Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Essa cara dele me irrita num nível... Marcus está me encarando como quem implora por um soco — e talvez hoje eu atenda. Ele adora me provocar, parece que se alimenta disso.
— Mãe! Eu vou socar o Marcus! — grito da sala, com a colher ainda na mão.
— Mãe! Eu vou socar o Marcus! — diz com uma voz fina, me imitando e empinando os ombros como se estivesse encenando uma criancinha mimada.
— Vocês dois, calem a boca! — a voz da minha mãe vem da cozinha irritada — Se eu for aí, vou bater nos dois! E olha que nem sou dessas que só ameaça. Vocês já têm idade pra saber que não mexe com minha paciência.
— Ele que começou, tá me remedando! — acuso.
Marcus se endireita no sofá, me lançando um olhar esbugalhado por eu ter o incriminado. Ele sabe que minha mãe está vindo.
— Como é que é? — minha mãe diz da cozinha
Não dá nem tempo dele rebater. Minha mãe aparece na sala num estalo, o avental manchado de chocolate e os cabelos presos num coque mal feito. Ela aperta seus dedos, os estalando com o som de quem vai acertar contas.
Marcus empalidece. Ele tem vinte e um anos, mas a simples presença da nossa mãe consegue desmontar qualquer pose que ele tente segurar.
— É-é mentira d-dela! — ele gagueja, erguendo as mãos — Você não pode me bater! Já sou adulto!
— Adulto o cacete. Não tem idade pra escapar da chinelada da mãe.
Ela ergue a mão e Marcus se encolhe todo, protegendo a cabeça, mas o tapa nunca vem. Em vez disso, ela explode numa gargalhada escandalosa.
— Que frouxo! — ela diz entre risos, desaparecendo pelo corredor.
Eu olho pro Marcus, que está com os olhos castanhos escuros arregalados, ainda em estado de alerta.
— Otário. — murmuro, ainda me divertindo.
— Eu te odeio. — ele responde, bufando — Mas vai ter troco, você vai ver.
— Pode vir, machão. Tô esperando.
Ele continua jogado no sofá, com aquela cara de quem só late, mas não morde.
Alice surge logo em seguida, com o celular nas mãos e aquela pose toda certinha. Sempre está bem arrumada, e quem faz isso? Meu pai. Ele ama cuidar da gente, mas tem uma regra: só faz isso até completarmos dez anos. Depois, cada um por si. E como Alice ainda tem dez, ela aproveita o privilégio até o último segundo.
Ela está com os cabelos negros amarrados num rabo de cavalo, vestindo um lindo vestido roxo.
— O que foi? — pergunto, vendo-a se aproximar.
— Uma amiga minha disse que o irmão dela quer falar com você.
— E quem é o irmão dela? — me ajeito no sofá.
Alice desliza o dedo na tela, provavelmente, procurando o nome.
— Ela disse que ele se chama Isaac.
Meu corpo reage antes da minha mente. O nome me acende por dentro como uma luzinha de alerta. A Liz é amiga da Alice? Isso é bom... mas também perigoso. E eu preciso parar de ficar animada com qualquer gesto dele.
— Ah. É só um garoto do colégio. O que ele quer?
— Acho que ele quer falar com você... eu passei seu número.
Me levanto na hora e disparo até a mesa, onde meu celular está jogado. Marcus estava prestes a pegá-lo, mas eu sou mais rápida.
Na tela, um número desconhecido. Entro nas mensagens e logo salvo o contato:
Isaac Eu te dei um livro grande aquele dia... conseguiu responder um pouco? Se sim, poderia me mandar?
A mochila. As folhas estavam lá, mas com tudo o que aconteceu hoje, acabei esquecendo de mostrar.
— Mãe! A Ayla tá namorando! — grita Marcus.
— Vai se ferrar! — mostro o dedo do meio pra ele enquanto vou para as escadas e a subo correndo.
Chego no quarto, deixo a porta aberta e vasculho a mochila. As folhas estão dobradas entre os cadernos. Tiro fotos delas e mando para o Isaac. Fico olhando pro celular como uma idiota apaixonada, esperando os três pontinhos aparecerem. E eles aparecem.
Isaac Bom... de cinquenta questões que você respondeu, acertou apenas quinze.
Ayla Isso é bom?
Isaac Não. Nem chegou à metade. E vinte delas... a resposta tava na pergunta, Ayla!
Ayla Como eu ia saber?
Isaac Se tivesse lido e interpretado, teria entendido.
Ayla Para de me chamar de burra com palavras bonitas.
Isaac Enfim. Faça mais cinquenta para amanhã.
Ayla O QUÊ? Mas tô morrendo de sono!
Isaac Você preferiu sair com seu amigo ao invés de estudar. Então aguente. Se não fizer, nem pense em me procurar.
Ayla Tá!
Meu pai entra no quarto bem na hora, e estou com o celular ainda na mão.
— Que papo é esse de namorado? — ele pergunta com a sobrancelha arqueada.
— Mentira do Marcus! — resmungo — Para de acreditar em tudo que aquele cretino fala.
— Hm... da última vez só descobrimos que você estava namorando quando ele te traiu.
Reviro os olhos com força e me sento na cama. Pego o livro grosso de matemática e volto pras questões. As provas estão chegando, afinal.
— Tá estudando?
— Sim.
— Certo. Depois vem comer o doce que sua mãe fez.
Aceno sem olhar e continuo rabiscando contas. Meu celular toca. Nem preciso ver o número. É o Ryan.
— O que você quer? Tô ocupada.
— Quero te falar uma coisa.
Endireito o corpo na cama. Essa não é a voz do Ryan. É a do Isaac.
— Se for me ligar, pelo menos avisa antes.
— Tanto faz. — ele suspira. — Você ainda erra nas somas mais simples. Vou te mandar um vídeo. É de um professor que explica de um jeito mais fácil. Talvez te ajude.
— Podia ter mandado por mensagem.
— Você não ia ver.
Claro que eu ia...
— Tá. Até amanhã.
Ele desliga sem mais uma palavra, me deixando sentada com o celular ainda colado no ouvido. Olho pra tela por um segundo, depois deixo o aparelho de lado.
Continua...
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