Capítulo 27

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Ayla Miller

Continuo comendo em silêncio, mas meus olhos não desgrudam do garoto, que insiste em fazer gestos exagerados, como se imitasse alguém de estatura baixa. Tá tentando me provocar... ou acha que isso é engraçado?

— Até o mascote do Toddynho é mais alto que você. Ele tem 1,70. Você deve ter... sei lá, uns 1,58?

— Eu tenho 1,59! — respondo com raiva, deixando a colher cair na vasilha. O apetite foi embora como o bom humor.

— Hm... uau, um centímetro. Que diferença esmagadora. — ele solta um sorrisinho cínico

— Tá pedindo pra apanhar?

Fecho a tampa da vasilha com força e a deixo no canto, indo na direção dele. Isaac começa a recuar com as mãos erguidas

— O que foi? Tô só dizendo um fato.

— E daí? Eu não te perguntei sobre fatos.

— Ahá! Você admitiu! — o sorriso dele se abre, exibindo os dentes brancos. A vontade de socá-lo dobra.

— Tá de brincadeira com a minha cara?

Ele se afasta ainda mais, andando de costas com uma agilidade irritante. Corro atrás, mas ele tem as pernas mais longas, e cada passo dele parece dois meus. Pra piorar, ele ri. Como se fosse uma cena de comédia.

— Para de correr, idiota!

— Você quer me bater!

— Eu prometo que não vou — sorrio, fazendo a voz soar doce, piscando várias vezes na esperança de enganá-lo. Mas Isaac só balança a cabeça, imune à minha chantagem — Cretino.

Paro, cansada de correr em vão. Onde diabos está o Ryan com os meus sprays? Eu podia estar aprontando na escola agora, não sendo feita de boba por esse nerd folgado.

— Até o Bruno Mars é mais alto que você!

Eu avanço. Dessa vez, acerto. Agarro a gravata dele e puxo com força, aproveitando para puxar seus cabelos também. Forço para que ele se curve, até sua testa estar abaixo da minha. Isaac geme e agarra a minha mão, pedindo pra eu soltar.

— Para de falar da minha altura! E de ficar me comparando com todo mundo! Você era mais legal quando era um nerd frio e calado!

Ele aperta minha mão, e com um movimento rápido consegue se soltar. Em segundos, meus braços estão presos atrás de mim, e minhas costas encostam com brutalidade na parede. O sorriso dele é insuportável. Prefiro mil vezes quando ele fingia ser o esquisitão antissocial.

— Além de baixa, não tem força nenhuma...

— Não tenho? Teu nariz roxo vai diz outra coisa! — tento me soltar, mas o desgraçado segura meus dois braços

— E se fosse alguém tentando te matar? Como você se soltaria?

Penso rápido. Se ele estiver com as pernas abertas... tenho uma chance. Se não, posso usar a cabeça contra o nariz. Funciona quase sempre.

E então, sem hesitar, levanto a perna e acerto bem no meio. Isaac solta um gemido agudo e me larga, curvando-se em dor.

— Assim. Sempre funciona. — digo, com um sorrisinho de satisfação.

— É... — ele se endireita com esforço, o rosto vermelho — Ótima ideia. Mas um assassino não ia te soltar tão fácil. Mesmo com dor. Melhor usar o topo da cabeça, direto no queixo. Paralisa. Aí você pisa com força nos dedos do pé direito dele. Só nos dedos.

— E se não der certo?

— Então você morre. — diz como quem fala sobre o tempo.

— Tá. E quanto de altura você tem?

— 1,83.

— O cara que tentou me atacar tinha a sua altura. Acho que funciona o seu método... Vou testar depois. — massageio os pulsos. Isaac ainda tá com as mãos sobre o... pau dele. — Tira as mãos daí, seu pervertido.

— Pervertida é você, que tá olhando.

— Você que tá chamando atenção! Fica segurando o pau como se fosse troféu! — fecho a cara. — Você é um nerd diferente... embora, pensando bem, nerds tarados não são novidade.

— Eu não sou tarado! — ele rebate com firmeza.

— Não? Você viu minha calcinha aquele dia.

— Nem precisei olhar pra baixo! Era azul, muito chamativa! Burra!

— Eu esqueci de pôr a meia-calça, tá? — cruzo os braços. — Mas você olhou.

— Eu não olhei! Para de inventar coisa!

— Você sabia a cor. Isso já prova que olhou. E agora vou espalhar que você é um tarado.

— Ayla! — o tom dele muda, mais sério, o rosto fechado — Eu não sou assim.

— Fala da minha altura de novo, só tenta, e vai virar isso.

— Tudo isso por causa de altura? É só um fato. Diferente do que você tá dizendo de mim.

— Tanto faz. — dou de ombros com desprezo.

O olhar dele muda. Fica escuro. Sério. Em dois passos ele está diante de mim. A mão dele agarra minha bochecha com força, e sua mandíbula trava. O toque é rude, quente, pressionando minha pele até arder.

— Para de mentir.

— Ai! Tá doendo! — ele não liga. A dor aumenta quando usa a outra mão pra apertar o outro lado do meu rosto.

— Igual ao chute que você me deu.

— Para! — peço firme, apertando meus olhos

— Pede desculpas.

— Não! Você me segurou, mereceu!

Pede! — ele aperta mais forte.

— Tá! Desculpa!

— Boa garota.

Ele me solta. Levo as mãos à bochecha, tentando aliviar a ardência. Na mesma hora, com um movimento rápido, aperto o nariz dele. Isaac geme e se afasta, os olhos fechando com a dor.

— Você é maldosa. — murmura.

Quando ele abre os olhos, começa a sorrir.

— Por que tá sorrindo?

— Suas bochechas. Estão vermelhas só por causa de um apertinho.

Mostro a língua para ele, irritada. Isaac levanta uma sobrancelha e se aproxima de novo, o corpo quase colando no meu.

Mas antes que ele possa se mover mais, a porta se abre. Empurro ele com força para trás e olho em direção à entrada.

Ryan aparece e me encara com curiosidade, os olhos saltando de mim para Isaac como se dissesse "ok... o que é que eu perdi aqui?"

Continua...

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