Capítulo 69

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Isaac Willian

Ela desvia de mais um soco meu. Ayla insistiu para eu não pegar leve, e mesmo depois de recusar mil vezes, ela sempre vinha pra cima como se eu fosse um inimigo de verdade.

Tudo bem que quer aprender a se defender... mas a ideia de vê-la se machucando me incomoda. Ainda assim, sei que não vou poder estar ao lado dela em todos os momentos.

Me distraio nesse pensamento e pago caro: um soco certeiro no meu nariz. Me afasto com um gemido baixo de dor, lágrimas involuntárias já surgindo nos olhos.

— Tudo bem? — ela pergunta, um pouco ofegante.

— Ah, sim... — faço um movimento circular no nariz tentando aliviar. — Estou bem. — sorrio, mesmo com os olhos ardendo.

— No que estava pensando pra não prestar atenção na luta?

— Em você.

Ela arqueia as sobrancelhas, e eu não consigo saber se ficou corada, já que o rosto vermelho do esforço tampa qualquer sinal.

— Por que em mim?

— Porque gosto de pensar em você. — solto sem rodeios. — Gosto de passar vinte e quatro horas com você na minha cabeça.

Ela fecha os olhos, sorrindo daquele jeito bobo que eu amo.

— Acho que merece outro soco no nariz.

— Por quê? Estou sendo todo romântico aqui. — puxo sua cintura contra mim.

— Está meloso demais.

— Não gosta?

Sua mão desliza até minha bochecha e depois para a minha nuca, puxando meu rosto mais perto do dela.

— Gosto. — sussurra, sorrindo de novo.

A porta se abre, quebrando o momento.

— Ayla, tem um homem na porta... — minha mãe cruza os braços e me encara com firmeza. — Ele diz que é seu pai.

Puta merda. Momento não poderia ser pior.

Ayla empalidece e se apressa em sair. Eu tiro as faixas das mãos e as jogo no lixo, indo até minha mãe, que não parece nada contente.

— Você sabia que um dia ele viria. — ela diz firme.

— Ele te reconheceu? — pergunto, baixando a voz.

— Sim. — os olhos dela encontram os meus. — E eu o ameacei. Foda-se quem ele é.

— Mãe! Olha a boca!

— Cala a boca, moleque! — rebate, séria. — Você fala coisa pior. E se soltar palavrão perto da Liz, eu mesma te dou uma surra.

— Você acha que na escola eles não falam isso?

— Eu sei que falam. Mas Liz não se deixa influenciar por outros. Ela segue os passos do irmão mais velho. Então trate de dar bom exemplo.

Ela sai bufando. Reviro os olhos e vou até o quarto da Liz. Ela está sentada na cama lendo um livro.

— Está estudando?

— Não, apenas lendo um livro — sorri ao me olhar. — Onde está a Aly? Ela já está bem melhor?

— Está sim, não precisa se preocupar. — me sento na cama.

— Você tá suado. Não senta na minha cama!

Reviro os olhos de novo e saio. Ninguém hoje está me deixando ser carinhoso. Que implicância.

***

Depois do banho, seco os cabelos e me preparo pra encarar as tarefas do dia. Amanhã já tem prova.

A porta do quarto se abre devagar. Ayla entra, fecha atrás de si e hesita por alguns segundos antes de me encarar.

— Como foi? — pergunto.

— Foi... bem. — sua voz falha um pouco. — Ele pediu desculpas por algumas coisas e... me quer de volta em casa. — tenta disfarçar a tristeza, mas o olho ainda inchado a entrega. — Eu vou voltar...

— Tem certeza? Aquele lugar só te trouxe dor.

— Tenho. Minha família é tudo que tenho. Preciso passar um tempo com eles... antes de você prender todo mundo. — dá um passo na minha direção. — Sabe onde deixei minha mochila?

— Aqui é meu quarto, gatinha... sua mochila tá no quarto que você usava. Tá nervosa?

— Um pouco. — respira fundo. — Eu me acostumei com você... Contei a ele que estava apaixonada por Liam Cooper. Ele ficou em silêncio, mas disse que, se fosse minha decisão, não iria se impor.

— E qual foi a sua decisão? — pergunto, me aproximando mais.

— Que vou continuar sendo louca por você.

Não consigo conter o sorriso que explode no meu rosto.

— Me promete... — seus dedos deslizam pelo meu peito até minha nuca. — Que toda vez que estivermos sozinhos, vai me beijar?

— Prometo.

Ela sabe que, quando sair por aquela porta, tudo vai mudar. Nossos encontros serão raros, o tempo escasso, e a vida dela tomada pelo sonho de ser veterinária.

Beijo seus lábios com calma, segurando seu rosto entre minhas mãos. Ayla me abraça forte, e só me afasto quando lembro que ela precisa arrumar as coisas.

— Vai arrumar suas coisas. Eu me troco e desço com você.

Ela concorda e sai. Me visto rápido e encontro minha mãe no andar de baixo, avisando que vou sair. Saio com Ayla pela porta.

Quando chego ao elevador, sinto uma mão sobre a minha.

— Vamos de escada.

— Vai demorar. — resmungo.

— Não tem problema. É melhor pra nós dois.

Entendi o que quis dizer. Entrelaço meus dedos nos dela, e descemos juntos, degrau por degrau. O silêncio não pesa, pelo contrário, é um respiro que quero guardar.

Lá embaixo, o carro do pai dela já espera.

A senhora Miller ergue os olhos até mim. O olhar frio, cortante, continua o mesmo de sempre. Seguro o rosto da Ayla e a beijo na frente de todos, como se fosse um aviso. Um desafio.

Ela sorri depois do beijo e acena pra mim, mas quando olho de novo, encontro os olhos dos pais dela cravados em mim — um olhar mortal, cheio de ameaça.

Continua...

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