Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Enrolo Liz nos cobertores depois de horas brincando e rindo juntas. Os pais dela saíram para um encontro com velhos amigos, Isaac ainda não voltou, e o apartamento está só nosso. Preparei algo gostoso para jantarmos, mas agora a noite pede descanso.
— Foi muito bom hoje — ela sorri, com aqueles olhos brilhantes de criança feliz. — A Alice disse que a irmã dela era incrível... mas não achei que fosse tanto.
Não consigo conter o riso. Essa garota é maravilhosa.
— Fico feliz que minha irmã esteja falando bem de mim.
— Ela sente sua falta... — Liz baixa um pouco o olhar. — Disse que seu pai anda muito triste, igual à sua mãe.
Meus dedos deslizam pela coberta macia. O orgulho deles é maior do que tudo. Nunca vão pedir desculpas facilmente.
— Quem sabe um dia eu volte. — murmuro, fechando o assunto. — Boa noite.
— Obrigada por hoje, Aly.
— Vamos repetir, Liz. Prometo.
O quarto mergulha em escuridão repentina. Não enxergo nada.
— O que aconteceu? — ela sussurra, assustada.
Pego o celular no bolso e acendo a lanterna, iluminando as paredes.
— Deve ter acabado a energia do prédio... — digo, tentando soar calma. — Vamos descer pra ver o que houve?
— Vamos... — sua voz treme. — Eu não gosto do escuro.
Seguro firme sua mão. Descemos juntas, degrau por degrau. O prédio é alto demais, a descida parece interminável. No caminho, moradores aflitos também tentam entender a situação.
Lá embaixo, encontramos o síndico, que tenta acalmar todos
— Calma, pessoal! Só um curto de energia. Já estão vindo resolver. Voltem para seus apartamentos e fiquem lá até tudo se normalizar!
Viro-me para subir de novo, mas algo dentro de mim grita que isso não foi um simples curto. A sensação é ruim, pesada.
Então um grito corta o ar. Viro-me para trás na mesma hora. Meus olhos se arregalam ao ver a cena: com um movimento rápido, a garganta do síndico é rasgada. Sangue jorra, e o pânico toma conta.
Agarrei Liz e puxei para as escadas. Se ficarmos ali, ela será esmagada. Somos as primeiras a subir, mas alguém desesperado esbarra nela.
— Liz! Está bem? — me abaixo, com o coração disparado.
— Meu... meu tornozelo...
Droga.
Aponto a lanterna para baixo. Vejo flashes silenciosos — tiros com silenciador. Pessoas caem. Inocentes morrendo. O som abafado dos disparos e os gritos sufocados me gelam até os ossos.
Não penso. Pego Liz no colo e corro escada acima. Cada degrau é uma batalha. Minhas pernas falham, queimam, mas eu não posso parar. No trigésimo sexto andar, não aguento mais.
Preciso escondê-la. Rapidamente encontro um canto protegido atrás de uma parede. Abaixo-a ali e entrego meu celular, desligando a lanterna.
— Fica aqui, Liz. Ligue para a polícia. A senha é a data do aniversário do seu irmão. Não sai daqui, por nada.
— Mas... e você?
Olho firme em seus olhos.
— Acho que essa pessoa está atrás de mim. Se ficar comigo, vai morrer. Me obedece.
Ela engole em seco e apenas concorda.
O silêncio que segue é ensurdecedor. Caminho pelo corredor, a deixando para trás. Sem disparos, sem gritos. Só a lua iluminando pela janela
Respiro fundo.
Abro a porta lentamente e sigo até o corrimão. Escuto passos lentos subirem. E um assobio... uma melodia distorcida, perturbadora, que arrepia minha espinha.
— Descer não adianta, Ayla... — a voz masculina ecoa, transformando a ameaça em música. — Você morre hoje, gatinha...
Repete. Várias vezes. Me afasto do corrimão. Ele pode estar usando visão noturna. Merda! Só resta subir.
Corro. Degrau após degrau, enquanto os tiros ecoam pelo concreto. Tento ser sombra, invisível, mas meu corpo me trai. Estou ofegante, minha respiração alta ressoa pelo prédio silencioso.
O topo. Empurro a porta do telhado com desespero, a garganta seca. Procuro qualquer coisa um pedaço de madeira, um lugar para me enfiar. Encontro uma tábua e me escondo atrás do muro, ao lado da porta.
Os passos se aproximam. O assobio aumenta. Seguro a respiração. A maçaneta gira e ele entra
Avanço e acerto sua cabeça com toda força. A madeira estilhaça, mas... ele não cai. Não vacila. Nem sente.
Meu sangue gela.
— Que diabos...? — sussurro, trêmula.
Ele ergue a cabeça devagar virando para trás, como se nada tivesse acontecido.
Tento correr para a porta, mas sinto os cabelos serem puxados com brutalidade. Sou arremessada contra o chão. A dor explode, e eu fico atordoada. Droga. Desperdicei minha chance.
Ele se aproxima. Reajo com um chute no estômago, depois na mão que segura a arma. Ela voa para longe. Mas ele nem se abala.
Tento me levantar, mas ele continua vindo
Durante o tempo em que esteve escondido... Layam ficou mais forte. Muito mais forte.
Continua...
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Tá na hora do caos galera
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