Capítulo 50

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Ayla Miller

Sua mão envolve a minha, quente, e por um segundo esqueço até que estamos sendo observados. A mulher à nossa frente se aproxima com expectativa no olhar. A mãe do Isaac.

— Essa é a Ayla... — Isaac diz com naturalidade, como se já tivesse pensado nessa resposta — Ela vai dormir aqui por um tempo. Tudo bem?

— Claro — a voz da mãe dele é leve, calorosa. — Sou Olívia!

Instintivamente estendo a mão, mas ela ignora o gesto e me envolve num abraço caloroso. Quando ela se afasta, seu sorriso ainda permanece.

— Vou buscar algo confortável pra você dormir. — diz ela, e se afasta com aquele jeito sereno que só as mães que amam sabem ter.

Isaac aperta de leve minha mão, me guiando pelas escadas. Subimos em silêncio, o som dos nossos passos ecoando no corredor até pararmos na última porta, a mais distante, a mais afastada. Ele a abre e entra primeiro.

O quarto é absurdamente aconchegante. Solto um suspiro pesado, sentindo o peso das últimas horas me esmagar por dentro. Me sento na cama e meus olhos fixam em nossas mãos — a dele havia soltado a minha. Já estou sentindo falta do toque.

Isaac sai do banheiro e vem pra cama, se sentando ao meu lado e, em silêncio, começa a passar uma pomada no meu lábio cortado. Arfo discretamente ao sentir o ardor suave, e ele se afasta, preocupado.

— Tá tudo bem?

Apenas aceno com a cabeça.

Ele volta a me tocar, dessa vez passando a pomada no roxo da minha bochecha. Meu olhar, por reflexo, se fixa no dele.

Mas quando ele se aproxima demais, viro o rosto.

— Desculpa... — ele sussurra — Esqueci de pedir pra te beijar.

Meu coração falha uma batida.

— Você estava num encontro com outra garota há poucos minutos... — murmuro, tentando esconder o que realmente quero dizer com isso.

O silêncio toma conta por alguns segundos. Então ele sorri. Aquele sorriso discreto, cheio de malícia e entendimento. Aquele sorriso que revela que ele entendeu, que percebeu o ciúmes, mesmo que eu tenha disfarçado.

— Deixa que eu passo. — estendo a mão pra pegar a pomada, tentando recuperar o controle. Mas ele recua com um olhar travesso.

— Estava me seguindo? — ele se aproxima, voz baixa e provocante.

— Não. Eu... só fui resolver uma coisa. E acabei te vendo naquele restaurante.

— Era apenas uma conversa entre famílias. Não rolou nada. Nem vai rolar.

A tensão entre nós cresce num silêncio carregado. Ele me encara com tanta intensidade que minhas defesas começam a ruir. E, então, seus lábios encostam nos meus.

É um beijo calmo, quase reverente, e por um instante fico paralisada. Mas quando ele se afasta, é como se puxasse meu ar junto. Ergo a mão e toco seu rosto, puxando-o para um beijo meu. Um beijo mais firme, mais íntimo, nossas línguas se encontrando com precisão. Sua mão toca minha coxa, quente.

Ele se afasta. Bruscamente.

— O que foi? — pergunto por ter o beijo encerrado dessa forma.

— Agora não... — ele diz, tentando controlar a respiração para um beijo que estava calmo. — Mais tarde continuamos.

— Continuar? Mas... não íamos fazer nada.

— Agora vamos. — ele sorri, os olhos me devorando. — Não dorme, ok? Quero te mostrar um lugar.

Assinto, confusa. Ele se afasta como se estivesse lutando consigo mesmo. Eu fico de pé justo quando Olívia entra com um vestido nas mãos. Agradeço, quase sem conseguir falar

Adoraria que minha mãe tivesse esse brilho nos olhos. Que ela me abraçasse como Olívia fez. Que sorrisse como ela. Mas ela não sorri. Ela fere.

***

Não esperava sair de carro tão tarde. As ruas estão desertas, as luzes espalhadas parecem piscando preguiçosamente, e há algo de misterioso no silêncio da noite. Insetos giram em volta dos postes. O mundo dorme. Só nós dois acordados.

Isaac dirige com uma mão só, tranquilo. Sexy, sim. Perigoso, também.

— Vai me dizer pra onde está me levando?

— É surpresa. — ele responde com aquele meio sorriso

— É bonito?

— É. Você gosta de paisagens, não gosta?

— Sim.

Ele apenas sorri mais, os olhos atentos à estrada.

O carro para num hotel no alto de uma montanha. Meus olhos se arregalam.

A vista é indescritível — a cidade de Seattle inteira se estende aos nossos pés, como uma pintura viva, cheia de luzes e sonhos e histórias. Saímos do carro, e ele segura minha mão de novo.

No saguão, ele aluga um quarto. Subimos de elevador, e o silêncio entre nós é denso, quase palpável. Olho para ele, o vendo que está tudo bem. Consegue se controlar.

Fomos direto para o quarto quando saímos do elevador. Quando a porta do quarto se abre, sou atingida de novo pela beleza: uma parede de vidro revela toda a cidade, as luzes piscando lá embaixo como constelações urbanas.

— Eu vinha aqui quando era mais novo. Quinze anos, mais ou menos. Me ajudava a acalmar. — ele diz, com um tom nostálgico na voz.

— Num hotel? — pergunto, virando pra ele.

— Aqui serve pra dormir também.

Ele tira os óculos e os coloca na mesa. Me arrepia ver seu rosto limpo, sem nada escondendo seus olhos intensos. Em silêncio, ele me puxa devagar. Uma de suas mãos afasta meus cabelos do ombro, deixando minha pele exposta.

Seus lábios pousam ali com doçura.

Fecho os olhos. Os beijos sobem do ombro até meu pescoço, me tirando o fôlego, aquecendo cada centímetro do meu corpo. Me sinto derreter sob seu toque.

Isaac segura a alça do vestido que Olívia me emprestou, e começa a tirá-lo devagar. Ajudo, deixando que a peça escorregue do meu corpo até o chão. Fico apenas de calcinha, respirando fundo.

Ele me provoca se afasta quando tento beijá-lo. Me olha com aquele sorriso travesso, sabendo o que está fazendo comigo. Me puxa pelas coxas e me ergue, e eu enrosco minhas pernas ao redor da sua cintura. Ele me leva até a cama, me deitando no centro, e tira a camisa lentamente, revelando aquele corpo que me faz perder o ar.

Ele deita sobre mim, me olhando como se estivesse vendo algo precioso.

— Me trouxe aqui pra transar? — pergunto

— E pra passar um tempo com você. — sua voz rouca arrepia

Continua...

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