Capítulo 55

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Ayla Miller

Respondo o Ryan depois de dezenas de mensagens ignoradas. Ele parece um louco em surto, e os xingamentos que mandou para o meu pai foram tão pesados. Mas... sinceramente? Não julgo. Às vezes, penso do mesmo jeito.

Suspiro, observando o silêncio incômodo do apartamento. Estou sozinha. Isaac saiu pro treino, os pais dele continuam fora, e sua irmã aproveitou pra dormir na casa da Tifanny. Os filhotes estão todos espalhados pela sala

Sozinha. Entediada.

Me pego encarando o teto e, num impulso estúpido e curioso, penso: e se eu fuçasse o quarto do Isaac? Só tem eu aqui... ele não vai saber. E se souber? Que se foda.

Me levanto do sofá, guiando meus dedos pela parede enquanto subo as escadas até o quarto dele. Empurro a porta devagar. Acendo a luz. O cômodo está em ordem — limpo, silencioso, com o cheiro dele impregnado no ar. Não tem nada à primeira vista que me chame atenção.

Abro o closet. Passo a mão pelas roupas. Ele tem mais do que imaginei, e tudo parece organizado demais para um garoto normal. Quando estou prestes a pegar uma jaqueta para experimentar, meus dedos tocam uma linha estranha na parede do fundo. Uma fenda fina, quase imperceptível.

Empurro.

Com um estalo quase mudo, uma passagem secreta se revela. Dou um passo hesitante e praticamente caio dentro de uma sala escura. Meu corpo congela. O coração bate alto demais. As luzes começam a acender automaticamente

Uma sala de arsenal. Completa.

Paredes forradas com armas de todos os tipos. Rifles. Pistolas. Facas. Coletes táticos. Equipamentos de vigilância.

Isaac... ele mentiu. Ele não é quem diz ser. Não é o garoto gentil, nerd e atrapalhado.

Me aproximo, tocando com a ponta dos dedos o metal frio de uma das armas. Cada peça dali eu já vi antes nas mãos dos meus pais. Eu reconheço. É equipamento profissional, caro, ilegal.

Não pode ser. Me recuso a acreditar que Isaac... faz parte de uma máfia. Não pode ser. Ele é gentil demais. Ele me protege demais.

Em cima de uma mesa de aço, vejo um caderno. Um diário. O mesmo que Isaac me impediu de tocar naquele dia.

Me aproximo. Hesito. Mas a curiosidade fala mais alto do que a razão. Abro.

É antigo. As datas denunciam isso. As primeiras palavras parecem banais, mas então, um nome.

Liam Cooper.

— Liam...? — minha voz sai num sussurro — Que merda é essa?

Minha respiração se desregula. Viro a próxima página com a mão trêmula, mas antes que consiga ler mais, sinto. Aquele arrepio na nuca. Aquela presença atrás de mim. Eu não ouvi ninguém chegar. Estava tão concentrada que não percebi.

Então, uma mão passa por mim e fecha o diário com um baque surdo.

— Você é bem curiosa. — sua voz é fria. E diferente. Não é o tom doce que conheço.

— Não vai me dizer por que... por que o nome está como Liam? — minha voz falha. Não tenho coragem de olhar para ele. Encosto o olhar no diário fechado.

— Porque sou eu. — responde seco. — Eu sabia que não podia te deixar sozinha aqui. Voltei antes da hora. Mas foi tarde demais... — ele bate os dedos sobre a mesa de aço, o som ecoa como uma ameaça velada. — Vamos lá, Ayla. Vou tirar suas dúvidas.

— Você tá irritado. — finalmente levanto os olhos... e me arrependo. O olhar dele me atravessa como uma lâmina.

— Tô. — responde. — Você descobriu o que não devia. Era pra você esperar, Ayla. Era pra confiar. Por que tem que ser tão... curiosa?

— Eu... — dou um passo para trás, sem tirar os olhos dele. — O que exatamente você é?

— Caçador de recompensas. — ele cruza os braços. — Trabalho sozinho. Tenho contato com gente poderosa, gente de cima. Me passam informações sobre criminosos que nem o governo consegue pegar. Bandidos, assassinos, corruptos... monstros. Eu rastreio. E elimino.

— É por isso que você tá perto de mim? Por causa da minha família? — minha voz treme. Eu tô à beira do colapso.

— Não. — a resposta dele é firme. — Você não tem nada a ver com a missão. Você nunca fez parte disso.

— Então... por quê? — minha garganta aperta. Não consigo terminar a frase.

Ele me encara por alguns segundos, depois desvia o olhar. Como se estivesse lutando contra algo dentro dele.

— Ayla... — diz meu nome num sussurro. — Eu não sou o vilão aqui. Nunca fui. Sou o mesmo Liam. O mesmo garoto que te amou quando tudo era caos. O mesmo que nunca te esqueceu. E quando fui considerado morto, fiz uma promessa. A única que ainda cumpro todos os dias: te proteger. Mesmo que isso custe a minha vida.

Queria acreditar em cada palavra. Mas algo dentro de mim está travado. O medo, a desilusão, a sensação de traição... tudo se mistura.

— Desculpa... — ele murmura, sem conseguir me encarar. — Eu ia te contar. Quando tudo terminasse. Quando seus pais estivessem presos. Quando fosse seguro.

— Meus pais... — minha voz sai embargada — Eles vão ser mortos, não é?

— Não. — ele levanta o olhar e responde com firmeza. — O antigo presidente queria isso. Mas agora... o novo governo só quer justiça. Prisão. Pagando por cada morte que causaram.

— E eu? E a Alice? — pergunto com a voz fraca

— Vocês são inocentes. — ele se aproxima um passo, a voz mais baixa. — Vocês vão ser protegidas. Mas vão ter que sair do país. Nova identidade. Nova vida. Longe de tudo isso.

Continua...

Por fim, tudo foi revelado, agora só precisa explicar

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Por fim, tudo foi revelado, agora só precisa explicar.

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