Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Liam se aproxima devagar. Eu não me mexo. Meus olhos seguem apenas sua mão, que desliza até a carteira no bolso de trás. Ele a abre com cuidado e retira um pequeno plástico transparente. Dentro dele... um colar.
— Você me deu isso depois de me salvar daqueles garotos — diz, com a voz baixa, quase reverente.
Meus olhos reconhecem instantaneamente o pingente prateado em forma de lua crescente, com meu nome gravado em letras finas. Meu colar preferido. Sempre disse que ele me dava sorte, e realmente acreditava nisso. Usava todos os dias, nunca deixava ninguém tocá-lo.
Sim... Eu lembro.
Eu tinha sete anos. Morava em outra cidade. Um menino da minha idade estava sendo espancado por um grupo de garotos na pracinha do bairro. Usava óculos e um aparelho diferente, e por isso era alvo fácil. Ninguém fazia nada. As mães assistiam de longe, fingindo que era só mais uma brincadeira de criança.
Mas eu não consegui ignorar.
Entrei no meio da briga e enfrentei todos eles. Saí com o joelho ralado, os cabelos bagunçados e as mãos tremendo de raiva, mas eles saíram piores. Lembro dos olhares horrorizados das mães. Elas me odiaram naquele dia — talvez até hoje — mas eu fui dormir com o coração em paz. Eu havia salvado alguém.
Depois disso, cuidei dos machucados do menino em silêncio. Ele disse que nunca tinha tido sorte em encontrar alguém que o defendesse. E então... tirei meu colar e o entreguei a ele. Pedi que só o devolvesse quando nos encontrássemos no futuro, quando ele encontrasse alguém forte o suficiente para protegê-lo.
Poucos dias depois, mudei de cidade. E ele... desapareceu da minha memória. Anos depois, conheci o Ryan, e nunca mais pensei naquele garoto.
— Nossa... — murmuro, olhando para o pingente. Ele está novo, como se o tempo não tivesse passado — eu não sabia que veria esse colar de novo. Nem o garoto para quem entreguei.
— Eu o guardei — Liam responde com um sorriso sutil — porque sempre tive esperança de te encontrar de novo. Nunca o usei. Tinha medo que alguém tirasse de mim.
— E encontrou alguém forte para te proteger? — pergunto, erguendo o olhar.
Ele sorri, com os olhos brilhando de uma doçura rara.
— Não. Mas reencontrei você. E isso... já é o suficiente.
Sinto minhas bochechas queimarem. Abaixando o olhar, abro o plástico e tiro o colar. Ele cuidou dele por onze anos. Onze anos... como se estivesse esperando por esse momento.
Aproximo-me e, com cuidado, coloco o colar em seu pescoço. Mas antes que me afaste, ele se inclina, apoiando as mãos na mesa atrás de mim, até ficar na minha altura.
Minha mão desliza pelo colar até o pingente, e não consigo evitar sorrir. Fica bonito nele.
— Não tire — digo, encontrando os olhos dele.
— Na verdade, quero que fique com você. — seus olhos percorrem meu rosto, pousando nos meus lábios — Ele sempre foi seu.
Liam se aproxima mais, e quando nossos lábios se tocam, toda a confusão que habitava meu peito some. Ainda sinto tantas coisas por ele que rejeitar isso agora seria me trair.
Meus dedos tocam seu rosto e o beijo ganha profundidade. Um alívio silencioso para tudo que estava doendo em mim. Sinto suas mãos em meu rosto, seus lábios pedindo permissão para algo mais. Quando sua língua toca a minha, meu corpo reage antes da minha mente, minhas pernas fraquejam, meu coração dispara.
Deixo-me levar. Seus gestos são delicados. Sinto o carinho do seu polegar em minha bochecha, e o silêncio ao nosso redor permite que eu ouça meu coração batendo com força.
Ele encerra o beijo com um selinho. Seus olhos ainda grudados nos meus. Vai se aproximar de novo, mas um barulho repentino corta o clima. Algo cai no quarto.
Ouço patas pequenas arranhando o chão. Liam se afasta depressa, saindo do quarto secreto. Respiro fundo caminhando também para fora do lugar, fechando a porta atrás de mim e saindo do closet.
No quarto, Isaac — ou melhor, Liam de novo — tenta tirar algo da boca do filhote de Pitbull.
— Ei... não pode pegar tudo que vê, garotão — diz ele, rindo baixo.
O cachorro rosna, achando que é brincadeira. Eles entram numa disputa leve até o filhote soltar o objeto.
Liam guarda o guarda-chuva em um lugar alto e me observa. Pega sua mochila e caminha em direção à porta.
— O Ryan... — disse.
— O que tem o Ryan?
— Na verdade... ele se chama Aiden. — ele pausa — Trabalha pro governo.
— O quê?! — arregalo os olhos — Conheço o Ryan desde os doze! Ele mentiu esse tempo todo?
— Por bom motivos. Aiden é o nome dele de verdade. O mesmo do avô paterno. A mãe dele escolheu em homenagem ao pai, que venceu um câncer. Mas Ryan... sempre odiou o nome.
Sim, eu sabia disso. O avô dele era um monstro. O velho Aiden o agredia por qualquer coisa — por não chamá-lo de "senhor", por deixar uma colher fora do lugar, por respirar errado. Ryan cresceu sem pai e encontrou um carrasco no lugar de um avô.
— Por que vocês tiveram que mentir pra mim?
— Pra te proteger. Da sua família. De assassinos que sabem quem somos. Quando você conheceu o Ryan, ele ainda era só um garoto comum. Mas depois de um encontro comigo, quando salvei a vida dele, ele ficou obcecado. Queria ser como eu. Treinou até o governo o reconhecer. Agora ele trabalha pra eles.
— Então... ele também quer minha família presa?
— Todo mundo quer os Millers presos. — Liam abre a porta — Mentimos para estar por perto. Mas não fique preocupada, Ayla. Estamos aqui... pra te ajudar.
Seus olhos me encaram com uma sinceridade devastadora.
— Você conhece o Ryan. Sabe que ele nunca te machucaria. Ele sempre foi seu refúgio quando as coisas desabavam com seus pais.
E isso é verdade.
— Enfim... preciso ir. Volto logo. Vou levar os cachorros e o gato pra um lugar seguro... um que costumava frequentar.
Liam desaparece pela porta, o filhote nos braços. E o silêncio volta a dominar o quarto, quebrado apenas pelo som da porta do andar de baixo se fechando.
Respiro fundo.
Hoje foi demais pra mim.
Continua...
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