Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Nota dez em todas as provas. Fácil, como sempre. Eleito mais uma vez o melhor aluno do colégio Owls, mais uma medalha para minha coleção. Não vou mentir: gosto de ganhar.
Com a Ayla foi diferente. Suas notas não foram das melhores, mas ela ainda conseguiu um lugar decente no ranking. Só que, considerando o histórico dela, não sei se vai ser o suficiente para não repetir de ano. A probabilidade existe — e é alta.
Por isso eu tô ajudando. Passo horas revisando matérias com ela, dando dicas, tentando transformar fórmulas chatas em truques.
Mas agora, em vez de prestar atenção em mim, ela joga o corpo sobre o meu, manhosa, fazendo drama. No início achei que fosse TPM, mas a cada minuto que passa tenho certeza de que é.
— Minhas notas foram horríveis! — ela se senta de novo e puxa a pele do rosto para baixo — Não sei se vou conseguir ir com você pra faculdade...
Estamos no telhado, o lugar mais silencioso da escola. Nosso refúgio.
— Você pode tentar no próximo ano.
— Mas eu queria ir nesse ano! — a voz dela afina, quase infantil — Que ódio! Odeio ser burra!
Ela despenca contra o meu peito outra vez, e eu só abraço, puxando-a mais pra perto.
— Você não é burra, Ayla. — digo firme — Você só não ligava pra essas matérias antes. Agora é outra fase. Vai demorar, mas você aprende.
Ela ergue a mão, deslizando até meu pescoço, e volta a se sentar. Aproveito para pegar um pedaço de bacon da vasilha que trouxe e colocar na boca dela. O sorriso dela depois disso me desarma por inteiro. Hoje eu preparei comida pra nós dois já que o refeitório é uma porcaria.
— Isso tá ótimo. — ela rouba a vasilha da minha mão e começa a comer sozinha — Acho que estou no período fértil.
Arqueio a sobrancelha.
— Por quê?
— Tô com vontade de transar. — ela fala com naturalidade, mastigando, enquanto me encara. A língua dela faz um estalo contra o céu da boca, e eu quase perco o ar.
— A gente transou ontem...
— E daí? — ela termina de comer e joga a vasilha de lado, sem cerimônia — Agora eu quero um doce.
Meu Deus, essa mulher não decide.
— Me diz qual doce você quer que eu compro.
— Agora? — ela sorri, maliciosa.
— Sim. A direção liberou o top dez pra fazer o que quiser essa semana. Posso sair e voltar.
— Perfeito! — ela praticamente pula no meu colo, me arrancando o ar — Vou fazer uma lista do que quero.
Lista. Ótimo. Coço a sobrancelha enquanto ela digita no celular. Murmura cada coisa em voz baixa, e a cada item eu já sei que vai sair caro. Melhor comprar uma cesta inteira.
Levanto o olhar quando vejo Ryan se aproximando. A praga loira.
— Ayla!
— Espera, tô ocupada — ela nem levanta os olhos.
Aproveito e deslizo minhas mãos por dentro da saia dela, de propósito. Adoro provocar o idiota. Enfio o rosto no pescoço dela, e ela ri, me abraçando. O corpo dela arrepia inteiro.
Sinto uma pisada cruel na minha canela. Seguro o gemido, mas Ryan solta uma risadinha baixa, sabendo muito bem que eu peguei a mensagem. Levanto os olhos com um olhar de quem mataria sem dó.
Ele começa a fazer caretas. O desgraçado está me imitando.
Chuto a canela dele de volta. Ele se contorce, mas disfarça.
— O que foi, Ryan? — Ayla pergunta sem desviar os olhos da tela.
— Nada... só senti... um choque na canela — ele força um sorriso que não convence ninguém.
Reviro os olhos.
— Você tá tão cheirosa... — sussurro no ouvido dela, de propósito.
— Para de me provocar. — ela ri baixinho — Tô tentando decidir qual doce quero mais.
— Você não vai comer isso tudo em um dia, vai?
— Se eu quiser, como.
— Então vou te dar só o necessário. Não precisa exagerar.
— Mas eu quero todos agora. — ela me encara, teimosa.
— Só o que você precisa.
— Não! — ela faz bico, dramatizando de novo.
— Eu compro pra você, Ayla. — Ryan se mete, e ela finalmente levanta o olhar.
— Sério? — ela sorri animada.
— Sempre comprei. Não vai ser diferente esse mês.
Minha paciência evapora.
— Não. — corto, seco.
— Por quê? — ela franze a testa.
— Porque eu vou comprar.
— O que foi, corno? Tá com ciúmes? Achei que você já soubesse que isso é tradição nossa. — Ryan abriu a boca, venenoso
— Eu faço por ela agora.
— E daí? Isso não me impede de dar doce também.
— Você vai viciar minha namorada em açúcar!
— Namorada? — Ayla me olha com um sorriso tão bobo que quase esqueço de respirar.
— Ela não é sua namorada — Ryan rebate.
— Agora é você quem decide? — retruco, firme.
— Você nunca pediu. Só estão ficando.
— Tô resolvendo algumas coisas. Depois vou pedir. — solto um sorriso desafiador — Não se preocupa.
— Vai, é?
— Vou.
Ele debocha, e eu já sinto o sangue subir.
— Eu vou socar ele. — falo pra Ayla.
— Ryan!
— O quê? Eu não fiz nada! — ele ergue os ombros, falso.
O sinal bate, interrompendo. Ayla segura meu rosto e me beija de surpresa.
— Pronto. — ela me entrega o celular — Vou esperar ansiosa.
Olho a lista. Mais de vinte itens. Definitivamente vou ter que montar uma cesta.
Continua...
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Esse foi o último capítulo revisado que fiz no momento. Falta apenas mais 5 para o livro ser finalizado — finalmente — então eu peço paciência, porque dentro de 15 dias espero ter conseguido completar
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