Capítulo 4

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Ayla Miller

— Isaac! Tira sua amiga da sala! — a professora praticamente berra, vermelha de indignação.

Me seguro para não soltar um sorriso vitorioso, mantendo minha cara de paisagem como se eu fosse apenas uma peça decorativa da sala — talvez um quadro novo com muito mais charme do que o necessário.

— Garota! — Isaac se pronuncia

— É Ayla, por favor — viro meu rosto pra ele

— Aly-

— Ayla! — interrompo outra vez, cruzando os braços com gosto.

— Tanto faz! — ele responde com os dentes cerrados, já bufando de impaciência. — Sai da sala!

— Não sem você.

Isaac dá um sorrisinho curto, de quem está prestes a explodir, e passa a mão pelos cabelos pretos de forma dramática, exageradamente dramática. Eu quase rio. Mas minha risada morre na garganta quando ele se levanta de repente, numa movimentação seca e ríspida. Sem pensar, levanto também e o sigo como um satélite grudado na sua órbita.

Assim que estamos fora da sala, ele para no corredor, mas mantém a cabeça baixa. O silêncio entre nós pesa por alguns segundos. Observo o modo como seus ombros sobem e descem devagar. Quando ele ergue o olhar e seus olhos castanho-escuros encontram os meus, preciso de força sobre-humana pra não derreter ali mesmo.

— O que você quer de verdade? — ele pergunta, voz baixa, mas firme.

— Eu já disse. — encosto de leve na parede ao lado e cruzo os braços. — Preciso de ajuda nos estudos.

— Por que não pede pra outra pessoa?

— Porque você é o único inteligente o suficiente pra me salvar. — sorrio, satisfeita em ver que o plano está funcionando. Ele está ouvindo.

Isaac suspira tão alto que ecoa pelo corredor.

— Tá. Eu te ajudo. Mas com uma condição.

— Qualquer uma. — me animo.

— Só até as provas. Depois disso, quero que pare de me seguir, para com essas suas olhadas e me deixa em paz.

Ah. Então ele notou. Minhas olhadas. Minhas perseguições discretas no corredor. Me senti um pouco pega, confesso. Mas fiz cara de paisagem de novo.

— Tudo bem. Aceito. Mas começamos hoje.

— Tá. Biblioteca. Agora para de me seguir! — ele diz virando de costas e entrando na sala novamente, me ignorando completamente.

Mordo o lábio para segurar o sorriso. Consegui. Finalmente consegui. E o melhor: vou ficar mais perto dele.

Saio dali saltitando, quase dançando de felicidade até minha sala. O mundo pode até acabar, mas eu ganhei essa.

***

A biblioteca está silenciosa. Ele se senta em uma mesa isolada no canto e, antes que eu pudesse me acomodar ao seu lado, Isaac joga a mochila na cadeira vaga propositalmente. Óbvio. Me manda um recado silencioso: "sente-se na frente".

Tudo bem. Eu já sabia que ele seria assim. Me acomodo na cadeira oposta e cruzo os braços sobre a mesa.

— Me mostra as notas vermelhas.

Obedeço, tirando meu boletim da mochila e deslizando até ele com um sorriso meio tímido. Isaac o encara. As sobrancelhas se unem. A boca aperta.

— Em todas as matérias? — ele pergunta, chocado.

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