Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Fiquei depois da aula por conta do Isaac ter socado o nariz de um verme que não serve pra porra nenhuma nesse colégio. Me acusaram. Disse que Isaac não faria algo assim. Então eu paguei o pato. Aquele merda não estuda, não sabe jogar, só tá no time de basquete porque é rico, tem sobrenome e fama de pegador.
Vive rindo do sofrimento alheio, humilhando quem é diferente, se achando o rei do mundo. O diretor, é claro, passou pano. O idiota protege o lixo porque o pai dele banca metade das reformas da escola.
Vai se foder.
A punição? Lavar todas as salas do colégio. Sozinha. E sem desculpas. Quatro da tarde. Agora são dez horas da noite.
Tô na última maldita sala, com as costas latejando, os pés destruídos e o corpo inteiro exalando suor. Seguro o pano pela última vez, passo sobre a mesa como se estivesse limpando minha própria raiva. Entrego o material pro zelador, que só me observava em silêncio desde o começo, com aquele olhar de quem acha tudo isso normal. Pego minha mochila com brutalidade e saio.
Desço as escadas como um furacão, os pés doendo dentro da sandália, a testa grudenta de suor.
Ao passar pelo portão, puxo o ar com força, tentando acalmar o turbilhão que carrego dentro de mim. O vento noturno toca minha pele quente.
Tudo o que quero agora é um banho. Um daqueles demorados, com a água bem quente escorrendo pelas costas, arrancando a sujeira, o estresse e o peso dessa merda de dia. Depois, quem sabe, um sono sem pesadelos.
Paro de andar ao ver ele. Eu tinha esquecido.
Encostado em seu Porsche preto fosco, Malcolm gira o canivete entre os dedos. As tranças longas caem sobre os ombros tatuados, e a luz do poste reflete em sua pele escura, destacando os desenhos marcados com tinta — símbolos do que ele é, do que representa: o chefe de gangue que ninguém ousa peitar.
Quando seus olhos negros pousam em mim, ele abre um sorriso preguiçoso.
— Aly! — ele guarda o canivete com um estalo e abre os braços — Como está a minha gatinha?
— Morta de cansaço, e você sabe que odeio abraço quando tô assim. — empurro o peito dele, afastando aquele calor que me irrita.
Ele ri, balançando a cabeça devagar, os olhos brilhando de diversão.
— Entra no carro. Vamos dar uma volta enquanto conversamos.
Abro a porta sem discutir. Me jogo no banco de couro, afundo o corpo com alívio, como se o estofado tivesse me abraçado. Tiro as sandálias, massageando os pés latejantes.
— Então... o que acha que vamos fazer? — pergunto, encarando o vidro à frente.
— A única forma de resolver esse assunto sem que ninguém morra... é envolvendo o FBI. — ele acelera com calma, a mão firme no volante.
Viro o rosto pra ele, incrédula.
— FBI?! Você tá brincando, né?
— Não temos muitas opções. O Layam é um maluco, e se formos por vias normais, ou ele some... ou você morre.
— E o que o FBI vai fazer se a gente envolver eles?
— Armar uma emboscada. — ele me olha de relance, a expressão séria — Quando o Layam tentar te matar, os agentes estarão à espreita. Mas pra eles agirem, precisam de provas concretas. Você sabe como funciona, eles não se metem em caso fraco.
— E que tipo de prova seria suficiente?
— Você levar um tiro, por exemplo.
— O QUÊ? — minha voz sobe — Eu não vou tomar um tiro pra esse desgraçado ser preso!
— Então você prefere morrer? Ou que a gente elimine ele do nosso jeito?
Meus dedos apertam a panturrilha enquanto continuo a massagear os pés.
— Tá! Droga... Como a gente fala com o FBI?
— Conheço um garoto. Entrou jovem, mas é bom. Pode nos ajudar. Fez alguma merda de novo? — ele sorri de canto — Ficou até tarde no colégio por quê?
— Um amigo desmaiou um idiota e a culpa caiu sobre mim.
— Que azar. — ele ri, divertido — Vamos encontrar o agente agora. Ele tá em um restaurante, em um encontro às cegas. O babaca é mulherengo, vive nessa.
— Claro. Típico. — reviro os olhos — Já até imagino o tipo.
***
O ar frio do restaurante chique bate no meu rosto. Tudo brilha, tudo cheira a perfume caro. Os saltos das mulheres ecoam pelo mármore brilhante, os homens parecem todos saídos de um comercial de banco.
Sigo Malcolm em silêncio, atraindo olhares claro, estamos fora do padrão deles. Uma garota de blusa suada e expressão de ódio não é exatamente o que se espera aqui.
Uma funcionária nos leva até o meio do salão. Paramos em frente a uma mesa onde um garoto de uns vinte e poucos anos conversa com uma garota de cabelos cacheados. Os dois nos encaram.
O olhar verde esmeralda do rapaz cai em mim e permanece por alguns segundos antes de deslizar até Malcolm. Ele se encosta na cadeira com um sorriso de canto.
— Você aqui? Precisa da minha ajuda, não é?
— Meio-termo. — Malcolm responde, casual.
O garoto sorri de novo, dessa vez me fuzilando com os olhos, me devorando com aquele olhar. Sinto a raiva subir. Não gosto de homens assim os que acham que estão acima de tudo só por terem informação e um rosto bonito.
Desvio o olhar e começo a observar o ambiente. Gente rica. Cheiros caros. Sorrisos falsos. Até que paro meus olhos numa mesa mais à frente.
Isaac.
Ele está cercado de duas famílias. Uma mulher de cabelos pretos — sua mãe, talvez — fala com ele e ele sorri de volta. Mas quem realmente me prende é a menina ao lado dele: envergonhada, recatada... com um ar de "futura noiva perfeita".
A outra família — pai, mãe e filha — não me são familiares. Mas o cenário é óbvio.
Encontro de famílias. Seja por casamento, seja por negócios. Ou os dois. No fim, é tudo igual: acasalar filhos pra fazer dinheiro.
Continua...
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