Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Não acredito nisso. Entre todas as pessoas que poderiam cruzar meu caminho hoje... tinha que ser ele. O universo realmente adora me testar.
Finjo que não vi, desvio o olhar, como se o cardápio fosse a coisa mais interessante do mundo. Mas claro que Dereck não perderia a chance de estragar meu dia.
— Passeando? — pergunta, com aquela voz carregada de deboche.
— Não, vim pescar — disparo no automático.
O sorriso dele se abre, aquele maldito sorriso torto que eu sempre quis quebrar na porrada. E, honestamente, esse ainda é um dos meus maiores sonhos.
— Ignorante como sempre.
— E irritante como nunca deixou de ser — retruco, forçando um sorriso que mais parece uma ameaça.
O cabelo dele está pintado de preto agora, o que só acentua a aura de babaca metido a bad boy. E ainda por cima está acompanhado de uma garota perdida, que não entende nada do que está acontecendo, com aquele olhar vago.
— Deve ser bem triste passear sozinha — ele comenta, se achando o engraçadinho da vez.
Ah, claro. Porque minha vida gira em torno da opinião de um embuste.
— Nossa... esqueci como sua voz é irritante — digo entre os dentes — Quer que eu arranque sua língua fora pra ver se melhora?
Algumas pessoas ao redor olham, claro. Porque ele adora um palco. Sempre adorou.
— Estava com saudades, né? — pergunta, com aquele olhar nojento que me dá ânsia.
— Nem se eu renascesse em outra vida. E se eu pudesse voltar no tempo, teria chutado sua bunda pra fora da minha vida na primeira semana.
Ele sorri, achando que está vencendo. O típico narcisista. Não vale a pena gastar fôlego, então apenas me concentro na barraca e observo os preparos da comida. Me afasto mentalmente, tentando fingir que Dereck não está ali
Mas ele não cala. Continua falando, enchendo meu ouvido como uma mosca chata que não sabe quando parar. E eu contando mentalmente até dez para não afundar aquele rostinho nojento no asfalto.
Quando o prato fica pronto, suspiro aliviada. Tiro a capinha do meu celular, pegando meu cartão, pronta pra pagar e meter o pé, quando uma mão segura meu pulso.
— Eu disse que iria pagar. Por que trouxe o seu cartão? — Isaac aparece, como uma visão salvadora, com um suco na mão e aquele sorriso calmo.
— Você não pode gastar — digo, meio no automático.
— Claro que posso. Se não, nem teria dito que pagaria — responde, com um sorriso que consegue ser doce e provocador ao mesmo tempo.
Guardo o cartão, sentindo uma onda de alívio. Ele paga. Pego os pratos enquanto ele segura as bebidas, e saímos dali lado a lado, procurando um banco.
O cheiro da comida está incrível. Temperos quentes no ar, misturados ao vento frio
Mas claro, o inferno nunca descansa.
Dereck volta a se meter no nosso caminho, sorrindo como se ainda tivesse alguma relevância na minha vida.
— Posso ajudar? — Isaac pergunta, num tom firme, direto.
— Cara, posso te dar um conselho? — Dereck insiste, como se não tivesse um pingo de vergonha na cara.
— Não.
Eu mordo o lábio pra segurar o riso.
— Deveria meter o pé. Ela é meio... — ele faz o gesto girando o dedo junto à cabeça — Meio louca, sabe?
Isaac nem se abala. Continua calmo
— E ficar com uma garota que não gosta de transar é perda de tempo — Dereck continua, como se estivesse contando alguma grande verdade.
— E quando foi que eu disse que fico com alguém só por sexo? — Isaac rebate, olhando nos olhos dele.
— O quê?
— Eu não sou um babaca como você. Não troco uma garota incrível por um momento de ego inflado. Traiu, foi escroto, e agora tá aqui tentando pagar de certo? Sai da frente antes que eu quebre o seu nariz.
Puta que pariu.
Meu coração quase para. Isaac... perfeito em todas as versões dele.
— É mesmo? Quero ver toda essa sua coragem — Dereck provoca, se aproximando.
As pessoas começam a cochichar, gravar, apontar. O típico espetáculo que ele adora.
— Segura pra mim — digo, entregando o prato a Isaac. Ele me obedece sem questionar, se afastando um pouco.
E então, sem pensar duas vezes, meu punho encontra o rosto do idiota. O estalo é satisfatório. Dereck cai como o merda que é, e eu limpo a mão, pegando minha comida de volta e saindo sem olhar pra trás.
— Não precisava fazer isso — Isaac diz, me alcançando.
— Ele estava me irritando.
Encontramos um banco vazio. Comemos em silêncio, ainda com resquícios da tensão. Trocamos algumas palavras, mas nenhum assunto dura muito. Só o som das pessoas e o rangido dos brinquedos ao redor nos acompanha.
Depois, caminhamos mais um pouco para digerir a comida. O céu vai ficando mais fechado, mas decidimos arriscar a roda-gigante.
A fila não demora tanto. Quando chega nossa vez, subimos junto de algumas outras pessoas. A estrutura range, sobe devagar, e o vento frio toca meu rosto. Quando chegamos no topo, a vista me tira o fôlego.
Uma mão firme se apoia na minha cintura. Grande, quente. E Isaac se aproxima por trás, me cercando com o corpo. Suas mãos seguram a barra metálica na minha frente, me encaixando nele.
Meu corpo se rende.
Ele provavelmente fez isso para dar espaço às outras pessoas, ou ao menos é o que tento me convencer.
— Como você sabia que ele era meu ex? — pergunto, ainda com o olhar na cidade.
— Fofocas — ele responde — Quando vocês terminaram, a escola inteira soube. Espalharam até fotos. Ou você não lembra?
Ah... eu lembro. Fiquei uma semana sem ir pra escola por conta disso.
Continua...
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