Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Mesmo em silêncio com os meus pais, eles continuam querendo controlar cada passo que dou. Vou esperar o Isaac por alguns minutos e eles já agem como se fosse uma operação da SWAT.
Suspiro fundo. Não posso surtar com eles. Não é culpa dos seguranças. Estão apenas obedecendo as ordens do todo-poderoso Rafael Miller. Meu pai é ótimo em manter tudo sob controle... menos a própria filha.
Puxo o celular da bolsa e olho a hora. Oito em ponto. Isaac não costuma se atrasar. E como se meus pensamentos o evocassem, um carro vermelho estaciona lentamente na minha frente. Dou um passo à frente, mas um dos seguranças me barra com o braço estendido.
— Espera — diz um deles, rígido como uma estátua.
Eles cercam o carro como cães farejadores, conferindo o interior como se Isaac fosse esconder uma bomba sob o banco do carona.
Reviro os olhos, cruzando os braços com impaciência. Só depois de uma verificação, sou finalmente liberada para entrar. Abro a porta com um pouco mais de força do que o necessário e me jogo no banco.
— O que foi isso? — Isaac pergunta assim que fecho a porta.
Viro o rosto pra ele e quase engasgo com o que vejo.
— Proteção do meu pai... — minha voz quase falha, os olhos presos nele — Você... mudou o visual?
— Sempre mudei meu visual pra sair com garotas bonitas, gata. — ele sorri, aquele sorriso ladino, quase perigoso.
Gata.
— Aham... — murmuro, desviando o olhar, tentando ignorar o calor subindo pelas minhas bochechas.
— Tá falando de mim, mas olha só você. Se arrumou toda.
— Claro que me arrumei. Quem anda feia hoje em dia? — passo a mão pelos meus cabelos lisos, ajeitando-os sobre os ombros. — Mulheres se arrumam pra se sentirem gostosas. Só não faço isso no colégio porque acordo todo dia de péssimo humor.
Isaac balança a cabeça com um sorriso contido, os olhos ainda em mim enquanto dá partida. Seu cabelo preto está mais curto nas laterais, com aquele corte moderno que os garotos estilosos adoram. A franja cai sutilmente na testa, algumas mechas moldando o rosto. E que rosto.
A jaqueta de couro preta marca bem os ombros largos. A camiseta branca por baixo realça a pele morena. E ele sem os óculos... Deus, ele sem os óculos...
— Você odiava preto — comento, quase num sussurro.
— Eu odeio o escuro dos meus olhos. Esse castanho-escuro. — ele responde, o olhar preso à estrada. — Me lembra uma pessoa... ruim.
O carro para no sinal vermelho, e eu o observo. As mãos firmes no volante, o perfil definido, a boca... Aquele lábio inferior sempre parece convidativo.
— Quem é essa pessoa?
Ele vira o rosto de repente e se aproxima. Meu coração dispara. O cheiro do perfume invade meus sentidos — amadeirado, forte, inebriante. Sua boca está tão perto da minha que meu corpo reage por instinto. Inclino o rosto, preparada pra encontrá-lo no meio do caminho...
Mas ele se afasta, e um cinto aparece no meu peito.
— Tá muito curiosa, Miller. — ele sorri, prendendo o cinto. — Sempre use cinto de segurança.
Reviro os olhos e me afundo no banco, irritada comigo mesma por ter caído na dele.
— Se não ia me beijar, por que chegou tão perto? — murmuro, mais pra mim mesma do que pra ele.
— O quê?
— Nada!
Durante o trajeto, o silêncio entre nós é preenchido pelo som suave do motor e pelo perfume dele, agora impregnado no interior do carro. Fico observando os movimentos dele com a mão no volante, os dedos longos, a expressão concentrada... Até que ele me pega no flagra.
— Vai continuar me comendo com os olhos, Miller?
Viro o rosto na hora, engolindo seco. O sorriso dele só cresce.
Logo ele estaciona, e pela janela vejo um parque de diversões iluminado pelas luzes coloridas e barulhentas da roda-gigante.
— Um parque?
— Bem-vinda à aventura. — ele sorri, saindo do carro.
Logo saio em seguida. O vento gélido da noite roça meus braços, me fazendo arrepiar. Isaac se aproxima e segura meu braço com firmeza, me puxando gentilmente para perto dele enquanto caminhamos entre as pessoas.
— Só toma cuidado pra não esbarrar em alguém. — diz
— Ah, claro, segurança particular agora?
Ele não responde. Só segue com a postura séria. Jogamos em algumas barracas, rimos em outras. Até que paro de repente ao ver uma figura detestável: um palhaço.
— Vamos por outro caminho.
— Por quê? — perguntou confuso
— Não gosto de palhaços.
Sem dizer nada, ele muda a rota. O lugar é grande, fácil de evitar aquele... troço bizarro. Meus ombros relaxam e a sede bate.
— Vamos tomar alguma coisa. — digo, me aproximando de uma barraca
— Já? — ele me acompanha. — O que acha de comermos logo?
— Pode ser. — olho o menu — Olha esse aqui...
— Dois desses, por favor. — Isaac diz à atendente. — Tem suco?
— Nosso suco acabou, senhor.
— Ah, tudo bem.
— Eu quero um refrigerante. — digo.
Ela anota, mas avisa que precisamos escolher os ingredientes. Isaac se vira para mim.
— Vou buscar um suco. Já volto.
— Não vai escolher?
— Coloca o mesmo que o seu.
Ele se afasta. Observo seus passos largos enquanto se dirige à barraca seguinte. Me viro para a atendente e escolho tudo com cuidado, tentando lembrar do gosto dele e do meu. Ela sorri e começa a preparar.
— O que você quer comer?
Viro lentamente, e quase deixo o cardápio cair da mão.
Olhos azuis me encaram com intensidade, e um sorriso cínico brota na boca que eu conheço bem demais.
— Ayla — ele diz, como se meu nome fosse veneno doce nos lábios.
Dereck. Filho da puta.
Continua...
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