Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Ergo os olhos ao ouvir uma batida forte na porta. Instintivamente, abaixo a mão até o compartimento embaixo da mesa, onde estudo, e pego minha arma. Deixo o lápis repousar sobre os papéis espalhados e me levanto com cautela, atento.
Não é hora da Liz voltar. Meus pais saíram pra conhecer Seattle e, sinceramente, acho que não voltam tão cedo. Saio do quarto, andando em silêncio pelo corredor, com passos leves e a guarda alta. No andar debaixo, escuto objetos caindo, arrastados.
Desço as escadas. Escondo rapidamente a arma nas costas quando vejo quem está ali.
— Ah... oi! — Ayla se levanta do chão, o sorriso nervoso estampado no rosto. Atrás dela, um cachorro passa como um furacão para dentro, derrubando uma almofada no processo. — É...
— Tô esperando uma boa explicação.
— Eu... achei eles na rua.
— Eles? — arqueio uma sobrancelha.
Como se fosse encenado, um segundo cachorro — menor — aparece vindo da cozinha com uma panela na boca, seguido por um gato que o arranha como se fosse brincadeira. Ayla corre até o filhote e tenta puxar a panela dele. Aproveito o momento e guardo a arma com mais firmeza nas costas e fecho a porta do apartamento.
— E por que trouxe eles aqui?
— Você disse que trabalhava no centro de ajuda dos animais. — ela puxa a panela com força, sem muito sucesso. — Achei que podia levar eles pra lá...
— Eu ia treinar hoje. Tem luta à noite. Me querem lá, não vai dar pra levar agora.
— Ah... — diz, enquanto o cachorro dá um salto e escapa com a vasilha, correndo feito um louco pela sala.
Ayla corre atrás dele. Fico apenas observando... até perceber que o outro filhote — um pitbull — está sentado bem na minha frente, com a língua de fora e um olhar todo serelepe.
Ele se movimenta de repente e corre em círculos, como se quisesse brincar. Mas quando olho com mais atenção, vejo o que ele carrega na boca.
Minha glock.
Puta. Que. Pariu. Aproximo dele do outro lado da sala e agacho na sua frente.
— Solta isso, bebê... — falo com a voz mais fina que consigo, tentando parecer calmo. — Isso não é brinquedo...
Puxo com cuidado, mas só rosna baixinho e crava mais os dentinhos na arma. Ainda bem que tá com a trava. Ayla ainda não viu, mas se ela ver isso, estou ferrado.
— Onde você achou isso, seu pestinha? Isso não era pra estar ao seu alcance! — sussurro, aumentando a força sutilmente.
— O que você tá fazendo aí? — ouço a voz dela atrás de mim e quase congelo.
— Brincando. — digo com um sorriso ensaiado, ainda tentando puxar a arma com "jeitinho". — Vem cá, meu lindo, solta pra mim...
— Ele tá com alguma coisa? Deixa que eu ajudo.
Ela dá um passo na minha direção.
— Não! — me levanto rápido e seguro seus ombros, forçando um sorriso natural. — Ajudar com o quê?
— Ué, parece que ele tá mordendo alguma coisa...
— Não, é... é só um pedaço de borracha. Eu tiro depois. — dou um sorriso mais largo do que deveria.
— Para de ser chato! Eu só vou-
Beijo seus lábios antes que ela termine a frase. Seguro seu rosto entre as mãos, com firmeza e urgência. Ela leva um susto no início, mas logo cede, e então aproveito para aprofundar o beijo, mergulhando a língua na dela num movimento lento e quente. Ela responde com a mesma intensidade.
Mas não posso me perder nisso agora. Preciso dar um jeito na arma.
Me afasto com alguns beijos leves e rápidos, até separar nossos rostos.
— Fiquei com vontade de te beijar... desculpa. — sussurro com um sorriso de canto.
— Ah... tudo bem... — ela responde, visivelmente, com as bochechas vermelhas.
Olho de relance por cima do ombro dela quando vi o filhote passando. O pitbull largou a glock ao lado do pé do sofá. Ótimo. Só que tá bem exposta. Se ela virar, ela vê.
Desço as mãos pelas costas da Ayla e levanto devagar o vestido dela, roçando na pele quente da coxa. Sua pele arrepia sob meu toque. Começo a distribuir beijos no pescoço, e sinto sua respiração vacilar.
— O que tá fazendo? — ela pergunta, a voz já alterada.
— Explorando. — sussurro, com a voz grave, enquanto aperto sua bunda e a empurro de leve até suas costas encostarem na cadeira da mesa.
Estico o pé sutilmente, chutando a arma com a ponta do tênis até ela entrar por debaixo do sofá.
Missão cumprida. Me afasto de repente, como se tivesse caído em mim.
— Desculpa, me empolguei.
— Tudo bem... — ela responde, ainda meio atordoada, virando de costas com as bochechas rosadas. — Eu... vou ao banheiro.
Ela sobe, e quando desaparece no corredor, caminho até o sofá e pego a arma. O pitbull já tá de olho, querendo brincar de novo. Guardo ela em um lugar seguro, junto da outra. Longe de olhos curiosos e bocas dentuças.
Subo as escadas com calma — e quase trombo com a Ayla no topo.
— Vai treinar agora? — pergunta, corada, olhando pra qualquer lugar menos meus olhos.
— Daqui a pouco. Antes vou buscar a Liz. Por quê?
— Nada... — ela desvia o olhar, mas morde o lábio, e eu já sei que vem coisa.
— Tá com cara de quem quer pedir algo. — aliso seu braço devagar, vendo os arrepios surgirem. Amo esse efeito que causo nela.
— Que tal... a gente assistir um filme mais tarde?
— Claro. — sorrio, soltando seu braço devagar. Ela passa por mim calada, mas dá pra sentir que o coração dela tá acelerado.
— Quer pipoca? — pergunto, mesmo sabendo a resposta.
Ela só balança a cabeça, rindo de leve.
Respiro aliviado. Ela não viu a arma.
Continua...
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