Capítulo 23

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Ayla Miller

A dor de cabeça é como uma marreta batendo dentro do meu crânio. Cada batida me arranca um gemido involuntário. Me sento na cama com esforço. Não é o meu quarto. É o quarto que Isaac vai ficar na casa que emprestei. Merda.

Minha garganta está seca. Os pensamentos estão uma bagunça. Tudo dói. Respiro fundo, tentando controlar o tremor nas mãos enquanto empurro as cobertas de lado. Me levanto devagar, tropeçando até a porta, o corredor escuro me engole à medida que dou cada passo em direção a escada. Os pensamentos de como vou confrontar os meus pais, me consome.

Tenho que fazer isso. Quase morri hoje. E aquele cara não estava com o olhar de que vai parar.

— Ayla! — a voz de Isaac ecoa atrás de mim.

Paro. Me viro, ainda meio tonta. Ele está alguns metros, vestindo uma regata preta e uma bermuda leve. Está sem os óculos, os olhos apertados tentando me enxergar.

— Onde está minha irmã? — pergunto com a voz baixa, seca.

— Dormindo com a Liz — ele se aproxima com passos lentos, cautelosos. — Você deve-

— Eu vou sair. Cuide da minha irmã — corto antes que ele se aproxime demais, e sigo para a escada.

— Você tem que ficar com ela — ele insiste. — Ela se culpou.

— Eu tenho coisa mais importante pra resolver.

— Tipo o quê? Ir bater boca com os seus pais logo depois de ter quase morrido?

— Fica fora disso, Isaac — rosno.

— Fiquei dentro quando tirei você das mãos daquele louco — ele se aproxima mais, a raiva em sua voz agora é nítido. — Você devia estar deitada, descansando.

— Não, valeu. — tento descer mais um degrau, mas ele se coloca na frente. — Sai da minha frente!

— Você vai desmaiar de novo desse jeito! — ele levanta a voz. — Está pálida, cambaleando! Quer morrer? É isso?

— Cuida da sua vida, nerd do caralho! — empurro seu peito, e é como empurrar uma parede. — Você não estava nem aí pra mim antes, e agora quer bancar o herói? Que merda deu em você, hein? Além de tapado é bipolar.

— Tô tentando salvar a porra da sua vida! E você só quer se jogar no meio do problema, como se isso fosse resolve-

— Desde quando você se importa com a minha vida? Vai se foder, Isaac.

— Para de me cortar! — ele avança um passo, exalando raiva. — Sua irmã chorou por você, Ayla. Se sentia inútil. Fraca. E você nem ao menos quer olhar pra ela? Ela te ama mais do que tudo! Iria morrer por você!

— Todos nós vamos morrer um dia.

Ele para. Os olhos arregalam como se eu tivesse cuspido.

Eu passo por ele, descendo as escadas, seguindo em direção à porta. Mas ele é rápido — a mão forte segura meu braço, e com a luz da cozinha acesa, vejo o brilho de fúria nos olhos dele.

— Você tem noção da merda que acabou de falar? — ele rosna, e tenta me encarar de perto. — Claro que não, né? Bateu com a cabeça e agora virou uma idiota de novo. Sua burrice voltou com força total!

— Vai se foder, Isaac! Eu menti?! Hein?! TODO MUNDO VAI MORRER UM DIA!

— NÃO MENTIU! — ele grita. — Mas precisava falar assim?! Como se não significasse nada?! Alice se culpou por tudo. Chamava a si mesma de fraca, repetia que devia ter feito mais! A única que pensava em você o tempo todo foi ela! E você nem sequer quer ver o rosto dela!

Ele me empurra com força contra a parede. O impacto me faz perder o ar por um segundo. Meus olhos se arregalam.

— ISSO NÃO É PROBLEMA SEU! — grito, a garganta ardendo. — O QUE MINHA IRMÃ FAZ NÃO É DA SUA CONTA! Eu sou grata pelo que ela fez, mas não quero bancar a irmã carinhosa agora! — grito, com a respiração em frangalhos. — Eu tô puta da vida!

Ando até a porta. Ele vai na frente outra vez, com a mão na maçaneta.

— ISAAC! — grito, com raiva fervendo.

— Você não está em condições. Nem emocionalmente, nem fisicamente. Olha pra você! Se quer resolver isso, faça amanhã quando estiver melhor.

— ABRE ESSA MERDA DE PORTA! — rosno, cega de fúria.

— NÃO! — ele berra, firme.

E foi a gota.

Meu punho se fecha por instinto, e com toda a força que me resta, eu acerto o nariz dele. Um estalo surdo e seco ecoa na sala, e Isaac cambaleia pro lado com um gemido de dor, as mãos indo ao rosto.

Abro a porta com fúria, atravesso a varanda e sigo descalça pela rua fria. Não me importo com o asfalto arranhando meus pés. A dor de cabeça está insuportável, cada passo é como uma pancada interna.

O portão está longe. Minha visão escurece nas bordas. Paro e aperto os olhos. Um gemido escapa, alto.

As pernas falham. O chão me recebe com violência. E finalmente, choro. Em silêncio. Por esse caos que caiu sobre nós feito uma maldição.

Passos se aproximam. Pés parados na minha frente. Levanto minha cabeça com dificuldade.

Isaac se agacha. A luz amarela revela seu rosto suado, o nariz sangrando. Uma mecha do meu cabelo cai sobre meus olhos e ele a tira com um gesto delicado. A visão está embaçada pelas lágrimas.

— Não me toca — murmuro, tentando empurrá-lo. Mas ele me ignora.

Ele se aproxima mais de mim. Suas mãos envolvem meu corpo com cuidado. Me ergue como se eu não pesasse nada.

Continua...

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