
— Você tá de brincadeira.
— Parece que eu tô brincando? — encaro — Vou buscar minha irmã às seis.
Ela segura meu braço com força e puxa para que eu abaixe. Não esperava, e por reflexo viro o rosto — ela aproveita para beijar minha bochecha. Afasto sua mão de imediato, com raiva.
— Não faz isso nunca mais, entendeu?
Solto com firmeza e a empurro de leve, só o suficiente para afastá-la. O olhar que ela me lança é cheio de raiva, mas não dou a mínima. Viro as costas e volto para Ayla, guiando-a até o carro. Abro a porta pra ela, espero que entre, e dou a volta
— Sabe onde vai ser? — pergunto.
— Vamos passar antes em outro lugar. Preciso pegar umas coisas. Pode dirigir, eu te guio.
Apenas concordo com a cabeça, ligo o carro e sigo pelas ruas conforme as instruções dela. O lugar onde paramos me dá uma vibe meio filme de espionagem, discreto, afastado, e com clima de missão secreta. Ayla desce e me pede para esperar no carro. Obedeço, mesmo com a curiosidade me consumindo.
A observo à distância. Ela fala com um cara de preto, um segurança do pai dela, provavelmente. Eles trocam poucas palavras, Ayla pega uma mochila das mãos dele e o agradece com um abraço. Volta tranquila até o carro.
— Quando combinou isso? — pergunto.
— Ontem, antes de ir pro prédio. Vi o Christopher e pedi que pegasse umas coisas pra mim. Marquei horário e local.
— O que tem aí? — dou uma olhada rápida na mochila.
— Algumas roupas... e meu celular. — ela ergue o aparelho — Pronto, agora posso ver onde vai ser o encontro.
Enquanto ela mexe no celular, sigo observando o segurança se afastar com o carro.
— Pode ir. Eu vou te mostrando o caminho.
Dirigi em silêncio. Um pouco inquieto pra ser sincero. Quando chego ao local, paro o carro e encaro o prédio à frente.
— Isso é uma... fábrica abandonada? — pergunto, franzindo a testa
Tá falando sério?
— É aqui mesmo. Obrigada por me trazer.
— Tem certeza que não quer que eu vá com você?
— Não precisa. — diz, com firmeza.
— Então... te busco mais tarde?
— Sim. Te mando uma mensagem. — diz, já com a mochila no ombro, pronta pra sair.
Antes de sair, me surpreende com um selinho rápido. Meus olhos demoram a acompanhar o gesto. Ela sai do carro e fecha a porta, me deixando completamente desnorteado.
Ela acabou de me beijar...?
Respiro fundo e ligo o carro de novo. No caminho de volta, o silêncio é uma tortura. A única coisa que passa na minha cabeça é o maldito nome de Layam. Ele ainda tá solto, atrás dela. E se for uma armadilha?
Se esse cara encostar nela de novo... juro por tudo que vou acabar com ele. Nem que eu precise matá-lo.
Estaciono no prédio e subo direto. O lugar está em silêncio, meus pais devem ter saído. Deixo as chaves e a carteira na mesa e vou pro andar de cima. Preciso treinar, estudar, focar. Me distrair antes de enlouquecer.
Pego o celular quando ele vibra. Não esperava essa ligação.
— O que foi? — atendo, irritado.
— Ayla não me responde... você tá com ela?
A voz do Ryan me tira a paciência.
— Deixei ela em um lugar meio... peculiar, mas foi o que ela quis. Por quê?
— Fiquei sabendo do que aconteceu com ela. Como ela tá?
— Rosto machucado, mas tá bem. Sabe que tipo de "assunto" ela foi tratar numa fábrica abandonada?
— Se não me engano... ela foi resolver o lance do Layam.
Meu sangue ferve.
— Ela sabe que você conhece ele?
— Não. E não vou contar. Vou fingir desentendimento, como sempre. Mas... não confio muito no Malcolm. Ele anda envolvido com umas coisas pesadas, tipo a família dela.
— Se ela foi pra ver ele, então confia nele. E você devia confiar nela também. Ayla quer provar que não precisa sujar as mãos pra resolver merda nenhuma.
— Eu confio, mas... tô preocupado, porra.
— Preocupado ou com ciúmes? Porque a real é que ela não precisa de você, Ryan. Tô com ela pra manter ela segura.
— Ah, cala essa boca, Isaac. Você só tá surtando porque sabe que eu cheguei primeiro. Eu sou o melhor amigo dela.
— Vai se foder, Ryan. Ou devo te chamar de Aiden? Se você atrapalhar ou se meter, vai se arrepender. Juro por Deus que vai.
— Certo, "nerdzinho valentão". Vai treinar enquanto ela corre perigo.
Desligo antes que eu jogue esse celular pela janela. Merda. Sim, Ryan — ou Aiden, foda-se — tem sentimentos por ela. E o pior? Ela confia nele.
Se eu não me mexer logo, ele vai roubar minha garota bem debaixo do meu nariz.
Continua...
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