Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Escolhi tudo que ela queria — e ainda adicionei algumas coisas. Também comprei uma aliança. Vou chamá-la para sair e pedi-la em namoro. Sei que ainda não resolvi o assunto com os pais dela, mas não quero enrolar mais.
A animação dela vindo até mim é contagiante; não consigo evitar o sorriso ao ver os pequenos pulos que dá.
— Oi! — ela salta de uma vez quando chega até mim.
Ayla se aproxima para um beijo. Seguro seu rosto e aceito o selinho. Ela sorri ao se afastar.
— A professora deixou você sair mais cedo?
— Disse pra vir aqui rápido e voltar pra sala. — os olhos dela caem sobre o banco que tento esconder com o corpo. — Você fez uma cesta!
Abro espaço para ela. Ayla se agacha e mexe na cesta recheada de doces.
— Meu Deus! Isso é um sonho. Minha mãe nunca deixaria eu ter uma dessas.
Por que será, né? Deve ser uma formiga. Vai devorar isso em um dia.
Ela abre a sacola e pega um chocolate, colocando-o na boca com a expressão de quem realizou um desejo proibido.
— Isso é muito bom. — ela me encara enquanto mastiga. — Quer?
— Não, obrigado. Estou de dieta.
— Dieta? — seus olhos descem para meu corpo, e ela dá um tapa de leve na minha barriga. Fico sem entender o gesto. — Parece uma parede. Não precisa de dieta.
— Doce faz mal, gatinha. Não quero. — passo a mão onde ela me bateu.
— Faz mal se comer demais. — ela pega outro bombom. — E eu vou comer até passar mal. — sua risada me assusta.
— Ayla, não brinca com isso. Diabetes e pedra nos rins não são piada
— Você leva tudo ao pé da letra.
— Não é isso... — tento me defender.
— É sim. Se eu falar agora que estou trepando com o Ryan, você acredita.
Quê?
— Você... está?
— Meu Deus, Isaac! — ela revira os olhos. — Considero o Ryan como um irmão. Seria nojento.
Ah... que susto.
Outro bombom desaparece em sua boca, enquanto ela faz caretas deliciosas. De repente, Ayla ergue minha blusa e me pega desprevenido.
— Ei! — seguro seu pulso.
— Você acha que só treinando luta eu consigo ter um corpo como o seu?
— Quer músculos por toda parte?
— Quero... mas não tão exagerado.
— Então teria que maneirar nas besteiras que come. Mas dá, sim.
Ela faz uma careta desconfiada.
— Já desistiu? — provoco.
— Ah... não sei. Quero barriga chapada, mas também quero comer besteira. — mais uma careta.
— Você que sabe, gata. Só cuida mais da sua saúde.
E é isso que me preocupa. Beber, fumar... não quero te perder cedo. Quero ter filhos com você, envelhecer ao seu lado. Não assistir você se destruir.
— Posso te pedir uma coisa? — pergunto.
— Claro.
— Para de beber e fumar?
Ela fecha a cesta em silêncio. Fica pensativa, até se levantar diante de mim. Então sorri.
— Sim! — responde, animada. — Você se preocupa com minha saúde... e eu também. Quero mudar de vida. Passei a adolescência inteira bebendo e fumando. — suas mãos agarram meu corpo, colando-se a mim. — Vai me ajudar?
— Vou. Quer ir ao médico fazer um check-up?
— Quero. — o sorriso dela cresce, e aqueles olhos inocentes descem para minha boca.
Dou um selinho rápido, mas ela pede mais. Dou outro. E outro.
— Quero mais um. — insiste.
— Você precisa voltar pra aula, mocinha.
— Só mais um.
Cedo, e o beijo agora é demorado. Ela sorri no meio dele, e sorrir junto se torna inevitável.
— Até mais. — se afasta. — E guarda meus bombons.
— Vou guardar.
Ela se despede acenando até desaparecer pelo colégio. Meu bolso vibra. É uma mensagem da minha mãe.
Mãe Vem pra agência. O presidente está aqui e quer te ver.
Merda. Se ele saiu da Casa Branca e veio a Seattle, não é coisa boa. Será que querem adiar a prisão dos Miller?
***
Minha mão dói. Percebo que estou cravando as unhas contra a pele. Esse desgraçado.
— Sei que é novo pra você eu mudar o plano — diz o presidente, frio. — Mas as famílias das vítimas dos Millers querem todos presos. Inclusive os filhos "inocentes". Faço isso pelo meu povo. Eles se sentem mais seguros assim.
— Não vou deixar que prendam as duas. — minha voz sai ríspida — Vamos seguir o plano que construímos por anos.
— Entenda, Isaac. O povo quer isso. Não posso negar.
— Elas também fazem parte do seu povo! São inocentes. Não merecem prisão.
Ele suspira, ajeita a papelada. Seus olhos azuis pesam sobre mim.
— Não vou aceitar. — minha voz é firme. — Se insistir, eu mesmo dou um fim em você.
— Ameaças não vão adiantar.
— Não? Quando descobrirem o que o "presidente" realmente faz na Casa Branca, vão agradecer por você estar morto. Tenho provas o suficiente pra acabar com sua imagem de santo.
— Posso acabar com você aqui e agora!
Sinto o frio da arma contra minha cabeça. Não tremo.
— Faça isso! — sorrio. — Quando virem que o presidente assassinou o homem que capturava os criminosos mais perigosos do país, sua queda será muito maior que a minha.
Ele não atira. Sei que não pode. Ele precisa de mim.
— Elas saem do país, como combinado. — determino.
Silêncio. Vejo no rosto dele que está cedendo.
— Está bem. — por fim, cede. — Mas terão que mudar de sobrenome e nunca mais voltar aqui. Aceito, mas com uma condição.
— Qual?
— Você trabalha pra mim. E segue minhas regras.
Tudo por vocês. Se for para estarem seguras, aceito qualquer coisa.
Continua...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Obrigada por ler! Não se esqueçam de votar, me ajuda muito. Beijos❤️