Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Saio do quarto dele mancando, as pernas doendo como se cada músculo queimasse em protesto. Nunca pensei que lutar de um jeito tão selvagem pudesse deixar meu corpo em pedaços. Entro no banheiro e me afundo na banheira, a água quente abraçando cada dor, arrancando suspiros cansados de mim.
Quando finalmente lavo meus cabelos e saio da água, o silêncio da casa me estranha. Não escuto nada. É como se estivesse completamente sozinha. Enrolo a toalha ao redor do corpo e abro a porta.
Meu coração dispara. Flores. Em cima da cama. Flores tão lindas que meu peito aperta. Caminho rápido, sentindo aquele frio na barriga bobo e incontrolável. O cheiro doce das pétalas invade o quarto, arrepiando minha pele. Nunca ganhei algo assim — meu pai nunca comprou, muito menos meu ex. Eu sorrio como uma tola, porque não consigo me segurar.
Com cuidado, pego o buquê. Mas logo minha atenção é roubada pelo pequeno cartão entre as flores... e por uma caixinha vermelha escondida embaixo.
Decido ler o cartão primeiro.
Para a mulher mais linda que já vi,
Já te elogiei tanto hoje, e mesmo assim sinto que ainda não é suficiente. Estou escrevendo isso enquanto você toma banho, porque não consigo guardar só pra mim o que sinto. Pode parecer clichê entregar uma carta, mas sempre sonhei em escrever para você, colocar em palavras o quanto se tornou o amor da minha vida.
Você nunca saiu da minha mente. São onze anos amando a mesma garota — onze anos em que cada lembrança sua me acompanhou. Loucura, não é? Mas é uma loucura que eu amo viver.
Se eu te olhar cem vezes, pode ter certeza: em cada uma delas estarei me apaixonando um pouco mais. Você é o motivo do meu sorriso bobo, da forma como meus olhos brilham sem que eu perceba.
Essa é só a primeira de muitas. Uma entre um milhão de cartas que quero escrever para você. E se um dia eu chegar nesse número, não se preocupe... porque eu escreverei mais dez milhões.
Você é meu tudo. Minha fraqueza, minha força, meu riso fácil. Sou completamente seu, perdido e feliz por ser bobo pela gata mais incrível do mundo.
De Isaac.
As palavras me atravessam como se Isaac estivesse aqui, sussurrando em meu ouvido. Quando termino, estou sorrindo feito uma idiota, abraçando as flores como se fossem parte dele.
Sento na cama, o coração mole. Coloco o cartão ao lado e abro a caixinha. Um colar. Meu sorriso cresce e quase vira riso. As iniciais L e A brilhando juntas, e do outro lado, I e A. Liam e Isaac. Ele lembrou quando éramos mais novos, pedi que fizesse um colar assim. Nunca aconteceu. E agora está aqui, entre meus dedos.
Coloco-o no pescoço, demorando alguns segundos até ajeitar. O metal frio toca minha pele, mas o gesto aquece meu coração. Ele sempre sabe como me deixar boba.
***
Isaac ainda não voltou, e eu só consigo pensar em como quero beijá-lo, agradecer do jeito que ele merece. Se ele me mima, eu também posso mimar. Faço um lanche simples, passando geleia no pão. Estou faminta demais para esperar.
O som da chave na porta me desperta, e logo o vejo entrando com algumas sacolas. A irmã passa primeiro, sorridente, e ele fecha a porta atrás de si. Meu peito aperta só de vê-lo.
— Demorei tanto assim? — pergunta, se aproximando.
— Você me fez gastar toda minha energia. — rio, acariciando os cabelos de Liz. — Estava morrendo de fome, tive que lanchar.
Ela se afasta rapidamente, subindo a escada para o segundo andar. Volto a olhá-lo.
Os olhos dele descem para o meu pescoço. O sorriso que se abre em seus lábios me faz corar. Isaac toca o colar devagar, e então seus olhos encontram os meus. Quero agradecer, mas ele não me dá tempo. Me puxa e me beija com intensidade, fazendo meu corpo se colar ao dele sem resistência.
Quando se afasta, posso sentir a respiração pesada contra minha boca. Mas o celular vibra, quebrando o momento. Ele se afasta, lê a mensagem... e seu semblante muda. O brilho some.
— Preciso sair. — diz frio, largando as sacolas no balcão. — Cuide da Liz por mim.
Não questiono. Apenas concordo, tentando entender aquele olhar vazio antes de ele sair pela porta.
Decido guardar as compras e subir. Bato na porta de Liz, e ela abre com o sorriso mais doce.
— Está ocupada?
— Ia estudar agora. Por quê?
— Que tal fazermos a noite das meninas?
Os olhos dela brilham.
— SIM! — larga os livros no mesmo instante. — Sempre quis isso! Já tenho até ideias.
Entro em seu quarto arrumado, observando enquanto ela se esforça para puxar uma caixa pesada.
— Quer ajuda?
— Não precisa! — insiste, com dificuldade, até conseguir puxar. — Pronto! Posso fazer trança e pintar suas unhas?
— Claro.
— Isso! — ela comemora baixinho
Continua...
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