Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Novamente tento chutar sua barriga, mas dessa vez Layam segura meu pé. Com brutalidade, ele força minhas pernas e me prende no chão, ficando por cima de mim. Tento reagir, mas o soco em meu rosto apaga meu mundo por alguns segundos.
Sua mão, coberta por uma luva de couro, agarra meu queixo e me obriga a encarar seus olhos furiosos quando ele tira os óculos de visão noturna.
— Você é tão fraca que chega a me dar pena. — sua voz é veneno.
Reúno forças e bato minha cabeça contra o nariz dele. Um estalo. Ele recua, e eu aproveito para chutar sua barriga, afastando-o. Tento levantar, mas logo sinto seu aperto no meu tornozelo. Ele me arrasta de volta, e antes que consiga fugir, seus dedos puxam meus cabelos com violência. Minha cabeça bate no chão com força, e o impacto me deixa tonta. Tudo escurece por segundos, mas luto contra a inconsciência.
Quando abro os olhos, já está sobre mim novamente. O brilho metálico em sua mão me faz gelar: um soco-inglês, afiado e pontudo.
Droga.
Empurro seu rosto, mas minhas forças estão fracas. Devia ter treinado mais, devia ter me preparado... maldição!
O primeiro soco explode em meu rosto. A dor é insuportável, um trovão dentro do crânio. O segundo vem logo em seguida. E depois outro. E outro. A dor aumenta até que meu corpo simplesmente para. Sinto o gosto metálico do sangue, escorrendo da boca, pelo nariz, cobrindo meu rosto.
— Você precisa entender... Ayla... — ele ofega, cada palavra carregada de ódio — Você está pagando pelos erros dos seus pais. Eles tiraram a minha família, e agora vou tirar a deles. Primeiro você, depois seu irmão... e por último, sua irmãzinha. Eles vão sentir a mesma dor.
Cuspo sangue, a voz trêmula.
— Sei que... não adianta... mas... Layam, essa vingança não vai te trazer paz. O vazio vai continuar
Ele me acerta outro soco, e mais outro, cada vez mais pesado.
— Eu sei. — responde entre golpes. — Mas quero ver a fúria nos olhos do seu pai, quero sentir o desespero da sua mãe. Quero que saibam que eu vinguei os meus. — outro soco, e outro. Minha visão se apaga e volta em flashes. — Eu já não tenho paz desde o dia em que te conheci.
Ele finalmente sai de cima de mim. Estou imóvel, respirando com dificuldade. Tudo o que sinto é sangue e dor.
Layam caminha até a arma caída, pega-a e confere o cartucho.
— Vou levar tulipas no seu túmulo todo mês. — sua voz soa quase carinhosa, o que torna tudo mais horrível — Cada mês será uma diferente. Você sempre gostou delas, não é?
Arrasto meu corpo pelo chão, cada movimento um tormento. Se eu for morrer, que seja levando ele comigo. Tento alcançar a beirada do prédio. Tento me erguer, mas minha cabeça pesa, e caio novamente. Engatinho, mesmo assim. Até que ele me puxa de volta com brutalidade, virando-me.
As sirenes ecoam lá embaixo. Polícia. Mas sei que não vai adiantar: Layam é esperto, vai se misturar aos moradores, vai escapar.
A única saída é levá-lo comigo.
Meu corpo dói, mas minha mente já decidiu.
Ele ergue a arma, pronto.
— Quero que meus pais saibam que os amei. Que amei meu irmão. Quero que entendam que lutei por eles, que vinguei a dor que tivemos. Usar você é covarde, eu sei... mas é a única forma de fazê-los pagar. — seus olhos marejam, um sorriso triste surge. — Eu sinto muito, Ayla.
A arma aponta direto para mim.
O disparo ecoa.
Meu coração quase explode no peito.
Mas eu não fui atingida.
Layam dá um passo à frente, a mão sobre o peito. Seus olhos enchem-se de lágrimas. Ele tosse sangue, que escorre pela boca. Seu corpo vacila, cambaleia... e então cai pela beirada do prédio.
Assusto, não conseguindo reagir a nada.
O impacto lá embaixo reverbera até aqui em cima.
Layam está morto.
Fico paralisada, respirando rápido demais, o rosto latejando de dor, o corpo tremendo.
Então mãos quentes seguram meu rosto ensanguentado. Reconheço o toque, mesmo em choque.
— Céus... — a voz de Isaac quebra. — Me perdoa por te deixar sozinha... Me perdoa...
Ele me abraça, o calor do seu corpo afastando o gelo que tomou conta de mim. Finalmente me sinto segura. Ele me ergue com cuidado, como se eu fosse de vidro.
Meu peito dói, mas não só pela dor física.
Sinto muito. Por tudo. Por ter chegado a esse ponto.
Sinto muito, Layam.
Continua...
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