Capítulo 34

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Ayla Miller

As fotos do Isaac estavam marcadas com caneta preta, e as minhas com vermelha. Em cima delas, palavras rabiscadas com raiva:

"Você precisa morrer."

"Eles têm que pagar."

"A justiça não compensa. A vingança é a única chave."

Por que ele envolveu o Ryan e o Isaac nisso? Só porque estão perto de mim? Se esse desgraçado me observa todos os dias, ele sabe o que sinto pelo Isaac. Talvez por isso o nome dele esteja aqui... ou talvez Isaac esteja envolvido em algo que eu não sei.

Procuro por mais pistas nas gavetas, fuçando com pressa, mas sem perder o cuidado. Até que encontro uma pasta preta, encapada

Abro.

A primeira ficha é do Isaac.

— Ele tem dezoito anos... branco... cabelo castanho escuro?

Espera. O cabelo do Isaac é preto. Sempre foi. Não fazia ideia de que era tingido.

— Tem uma irmã mais nova. Mas não de sangue. Isaac é adotado. Que merda... — sussurro, mais pra mim do que pra qualquer um.

Não há nada sobre a família biológica dele. Um vazio proposital, talvez? E se Isaac for de uma família que esse cara também está buscando vingança?

As próximas fichas falam de mim e do Ryan, mas sem nada além do que já sei. Tiro fotos com o celular, uma por uma. Preciso ter provas, registrar tudo.

Fotografo também o quadro com as imagens e os alfinetes nos mapas. Meus passos. Os lugares onde estive. A escola. O restaurante. A casa do Ryan. O novo condomínio do Isaac.
Ele sabe tudo. Cada maldito passo que eu dou.

Vasculho mais. Gavetas, armários... nada.

Mas algo me chama atenção: uma tábua solta no chão. Me ajoelho rapidamente, levanto com cuidado. Tem um livro velho, sujo de terra e poeira.

O nome, rabiscado à mão:
Diário.

— Isso... isso sim é ouro.

Mas então, a porta se abre com força.

— Ayla! — Ryan aparece ofegante, o rosto pálido. — Ele voltou!

— O quê?!

— Agora! Guarda isso! A gente precisa sair AGORA!

Droga. Justo agora que eu estava perto das respostas.

Empurro o diário de volta no buraco, recoloco a tábua e me levanto num salto. O coração batendo feito uma martelada nos meus ouvidos. Coloco o boné, ajusto a máscara, pego o borrifador e volto ao papel de dedetizadora miserável.

Entro no closet e jogo veneno nas baratas com um nojo, tentando não vomitar. Ryan junta as carcaças com uma pá e joga no saco de lixo. O cheiro do corpo ainda paira no ar.

Saímos do quarto. O som de uma porta se abrindo no fim do corredor faz minha espinha gelar. Me viro de costas, ajoelhada, fingindo que ainda estou no serviço.

— Descobriram de onde estão vindo as baratas? — pergunta uma voz fria e arrastada.

Nunca ouvi essa voz. Mas... Aquele rosto... tem algo estranho. Familiar.

— Provavelmente o esgoto subiu — Ryan responde, tentando manter a calma — fez elas procurarem abrigo por aqui. Já estamos quase terminando. O ideal é que o senhor se afaste, o veneno é forte.

— Não se preocupe — ele diz — sou imune a veneno.

O quê?

Me viro um pouco e continuo pulverizando embaixo da mesa. Uma barata corre em minha direção e, por pouco, não solto um grito.

— Imune? — Ryan repete, confuso.

— Decidi me tornar. Foi um processo lento e doloroso. Mas possível.

— Isso é... coragem — Ryan engole em seco.

— Eu sei.

Os passos dele ecoam no chão encardido. Ele caminha devagar... como um predador observando presas fingindo ser outra coisa. Sinto seu olhar cravado nas minhas costas.

Será que ele já me reconheceu?

Finjo puxar baratas pro saco de lixo, e com esse movimento, arrasto discretamente alguns fios de cabelo do chão. Posso usar isso pra um teste de DNA.

A cozinha está limpa. Falta só a sala.

Ryan termina logo depois. Diz que está tudo pronto. Dá recomendações, encena como se fosse um profissional experiente. Eu continuo olhando pro outro lado, fingindo ajeitar algo. Não quero olhar no rosto daquele homem.

Ele entrega o pagamento ao Ryan. Saímos. Na descida da escada, olho discretamente pra trás.

O cara está parado, observando. O olhar fixo. Ele sabe. Sabe que tem algo errado. Mas não tem certeza ainda.

Descemos e entramos na van. Assim que bato a porta, tiro luvas, máscara e boné, ofegante.

— Você disse que ele só voltava às dez! — rosno, olhando para Ryan.

— Eu disse por volta. Sempre tem margem pra erro...!

— Erro, Ryan?! Aquele cara quase pegou a gente lá dentro! Mas valeu a pena. Descobri coisa demais.

— Como o quê?

— Ele está de olho no Isaac. Não só por proximidade comigo... Talvez o Isaac esteja no meio disso tudo. Isaac é adotado.

Ryan arregala os olhos.

— O quê?! Sério?

— Aham. Cabelo pintado, ficha alterada... E nada sobre a família biológica dele. Zero. É como se tivessem arrancado isso da história dele.

— Mas você é próxima dele. Pode conseguir essas respostas...

— Não sei. Isaac se esconde bem demais. Parece carregar um mundo inteiro atrás dos olhos, mas não deixa ninguém entrar.

Fico em silêncio por um momento, encarando a estrada. O vento frio entra pela janela da van e toca meu rosto como um aviso.

— Esse cara... Ele sabe demais. Sabe de mim, de você, do Isaac. E se planejou tudo isso com tanta calma...

— Então ele está nisso há muito, muito tempo.

Eu preciso de respostas. E preciso rápido.

Continua...

Só postei esse capítulo extra para deixar vocês na curiosidade de quem é o Isaac KAKAKAKAKA

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Só postei esse capítulo extra para deixar vocês na curiosidade de quem é o Isaac KAKAKAKAKA

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