Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Termino meu desenho com o toque final de rebeldia: "VÃO TODOS SE FODER".
Isaac está ao meu lado, braços cruzados, expressão indecifrável, mas as sobrancelhas arqueadas denunciam o desgosto. Seus olhos seguem a pichação e depois vêm direto para mim.
— "Vão todos se foder?" — repete — Por quê?
— Porque eu realmente quero que todos vão se foder — respondo, abrindo um sorriso largo e debochado. — Arte com propósito, sabe?
— Infantil. Totalmente a sua cara — ele retruca, com aquele tom de superioridade.
— Ryan? — chamo, querendo saber a opinião dele
— Foda pra caralho! — ele responde sem hesitar, braços abertos como se quisesse enquadrar a obra com os dedos. — É tipo... arte com alma.
— AYLA! — o grito do diretor corta o ar. Ele vem marchando pelo pátio com o rosto em chamas de raiva, seguido pelas eternas professoras puxa-saco, todas com cara de que acabaram de ver o diabo na parede.
— ISSO É CASO PRA EXPULSÃO! — ele berra, a voz ecoando nos corredores. — Você vai apagar isso AGORA!
— Então me expulsa, caralho — respondo sem tirar o sorriso do rosto.
— Eu vou chamar seus pais! E-
E antes que ele possa continuar o teatrinho, levanto a lata de spray preto e disparo bem no meio da cara dele. Um jato direto, sem piedade.
O diretor grita como se estivesse pegando fogo, cambaleando de olhos fechados, tateando o ar enquanto a tinta escorre pelo rosto. A cara dele é uma mistura de palhaço e desespero. Eu quase choro de rir.
— PRA MINHA SALA AGORA! — ele berra, tentando andar, mas batendo em um banco. — Alguém me ajuda, porra!
As professoras correm para ampará-lo enquanto ele tropeça. As risadas são abafadas, mas sei que muita gente está morrendo por dentro.
— Por que você fez isso? — Isaac pergunta, ainda ao meu lado, voz baixa.
— Porque ele merece. Um lixo de diretor que finge não ver o inferno que esse colégio é. — jogo a lata vazia no chão. — A gente se vê depois.
Sigo atrás do velho cego. Eu odeio esse homem. Um pervertido de merda que fica dando em cima das aulas, passando a mão sem um pingo de autorização. Todo mundo vê e ninguém faz nada, porque é apenas o diretor sendo amável com seus alunos.
Todo mundo fecha os olhos para as coisas cruéis que ele faz. Mas pinchar uma parede? Nossa! Que absurdo! Caso pra expulsão.
***
Horas depois, estou lá. Sozinha. No pátio gelado, esfregando a maldita parede com uma escova inútil e sabão que nem serve pra lavar as mãos. O desenho mal desbotou. Meus braços doem, minha paciência já foi pro caralho, e tudo isso só porque tive coragem de dizer o que todos pensam.
Minha mãe apareceu no colégio como uma santa indignada, fingindo ser mãe presente. Como se um sermão dela fosse mudar quem eu sou. Nunca esteve numa apresentação, nunca foi a uma reunião, mas agora... agora ela aparece pra tentar "dar um jeito em mim"? Tarde demais.
O vento da noite me arrepia, a roupa cola no corpo por causa do suor, e meus joelhos já estão ralados de tanto subir e descer a escada. Mas continuo. Porque se tem uma coisa que eu tenho, é orgulho.
Um burburinho me faz olhar pro portão antes de subir novamente as escadas. Há vozes... guardas conversando com alguém. Paro por um instante e massageio as mãos cansadas.
Quando o vulto passa pela entrada, meu coração acelera. Isaac.
Um sorriso involuntário escapa antes que eu consiga fingir indiferença. Ele caminha até mim com aquele jeito calmo, a mochila pendurada nas costas.
— Ainda lutando contra a parede? — pergunta, olhando para a tinta manchada e depois para mim.
— Como pode ver. E você, o que faz aqui?
Ele abre a mochila e tira uma roupa.
— Achei isso no seu closet. Como você não cresceu, ainda serve.
— Não enche. — pego a roupa da mão dele com um tapa leve.
— Trouxe mais coisas também — diz, estendendo uma sacola. — Toalha, sabonete, escova de dentes... e... bom, suas coisas íntimas. Pedi pra Liz pegar.
— Quer que eu tome banho aqui?
— Conversei com os seguranças. Você tá liberada. Não sei onde você vai ficar, então... achei que poderia ajudar.
— Obrigada — digo
— Também trouxe comida.
Por que esse garoto está sendo tão... amoroso? Ou estou sendo emocionada demais?
— Tá bem.
Deixo as coisas ao lado da escada. Caminho até o vestiário dos meninos que fica ao lado da quadra, jogando um olhar por cima do ombro. Isaac me segue, mantendo uma certa distância.
— Vou te esperar aqui — avisa, colocando a mochila no chão.
— Por quê? Vai me vigiar enquanto tomo banho?
— Quero ajudar a encontrar um lugar pra você dormir. Mas só se você quiser minha companhia.
— Claro! — respondo rápido demais, tentando disfarçar com um sorriso. — Seria ótimo.
Ele apenas desvia o olhar. Entro no banheiro com o coração batendo forte
Ele é tão lindo. Tão gentil. E tão... meu.
Continua...
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