Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Procuro por Alice entre as máquinas coloridas e luzes piscando. Já está mais do que na hora de irmos embora — se demorarmos mais, o papai vai surtar. Finalmente a vejo, um pouco distante, encantada com um grupo de adolescentes
Um arrepio percorre minha espinha. Meus olhos são puxados, como por instinto, para o fundo da sala. Entre a névoa de fumaça artificial e os flashes vibrantes das telas, vejo uma figura parada alta, imóvel, como uma sombra mal posicionada. Ele usa um boné preto, mas não é só isso. O casaco, a calça, até os tênis... tudo nele grita escuridão. E ninguém parece notá-lo. Ninguém, exceto eu.
Meu corpo gela. O tempo desacelera. Aqueles olhos me encaram com tamanha intensidade que sinto como se estivessem atravessando minha alma. É um olhar cheio de ódio.
É ele. Se não for o mesmo desgraçado que estava no prédio aquele dia, então é seu clone. A altura, o jeito que segura o corpo, até a arma que ele ergue das costas é a mesma. Aquela arma. O mesmo metal frio que já me apontou antes.
Sem pensar, com reflexos que nem sabia ter, agarro o braço da Alice e da Liz. Puxo com força, quase arrancando. Um segundo depois, os tiros ecoam.
As primeiras balas cortam o ar e atingem as máquinas, estourando telas, arrancando faíscas. O caos se instala. Gritos. Correria. Choro. Me jogo atrás de uma cabine de corrida, abraçando as meninas com o corpo todo, cobrindo suas cabeças. O barulho ensurdecedor dos disparos mistura-se com alarmes e gritos histéricos.
— Aly!
— Tá tudo bem! Fica abaixada! — digo, com a respiração acelerada e os músculos em puro estado de alerta.
A cada segundo, mais tiros. Tento localizar de onde eles vêm, mas a confusão generalizada torna quase impossível. Em um rápido relance, o vejo à direita. Ele mira outra vez, e novamente as balas atingem as máquinas.
— Corre pro outro lado! Vai agora! — empurro as duas meninas, que correm abaixadas tentando sair, mas a multidão bloqueia o caminho. Gente desesperada tropeçando, esbarrando, gritando por socorro — Se escondam! Agora! — ordeno, e vejo Alice deslizar atrás de uma estrutura de fliper.
Me viro e corro, rastejando entre as máquinas. Ele está me caçando. A mim. Isso é pessoal. E se continuar assim, alguém vai morrer talvez não eu, mas uma criança inocente, um funcionário, qualquer um.
Preciso parar esse filho da puta.
Avanço entre os corredores estreitos de arcades, usando cada cabine como escudo. E então, o momento que esperei: ele tira o pente da arma para recarregar.
Corro. Atravesso o espaço e agarro um bastão de beisebol de madeira. Com toda a força que tenho, acerto sua cabeça. O baque é seco. Ele grunhe e cambaleia. Tento pegar a arma que caiu, mas ele a chuta para debaixo do balcão. Ótimo. Agora vamos resolver isso na porrada.
Jogo o bastão quebrado fora.
O homem se levanta devagar. É imenso. Forte. O corpo dele é tão grande quanto o do Isaac. Isso vai doer. Ele estala o pescoço e faz uma pose. Uma que já vi antes. A mesma que o Isaac usa nas lutas.
Ele é treinado.
— Por que está tentando me matar?! — pergunto, com a adrenalina esguichando no meu sangue.
Ele não responde. Só me encara, olhos escuros e furiosos, depois flexiona os punhos cobertos por luvas.
Desvio dos socos, abaixando e girando o corpo. Ajoelho e acerto um chute certeiro no estômago. Ele grita de dor. Aproveito a abertura e dou três socos no maxilar direito com o máximo de força que meu corpo permite. Mas ele... não. cai.
Minha mão lateja. Ele me olha com mais raiva. Como se agora fosse pessoal para ele também.
— Fala logo por quê, caralho!
— Você morre. É tudo que precisa saber.
A voz dele... metálica. Está usando um modulador de voz. Nem o rosto eu consigo ver por completo, mas essa raiva... é real.
Tento outro chute, mirando o rosto. Ele segura minha perna com facilidade absurda. Me puxa e me joga no chão. O impacto me tira o ar.
Rapidamente, seu corpo está sobre o meu, pesado, esmagador. Suas mãos apertam meu pescoço com força desumana. Tento arrancá-las, arranhar, empurrar... nada funciona. O mundo começa a escurecer.
— Seus pais... precisam sentir a dor que senti.
Meus dedos tateiam o chão, desesperados. Encontram algo. Um vaso decorativo. Sem pensar, bato com tudo na cabeça dele.
Ele cai para o lado, e eu respiro com um ruído horrendo, tossindo. Mas ainda não acabou. Mal consigo me mover, e ele já está de pé novamente. Meus cabelos são puxados com brutalidade, me arrastando até uma máquina. Minha cabeça se choca com o ferro. A dor vem. A visão se embaça.
O mundo gira. Tento engatinhar, fugir, qualquer coisa, mas meu corpo não responde.
Vejo ele se aproximar do balcão.
A arma.
Não... não é justo. Não pode terminar assim. Por que a gente tem que pagar por algo que nem fizemos?
Ele para na minha frente. A arma apontada direto para minha cabeça. O metal brilha sob as luzes do fliperama.
Antes que ele possa atirar, alguém surge. Foi um soco certeiro no rosto. Eu me forço a ficar acordada. Os olhos embaçados não ajudam. O corpo do homem tomba no chão com um impacto surdo
A arma é chutada para longe.
Passos se aproximam, e logo vejo uma sombra se agachar diante de mim. Mãos firmes tocam meus cabelos, mas são gentis, cuidadosas. E então, o cheiro. Aquele perfume.
— Droga... Eu vou cuidar do seu ferimento — a voz do Isaac soa perto demais, rouca, mas incrivelmente serena.
— Onde... onde você estava? — sussurro, os olhos piscando em busca de foco.
— Acalmando sua irmã... antes que ela tentasse chegar até você... e acabasse morta.
Essa foi a última coisa que ouvi antes de finalmente apagar.
Continua...
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