Capítulo 60

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Ayla Miller

Não sei há quanto tempo estamos apenas nos observando, sem dizer uma palavra sequer. Mas a verdade é que não quero que esse silêncio acabe. Sinto como se tudo que precisássemos estivesse aqui

Depois de me limpar, voltei pra cama e não consegui sair da mesma posição. Liam está levemente erguido ao meu lado, apoiado no cotovelo esquerdo, e sua outra mão acaricia meu braço de forma lenta. Seu toque é quente, reconfortante

Seus olhos continuam nos meus, embora às vezes desviem. Não sei se é por timidez ou por algum tipo de insegurança, mas posso sentir que ele está lutando com algo dentro de si. Algo que precisa sair.

— Podemos falar sobre os nossos sentimentos? — ele pergunta, finalmente quebrando o silêncio com sua voz baixa e rouca.

— O que exatamente você quer saber?

— Se você gosta de mim — ele diz, e percebo a tensão em seu maxilar. Ele tenta parecer tranquilo, mas sua voz carrega uma urgência

— Isso está tão óbvio... — respondo num sussurro.

— Mesmo assim... eu preciso ouvir da sua boca.

Suspiro, sentindo meu coração acelerar.

— Sim, eu gosto de você, Liam Cooper. Gosto tanto que você invadiu cada canto do meu pensamento. Penso em você todos os dias, me perguntando se algum dia vai sentir por mim o que eu sinto por você.

Os olhos dele brilham com algo que mistura surpresa, alívio e ternura. Um sorriso bobo escapa de seus lábios, e o vejo corar levemente

— Eu vou devolver os sentimentos — ele diz, mantendo os olhos firmes nos meus — Mas agora não é o momento. Seus pais sabem quem eu sou. E se descobrirem que estou me aproximando de você, podem me matar... ou pior, mandar você para longe de mim.

— Você também gosta de mim? — pergunto, com o coração disparado no peito.

— Eu sou apaixonado por você — responde sem hesitar, e logo sua mão sobe até meu rosto, acariciando minha pele com delicadeza — Desde quando eu tinha sete anos. E achei que não era possível alguém se apaixonar tão cedo e continuar sentindo isso por tanto tempo... mas você me provou que é.

Céus...

— Onze anos... — ele sorri — Sou doido por você há onze malditos anos...

— Então por que nunca me disse?

— Porque eu tinha medo de que você não sentisse o mesmo. Medo de que se afastasse... pra sempre.

— Mas você era tão frio comigo...

— Por proteção. Eu estava paranoico com a ideia de você brincar com meus sentimentos... com medo de que fosse uma aposta ridícula. Eu não suportaria ser machucado mais. Então tentei te afastar, mesmo que isso me destruísse.

— Te machucar mais? — pergunto

— Eu me despedaçei quando você começou a namorar aos quinze anos. Eu tava te esperando. Queria ser seu primeiro namorado... o primeiro a segurar sua mão, a ouvir seus segredos, a beijar sua boca. Mas você nem olhava pra mim. Então... te deixei ir. Fingi estar bem, mas por dentro... eu estava um desastre.

Meu peito se aperta de um jeito que nem consigo respirar por alguns instantes.

— Achei que você tinha percebido. Que ao menos tinha notado o quanto eu me esforçava pra estar por perto. Mas você mudou... e eu também. Quando eu soube que seus pais eram perigosos, entendi que a sua vida seria mais difícil do que qualquer uma. Prometi a mim mesmo que ficaria perto pra te proteger. Só que tudo desmoronou quando você apareceu com aquele cara. Aquele... idiota. Por que ele, Ayla? Eu estava inteiro, esperando por você. Queria que você fosse minha primeira namorada. Minha primeira vez...

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