Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
É só a minha boca agindo, meus lábios pressionando os dele com cuidado, esperando, torcendo por alguma resposta. Por um segundo que parece uma eternidade, ele permanece imóvel.
Me afasto, o coração socando meu peito. O ar parece ainda mais rarefeito. Pela primeira vez na vida, eu tomei a iniciativa de um beijo. E justo com ele. Com o garoto que eu gosto.
Isaac me encara. Aqueles olhos escuros como breu me observam com um tipo de espanto que eu não sei decifrar. Nem eu sei de onde tirei tanta coragem. Talvez o medo da morte faça isso com a gente.
Afasto mais pra trás. Droga. Isso talvez tenha sido uma péssima ideia.
— Olha só... eu pensei que-
Não termino. Ele me cala.
Com a boca.
Seu beijo vem como um choque elétrico no centro do peito, e todo o meu corpo responde. É intenso.
Um arrepio violento corre pelas minhas costas quando sua mão segura minha nuca, puxando com precisão. Fecho os olhos quando nossas línguas se tocam pela primeira vez. É como se ele estivesse me marcando com a boca.
Sua outra mão desliza pela minha perna com firmeza e, com um movimento quase automático, ele me puxa para o colo dele. Agora estou sentada sobre ele, com as pernas de cada lado.
O beijo continua. Quente, lento, hipnótico. Como se o tempo tivesse parado ali, dentro do elevador preso, entre a vida e a morte.
Seus dedos percorrem minha cintura com cuidado, mas há força no seu toque. Uma força que faz meu corpo estremecer. Seguro seus cabelos, macios entre meus dedos, tentando manter a respiração em dia — o que é praticamente impossível com ele me beijando assim.
Quando mordo levemente seu lábio inferior, ele deixa escapar um som abafado que me faz perder o juízo. Tomo novamente a iniciativa, agora com mais coragem, dominando o beijo com um toque lento e provocante. Ele corresponde, nos arrastando para mais fundo nessa loucura.
Isaac mexe comigo como ninguém. E eu estou completamente fraca por ele. Cada toque, cada suspiro, cada segundo com sua boca na minha é um convite ao abismo.
De repente, ele se afasta, ofegante, os olhos cerrados, tentando controlar a respiração.
Mas suas mãos ainda estão em mim.
— Você está bem? — pergunto, ao vê-lo ofegante.
— Estou... — ele responde baixo, quase num sussurro.
Então, ele se move. Rápido.
Seus olhos se abrem e se fixam nos meus por uma fração de segundo, intensos, escuros, cheios de algo que beira o desespero... ou o desejo.
Antes que eu possa processar, sua boca encontra a minha.
Dessa vez o beijo é diferente. Não há pressa. Não há pânico.
Seus lábios se encaixam nos meus com perfeição, molhados, suaves, como se ele tivesse esperado por isso há muito tempo. Meus dedos sobem até o seu rosto, segurando-o com cuidado, e sigo o ritmo que ele impõe um vai e vem lento, provocante, viciante.
Seus lábios se afastam por um instante, só alguns milímetros, mas ele volta logo em seguida, como se não suportasse o espaço entre nós.
Isaac envolve meu corpo com os braços, me puxando para mais perto até não sobrar espaço entre nós. Ele me aperta com força.
Sua boca se entreabre. Sinto o calor de sua respiração misturada à minha. Quando nossas línguas se tocam, um arrepio explode na minha pele. Um suspiro escapa dos meus lábios, e sei que ele sentiu.
Vozes.
Me afasto num susto, sem nem encerrar o beijo, com o coração pulando de volta para a realidade. Olho para a porta. Uma luz intensa entra e por um instante fico cega.
— Vai você. — digo, ainda com os lábios quentes.
Isaac hesita, mas obedece. Os bombeiros estendem a mão e ele se levanta, ainda ofegante, os olhos voltando uma última vez para mim antes de sair.
Ele sobe com dificuldade, mas consegue.
Agora só falta eu.
Me aproximo da porta, coloco a cabeça para fora e o estômago despenca. Ainda estamos altos. Alto demais.
Respiro fundo, mas minhas mãos suam. Estico o braço. Falta pouco... mas o meu braço é curto.
— Eu não consigo! — solto, frustrada, o pânico me engolindo.
— Precisamos de uma corda. — um dos bombeiros se vira, tentando me alcançar de novo — Você consegue pular?
— Tá maluco? — olho para baixo e minha garganta fecha — Eu... eu não consigo!
No andar debaixo um vulto aparece.
Todo de preto, coberto dos pés à cabeça, deixando à mostra apenas os olhos. Um brilho metálico reluz em sua mão.
Ele a ergue. Uma arma. Apontada pra mim.
Instintivamente, me jogo pro lado, e a bala ricocheteia na parede de metal onde estava meu rosto um segundo atrás.
— PORRA! — o bombeiro grita — TEM ALGUÉM ARMADO NO ANDAR DEBAIXO!
O elevador range. Um som assustador, como aço prestes a romper.
— VOCÊ VAI TER QUE PULAR! — ele grita.
— O QUÊ?!
Isaac aparece na porta, estende a mão.
— Ayla! AGORA!
O som do elevador começa a mudar. Ele está cedendo.
Droga. Droga. DROGA!
Corro, sem pensar. Me lanço com tudo, as pernas falhando no impulso, e agarro a mão do Isaac no último segundo.
Ele me puxa com força. O elevador despenca atrás de mim com um estrondo ensurdecedor. O impacto faz o prédio tremer.
Subo, desesperada, com ajuda dele e dos bombeiros. Meu corpo todo treme. A mão que estava agarrada à dele ainda dói.
— Você está bem? — pergunta o bombeiro, agachado ao meu lado.
Assinto, em choque, sem conseguir emitir som.
Isaac se aproxima. Toca minha cabeça com ternura e, em seguida, me envolve num abraço. Um abraço apertado.
— Vamos tirar vocês daqui — diz o bombeiro — Vamos descer pelas janelas. As escadas estão prestes a desabar.
Continua...
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Parece que o cara não tá de brincadeira em matar a família Miller
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