Capítulo 61

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Ayla Miller

Ajudava Isaac na cozinha, passando talheres para ele enquanto o cheiro de pão quente se misturava ao aroma de café recém-passado. A manhã estava calma — até que minha cabeça começou a rodar com um pensamento inconveniente.

Daqui a pouco teríamos aula, mas antes ele precisava levar a irmã. Por um instante, cogitei não ir. Porém, bastou ele me olhar com aquele sorriso meio torto e pedir de um jeito quase tímido, com a voz baixa, que minha decisão já estava tomada. Eu iria.

A noite tinha sido uma maravilha, mas, ao acordar, uma pergunta grudou na minha mente feito chiclete no cabelo: com quem ele tinha perdido a virgindade, se nunca namorou ou se apaixonou por alguém?

E, como eu não sei lidar com curiosidade, decidi perguntar.

— Isaac?

— Hm? — ele levanta o rosto, ainda com uma xícara na mão.

— Posso te perguntar uma coisa... bem pessoal?

Ele coloca a xícara sobre a bancada, a curiosidade estampada no olhar.

— Pode. — encosta-se ao balcão, aproximando-se devagar.

— Com quem você perdeu sua virgindade?

Ele ergue as sobrancelhas, surpreso, mas não se esquiva. Seus olhos permanecem presos nos meus por alguns segundos

— Foi há um tempo... eu tinha quinze anos, pouco depois de descobrir que você estava namorando. Fiquei irritado, fui a uma festa. A Tifanny estava lá...

— Nem precisa continuar. — ergo uma sobrancelha, cortando-o. — Você bebeu e transou com ela?

— Eu não bebi. Odeio álcool. Estava completamente consciente.

Eu perguntei, eu quis saber... então por que estou tão irritada? Era óbvio sua resposta.

— Então foi aí que ela virou o seu rabo?

Ele dá um meio sorriso envergonhado.

— Bem... sim. Ela também era virgem, então...

— Ah... — movimento meu queixo, não escondendo a irrigação — Saquei.

Ele baixa a cabeça, coçando a sobrancelha, mas ainda me observa de canto de olho. Antes que o silêncio pese, sinto um puxão na perna.

Olho para baixo e vejo o filhote de pitbull com um pano na boca, balançando a cauda, animado. Isaac não resistiu à manha e trouxe o pequeno para casa, mesmo com o sermão desnecessário do pai dele

Abaixo e puxo o pano, sentindo o rosnado baixinho do filhote, aquela brincadeira de força que ele adora.

— Não está irritada, né? — Isaac pergunta, a voz carregada de cautela.

Antes que eu responda, a campainha toca. Ele passa por mim e abre a porta.

O demônio chegou.

Tifanny entra empurrando Isaac para o lado, como se a casa fosse dela. Seus olhos pousam direto em mim. Não reajo porque, se reagir agora, vou perder a paciência.

— Tifanny, dá o fora! — Isaac ordena.

— Então é por causa dela que você não atende minhas ligações? Nem responde minhas mensagens? Nem me procura? — ela gira o corpo, e a saia curta demais denuncia suas intenções.

— Só sai da minha casa.

— Não vou sair sem uma explicação.

Isaac respira fundo, passando a mão pelo cabelo preto, bagunçando-o ainda mais. Sinto passos atrás de mim: Olivia surge das escadas, de roupão, o olhar desconfiado.

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