Capítulo 71

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Isaac Willian

Escolhi tudo que ela queria — e ainda adicionei algumas coisas. Também comprei uma aliança. Vou chamá-la para sair e pedi-la em namoro. Sei que ainda não resolvi o assunto com os pais dela, mas não quero enrolar mais.

A animação dela vindo até mim é contagiante; não consigo evitar o sorriso ao ver os pequenos pulos que dá.

— Oi! — ela salta de uma vez quando chega até mim.

Ayla se aproxima para um beijo. Seguro seu rosto e aceito o selinho. Ela sorri ao se afastar.

— A professora deixou você sair mais cedo?

— Disse pra vir aqui rápido e voltar pra sala. — os olhos dela caem sobre o banco que tento esconder com o corpo. — Você fez uma cesta!

Abro espaço para ela. Ayla se agacha e mexe na cesta recheada de doces.

— Meu Deus! Isso é um sonho. Minha mãe nunca deixaria eu ter uma dessas.

Por que será, né? Deve ser uma formiga. Vai devorar isso em um dia.

Ela abre a sacola e pega um chocolate, colocando-o na boca com a expressão de quem realizou um desejo proibido.

— Isso é muito bom. — ela me encara enquanto mastiga. — Quer?

— Não, obrigado. Estou de dieta.

— Dieta? — seus olhos descem para meu corpo, e ela dá um tapa de leve na minha barriga. Fico sem entender o gesto. — Parece uma parede. Não precisa de dieta.

— Doce faz mal, gatinha. Não quero. — passo a mão onde ela me bateu.

— Faz mal se comer demais. — ela pega outro bombom. — E eu vou comer até passar mal. — sua risada me assusta.

— Ayla, não brinca com isso. Diabetes e pedra nos rins não são piada

— Você leva tudo ao pé da letra.

— Não é isso... — tento me defender.

— É sim. Se eu falar agora que estou trepando com o Ryan, você acredita.

Quê?

— Você... está?

— Meu Deus, Isaac! — ela revira os olhos. — Considero o Ryan como um irmão. Seria nojento.

Ah... que susto.

Outro bombom desaparece em sua boca, enquanto ela faz caretas deliciosas. De repente, Ayla ergue minha blusa e me pega desprevenido.

— Ei! — seguro seu pulso.

— Você acha que só treinando luta eu consigo ter um corpo como o seu?

— Quer músculos por toda parte?

— Quero... mas não tão exagerado.

— Então teria que maneirar nas besteiras que come. Mas dá, sim.

Ela faz uma careta desconfiada.

— Já desistiu? — provoco.

— Ah... não sei. Quero barriga chapada, mas também quero comer besteira. — mais uma careta.

— Você que sabe, gata. Só cuida mais da sua saúde.

E é isso que me preocupa. Beber, fumar... não quero te perder cedo. Quero ter filhos com você, envelhecer ao seu lado. Não assistir você se destruir.

— Posso te pedir uma coisa? — pergunto.

— Claro.

— Para de beber e fumar?

Ela fecha a cesta em silêncio. Fica pensativa, até se levantar diante de mim. Então sorri.

— Sim! — responde, animada. — Você se preocupa com minha saúde... e eu também. Quero mudar de vida. Passei a adolescência inteira bebendo e fumando. — suas mãos agarram meu corpo, colando-se a mim. — Vai me ajudar?

— Vou. Quer ir ao médico fazer um check-up?

— Quero. — o sorriso dela cresce, e aqueles olhos inocentes descem para minha boca.

Dou um selinho rápido, mas ela pede mais. Dou outro. E outro.

— Quero mais um. — insiste.

— Você precisa voltar pra aula, mocinha.

— Só mais um.

Cedo, e o beijo agora é demorado. Ela sorri no meio dele, e sorrir junto se torna inevitável.

— Até mais. — se afasta. — E guarda meus bombons.

— Vou guardar.

Ela se despede acenando até desaparecer pelo colégio. Meu bolso vibra. É uma mensagem da minha mãe.

Mãe
Vem pra agência. O presidente está aqui e quer te ver.

Merda. Se ele saiu da Casa Branca e veio a Seattle, não é coisa boa. Será que querem adiar a prisão dos Miller?

***

Minha mão dói. Percebo que estou cravando as unhas contra a pele. Esse desgraçado.

— Sei que é novo pra você eu mudar o plano — diz o presidente, frio. — Mas as famílias das vítimas dos Millers querem todos presos. Inclusive os filhos "inocentes". Faço isso pelo meu povo. Eles se sentem mais seguros assim.

— Não vou deixar que prendam as duas. — minha voz sai ríspida — Vamos seguir o plano que construímos por anos.

— Entenda, Isaac. O povo quer isso. Não posso negar.

— Elas também fazem parte do seu povo! São inocentes. Não merecem prisão.

Ele suspira, ajeita a papelada. Seus olhos azuis pesam sobre mim.

— Não vou aceitar. — minha voz é firme. — Se insistir, eu mesmo dou um fim em você.

— Ameaças não vão adiantar.

— Não? Quando descobrirem o que o "presidente" realmente faz na Casa Branca, vão agradecer por você estar morto. Tenho provas o suficiente pra acabar com sua imagem de santo.

— Posso acabar com você aqui e agora!

Sinto o frio da arma contra minha cabeça. Não tremo.

— Faça isso! — sorrio. — Quando virem que o presidente assassinou o homem que capturava os criminosos mais perigosos do país, sua queda será muito maior que a minha.

Ele não atira. Sei que não pode. Ele precisa de mim.

— Elas saem do país, como combinado. — determino.

Silêncio. Vejo no rosto dele que está cedendo.

— Está bem. — por fim, cede. — Mas terão que mudar de sobrenome e nunca mais voltar aqui. Aceito, mas com uma condição.

— Qual?

— Você trabalha pra mim. E segue minhas regras.

Tudo por vocês. Se for para estarem seguras, aceito qualquer coisa.

Continua...

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