Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
O rosto dela está tão machucado... só de olhar me sinto em pedaços. A culpa me corrói — deixei Ayla sozinha, e minha irmã também acabou ferida. Droga! Eu não devia ter saído.
Levei Ayla ao hospital. Fizeram os exames e confirmaram: o rosto sofreu ferimentos graves, mas nada que não se cure com tempo e cuidado. Eu deveria me sentir aliviado, mas não consigo. Paguei para que fosse liberada logo. Não queria deixá-la lá. Agora, não vou deixá-la sozinha nunca mais.
— Ela vai ficar bem, garoto. Só precisa descansar e ter bons cuidados. — o médico da família disse, apertando meu ombro antes de ir.
Soltei um suspiro pesado. Tudo saiu do meu controle. Meus pais tinham me chamado para resolver um assunto, e por isso precisei sair. Mas, por essa escolha, Ayla quase morreu. Essa culpa vai me perseguir.
— Tudo bem? — minha mãe pergunta, cautelosa.
— Sim... — respondo com a cabeça baixa, sem coragem de encará-la. — Eu deveria ter vindo antes.
— Não se culpe, querido... coisas assim são difíceis de evitar.
Falar é fácil. O difícil é arrancar esse peso daqui de dentro.
— Ouvi que ele levou um tiro... Foi você?
Meus olhos caem sobre Ayla, adormecida na cama.
— Foi. — murmuro.
Seguro sua mão fria. Pelo menos agora o pesadelo acabou. Só resta resolver o assunto com os pais dela e, comparado a Layam, aquilo parece menos perigoso.
— Até onde você vai por essa garota? — minha mãe pergunta baixo.
— Até o fim do mundo, se for preciso. — respondo sem hesitar. — Se alguém tocar nela, eu vou caçar essa pessoa até o inferno. Se levantar a mão, ou a voz, vai se arrepender pro resto da vida. Eu vou protegê-la, dar o conforto e a paz que ela sempre quis. Se for preciso, sacrifico o mundo para mantê-la segura.
Minha mãe suspira.
— Você está cegamente apaixonado por ela...
— Estou. — admito, olhando o rosto pálido de Ayla. Ela não faz ideia do quanto me destrói vê-la assim.
***
Ayla Miller
A dor me arranca do sono. Meu rosto lateja tanto que parece que vai explodir. Tento manter os olhos fechados, mas a claridade que entra pela janela faz arder. Um gemido escapa quando tento mexer a face. Céus... nunca senti dor assim.
Viro a cabeça devagar e quase me esqueço da dor quando vejo Isaac dormindo ao meu lado. Ele parece um anjo adormecido, sereno, vulnerável. E eu não consigo desviar os olhos.
Sempre reclamei da minha vida, do quanto era difícil continuar... mas a dele é mil vezes pior. Ele perdeu tudo antes mesmo de nascer: avós paternos, maternos, primos, qualquer laço de família. Só tinha os pais e o irmão. E, ainda criança, viu os dois serem assassinados diante dos seus olhos. Anos depois, foi forçado a matar o único parente vivo — para me proteger.
Isaac perdeu tudo. Tudo. E mesmo assim, não se deixou consumir pela vingança.
Agora eu entendo Layam. A dor dele, o ódio. Ele só queria que sentíssemos a mesma perda. Mas não sabia que aquele garoto que jurava destruir também era sangue do seu sangue. Que bagunça... que tragédia.
Sinto o peso das dores de ambos: Layam, querendo vingança. Isaac, querendo justiça.
O movimento dos olhos de Isaac me tira dos pensamentos. Ele acorda e me observa. A expressão doce se desfaz, dando lugar a uma tristeza silenciosa.
Estendo a mão, tocando seu rosto quente. Ele se aproxima e me envolve em seus braços
— Desculpa... — sussurra contra meu peito.
— Está tudo bem... — minto. — Eu estou bem agora.
Ele não responde. Apenas acaricia minhas costas, num gesto suave que me desarma.
— E você? — pergunto, baixinho. — Sei que é delicado... mas você matou o Layam. Ele era seu irmão.
— Não era. — sua voz sai firme. — Layam morreu quando escolheu a vingança. O que ficou... era só um assassino.
Fico em silêncio. Não sei se concordo. Minha cabeça começa a latejar outra vez. Me afasto dele e me sento na cama, retirando a seringa do braço.
— Aonde vai? — ele pergunta.
— Banheiro... minha cabeça dói.
— Vou pegar seu remédio.
Assinto, observando-o sair. Caminho devagar, a visão escurecendo. Respiro fundo diante do espelho, esperando passar. Quando a visão clareia, quase grito: meu rosto está acabado. Inchado, roxo, manchado de sangue seco. Céus... vou carregar essas marcas por um bom tempo.
Escovo os dentes e encho a banheira, querendo me afogar no calor da água. Quando termino, Isaac volta com um copo d'água e o remédio.
— Obrigada. — engulo a pílula e bebo até a última gota.
Ele recolhe o copo, mas quando começo a tirar a roupa, é ele quem toma a iniciativa.
— Deixa que eu faço. — sorri de leve.
Com cuidado, Isaac retira cada peça, prendendo meu cabelo depois. Segura minha mão até eu entrar na água.
— Vou ver como está minha irmã e já volto.
— Ela se machucou muito? — pergunto, aflita.
— Quebrou o tornozelo. — responde, levantando-se. — Mas não se culpe. Ela está bem e vai receber todos os cuidados.
Como não me culpar? Ela quebrou o tornozelo por causa de tudo isso... por minha causa.
Continua...
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