Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Estou longe da confusão, já fora do prédio, mas o alívio ainda não chegou. Não tem sinal do homem. Nenhuma pista. Enquanto Isaac fala com alguns policiais, me afasto e pego o celular. Preciso ligar para o meu pai.
— Estou ocupado, o que foi? — a voz dele vem seca, tensa.
— Pai... alguém tentou me matar — sussurro. Não posso chamar atenção.
Silêncio.
— O quê?! — ele explode do outro lado da linha. — Como assim, Ayla?
— Eu fui estudar com um garoto... um colega da escola, lembra? Quando cheguei, o elevador funcionava normalmente, mas quando saí... a corda estava quase rompendo. Quase morri, pai. E... e tinha alguém lá embaixo. Todo de preto. Apontou uma arma pra mim. A bala não pegou por um triz.
Consigo ouvir sons metálicos e algo se quebrando do outro lado da linha. Ele está surtando.
— Onde você está? — sua voz agora é grave, mortal. — Me fala onde está. Eu vou aí. Eu vou achar esse desgraçado e enterrar ele com as próprias mãos.
— Já estou fora do prédio. Tem polícia aqui, tá tudo seguro... por enquanto.
— Ótimo. Não diga nada a eles. Estou indo agora.
Dou a localização e desligo. Meu coração ainda está acelerado. A ideia de que alguém está me caçando é sufocante. Não sei mais quem confiar.
— Você tá bem? — ouço uma voz perto, e levo um pequeno susto.
— Sim — minto, forçando um meio sorriso. — Infelizmente, você ficou sem teto agora.
— Eu tenho onde ficar, não se preocupa com isso — Isaac responde com aquele tom cansado — E... desculpa. Quase matei nós dois lá dentro.
— Não diz isso. — nego rápido. — Você não teve culpa. Ter claustrofobia não é escolha. Eu entendi o que você sentiu.
Ele abaixa o olhar. Aquele semblante frio, volta a dominar seu rosto. E por um momento, sinto que ele está se fechando novamente.
— Pode... não contar pra ninguém? — ele pergunta sem me encarar.
— Sobre... sua claustrofobia?
— É. — ele finalmente me olha, e seus olhos castanhos escuros queimam — Não quero que isso seja usado contra mim.
— Eu não vou contar. — sorrio gentilmente. — Juro de mindinho.
Estico o dedo.
Ele me encara com as sobrancelhas franzidas, incrédulo.
— Você é uma criança?
— Para de frescura. — seguro a mão dele e enrosco nossos dedos. — Jurado.
Isaac parece surpreso. Seus olhos se arregalam um pouco, como se tivesse lembrado de algo que preferia manter enterrado.
— Você precisa amadurecer.
— E você precisa parar de agir como um robô sem sentimentos.
Ele abre a boca, prestes a retrucar, mas nada sai. Então vejo — por um segundo rápido demais — seus olhos pousando nos meus lábios. Ele desvia o olhar imediatamente, virando o rosto como se não quisesse que eu percebesse.
— Sobre o beijo... — ele diz, num tom quase inaudível.
— O quê? Foi ruim?
— Não. — ele finalmente me encara. Dessa vez, sem fugir. — Foi estranho... pensar nisso como forma de acalmar alguém. Mas funcionou. Me distraiu. E... eu gostei.
Meu coração explode. Tento manter a cara neutra, mas por dentro estou surtando.
Ele gostou.
Isso já vale mais do que todos os bilhetes com "sim" ou "não" do mundo.
Se não tivesse feito, não teria sentido aquele calor, aquela sensação de que tudo no mundo podia parar e ainda assim, valeria a pena.
O barulho de pneus me tira do transe. Viro a cabeça. É meu pai. E ele já desce do carro com a expressão de quem está pronto pra matar alguém.
Hora de ir antes que ele destrua metade do quarteirão.
— Eu... preciso ir. Até mais. — aceno para Isaac, me forçando a não parecer uma boba apaixonada.
Ele só me observa, sério. Impassível. Mas seus olhos... seus olhos dizem mais do que a boca dele consegue. Eu vou fazer esse garoto sorrir de verdade ainda.
Vou até meu pai, e ele já me abraça forte assim que me aproximo.
— Tá tudo bem?
— Agora tá. — murmuro contra seu peito. — Só quero dormir. Foi um dia muito... muito longo.
— Vai pra casa. Christopher vai te levar. Eu vou resolver o resto.
Sinto o beijo que ele dá no topo da minha cabeça. Aquele gesto silencioso de proteção que só pais sabem dar.
Vou até o outro carro onde Christopher já me espera. Entro.
Mas antes de dormir... preciso de um banho. Lavar a adrenalina. A tensão. E talvez, quem sabe, reviver o gosto daquele beijo por mais um momento.
Quero contar tudo pro Ryan. Sempre quis uma amiga pra isso, mas nunca tive. Todas as meninas tinham medo de mim — ou melhor, da minha família.
Mordo o lábio, lembrando da sensação do beijo no elevador. Foi surreal. Será que ele vai me beijar de novo?
Talvez eu esteja sendo iludida. Talvez esteja sonhando alto demais. Mas o fato é: ele gostou.
E pra mim, isso é uma puta conquista.
Continua...
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