Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
O cheiro dele é algo que me desmonta. Não tem perfume, nem nada forte. É só... o cheiro natural de Isaac. Um aroma que, contra a minha vontade, acalma os nervos e faz a culpa martelar ainda mais forte dentro do meu peito. Eu dei um soco nele. E agora ele está cuidando de mim como se nada tivesse acontecido. Que tipo de idiota eu sou?
Ele me acomoda com cuidado no sofá da sala. Some por alguns segundos, e logo o estalo do interruptor enche o cômodo. Meu corpo inteiro dói.
A verdade é que tudo isso começou por causa dos erros dos meus pais. Eles enterraram nosso futuro em decisões sujas, violentas, sem pensar nas consequências. E agora... agora eu e Alice somos quem pagam o preço. Marcus? Ele está mais do que adaptado a esse mundo. É como eles. Já virou parte da escuridão que herdamos.
Eu só queria desaparecer. Trocar de vida com alguém qualquer. Mas quem diabos iria querer viver essa merda que eu chamo de vida? Ninguém. Nem mesmo sob tortura.
Sinto o sofá afundar ao meu lado. Ergo os olhos, devagar. Isaac se senta, com um prato de comida simples nas mãos. O cheiro faz meu estômago roncar.
— Come um pouco — ele diz, colocando o prato sobre a mesinha à frente.
Pego o prato e começo a comer. Cada garfada é um alívio. Eu estava faminta. Do lado dele, Isaac abre uma caixa de primeiros socorros. Inclina a cabeça para trás, enfia pedaços de algodão no nariz para conter o sangramento. Não reclama. Não faz drama. Apenas age.
— Você é muito teimosa — murmura, limpando o sangue seco com um pano úmido.
Eu até queria responder, mas estou ocupada demais comendo.
— Come devagar — ele alerta com a voz baixa.
Levanto os olhos. Ele me encara. Os olhos escuros dele são intensos, fixos nos meus, e... droga. Baixo o olhar, desacelero os movimentos. Me concentro no prato, mas logo minha atenção vai parar no nariz dele — inchado, vermelho, manchado de sangue.
— Desculpa... — digo, quase num sussurro. — Pelo soco. Eu estava irritada, você não ajudou... e eu... acabei descontando em você.
— Tudo bem. Só termina de comer — ele responde sem olhar pra mim. Tira os algodões do nariz, limpa os resquícios de sangue com firmeza.
— Tá doendo?
— Quer mesmo saber? — ele diz com um tom irônico. — Sangrou. Então... o suficiente pra incomodar.
Perco completamente o apetite. Coloco o prato na mesinha, me inclino na direção dele.
— Deixa... — falo. — Deixa eu limpar.
Isaac me entrega o pano limpo sem dizer nada. Me aproximo devagar, passo o pano sobre seu nariz com cuidado, tentando não machucar mais do que já machuquei. Me concentro tanto nisso que nem percebo quando meu olhar escorrega para a sua boca. Fico alguns segundos ali, hipnotizada pelo contorno dos lábios dele, antes de perceber o que estou fazendo e voltar rapidamente ao nariz.
Vai ficar roxo, com certeza. Só espero que ele não me odeie por isso.
— Sempre foi teimosa assim? — ele pergunta, tirando o pano da minha mão.
— Às vezes...
— Pelo menos aprende com os erros?
— Não... — admito, olhando pro lado.
— É, eu percebi — ele guarda os curativos de volta na caixa, depois volta a me encarar. — Se sente melhor?
— Um pouco.
Os olhos dele percorrem meu rosto devagar, com calma. Merda. Por que ele me olha assim?
Eu abro a boca, tentando dizer qualquer coisa. Mas não consigo. Porque os lábios dele tocam os meus antes que qualquer palavra saia.
Foi um beijo rápido, seco, sem aviso. Meus olhos se arregalam, e o empurro com a mão no seu peito. Mas ele segura meu pulso, com a mão quente, firme.
— Não me empurra — ele sussurra.
E antes que eu entenda o que está acontecendo, ele me beija de novo. Dessa vez mais devagar. Os lábios se movem sobre os meus com precisão, como se soubesse exatamente o que fazer.
Um beijo calmo. Um roçar suave de boca contra boca. Sem língua. Sem pressa.Sentir os seus lábios assim, foi o que sempre imaginei quando o via nos corredores.
A mão dele desce pela lateral do meu corpo até encontrar minha coxa. Ele aperta levemente, e isso me tira o fôlego. O beijo se intensifica. Nossos corpos se aproximam mais do que eu esperava.
Até que ele encerra com um beijo mais demorado, com delicadeza, e se afasta. Fico ali, parada. Sem saber pra onde olhar. Sem saber o que sentir.
— Sua cabeça ainda dói? — ele pergunta, calmo.
— Não... — respondo olhando para o sofá, evitando seu rosto.
A mão dele ainda está na minha perna. Aperta de leve, de novo. Engulo em seco.
— E-Eu acho que vou dormir.
A outra mão dele sobe até a minha nuca. Me puxa com cuidado. Nossos lábios se encontram mais uma vez, num selinho rápido, quase inocente, mas que me deixa atordoada.
— Por que me beijou? — sussurro, mal conseguindo encarar ele.
— Porque eu quis — ele diz, passando os dedos pelos fios do meu cabelo. — Por que tá tão nervosa? Não é a primeira vez que você beija alguém...
— Você me beijou... de repente. Foi por isso.
— Hm... — ele me encara, com os olhos escuros me perfurando. — Da próxima vez eu aviso.
Vai ter próxima vez? O pensamento me atinge com força. Eu achei que ele me odiava. Que estava irritado por causa do soco. E agora isso?
— Você é bem direto...
— Gosto de ser direto.
Sorrio, nervosa. Afasto suas mãos de mim, me levanto
— É... eu... Eu vou dormir.
— Boa noite.
— Boa... noite. — minhas palavras mal saíram
Passo por ele, indo para as escadas. Subo com o coração martelando.
Continua...
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Se tivesse entrado no clima, ele tinha te comido nesse capítulo mesmo minha fia
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