Capítulo 42

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Ayla Miller

O silêncio no apartamento de Isaac não me incomoda — pelo contrário, me conforta.

Eu não queria vir. Queria me trancar no quarto e desabar. Queria gritar no travesseiro até minha garganta rasgar. Mas Isaac insistiu. Entregou as chaves do condomínio.

Ele ainda não cuidou dos próprios ferimentos. O lábio cortado e o hematoma na lateral do rosto denunciam a briga violenta de minutos atrás, mas, em vez de gelo ou repouso, ele está na cozinha, cortando legumes com a mesma calma de quem nunca encarou a morte. O cheiro da comida começa a se espalhar pelo ambiente

— Não vai me contar o porquê daquele cara te querer morta? — pergunta, sem tirar os olhos da tábua.

— Não. — respondo com firmeza, mas baixo o tom logo em seguida — Desculpa.

— Por quê?

— Porque esse assunto não é seu. — meu olhar encontra o dele.

Isaac para e larga a faca. Se endireita, braços ao lado do corpo. Seus olhos se estreitam ligeiramente, e ele franze uma das sobrancelhas como se tivesse ouvido algo absurdo.

— Meio que... passou a ser meu — diz ele, com a voz rouca e um pouco mais fria.

— Não passou! — rebato — Por favor, fica fora disso, Isaac. É perigoso demais.

Ele me encara por alguns segundos. Sério. Silencioso. Até que concorda com a cabeça, um gesto contido.

Observo o punho direito dele, inchado, com marcas vermelhas profundas. Deve estar latejando, mas ele nem parece sentir dor. Meu corpo está virado para o balcão, os olhos perdidos. Eu penso demais. Penso em como tudo se desmoronou tão rápido. Penso no Layam. Penso nos meus pais. No passado escondido. No menino que desapareceu... no irmão que voltou com sede de vingança.

E quando menos espero, mãos fortes seguram minha cintura e me erguem. Um pequeno sobressalto escapa da minha garganta enquanto Isaac me coloca sentada sobre o balcão de mármore. O contato com a pedra fria contrasta com o calor das mãos dele que, agora, se fixam firmes na minha cintura.

Seus olhos me analisam, intensos demais para eu conseguir sustentar por muito tempo.

— O quê? — pergunto, surpresa, sem entender a aproximação repentina.

— No que está pensando?

— Em nada...

— Em nada? — ele sorri de lado — Então, qual foi a minha pergunta?

Ele se inclina, puxando meu corpo para mais perto. Só então percebo o jogo.

— Você perguntou se podia me beijar — murmuro, com firmeza.

O sorriso que se forma em seus lábios confirma.

— E não pode — completo.

— Por quê?

— Porque você está machucado — aponto com o olhar.

— E isso importa?

— Seu lábio...

— Não vou sentir dor — diz, se aproximando mais. Sua voz abaixa, grave — Ou é porque você não quer?

Sua respiração se mistura com a minha. Meus batimentos ficam descompassados. E antes que eu possa responder, ele desvia não para longe, mas para mais perto. Seus lábios tocam meu pescoço com precisão, como se ele soubesse exatamente onde me arrepiar.

Minha cabeça deita para o lado, dando espaço. Fecho os olhos. Sinto a ponta dos seus dedos afastarem meu cabelo, e os beijos descem pelo meu ombro, lentos, mornos.

Sua outra mão encontra minha perna, e um calor intenso percorre minha espinha quando ele começa a subir com ela, levantando lentamente o vestido. A palma da mão dele é quente, mas o toque é delicado. E mesmo assim, firme.

Solto um suspiro preso quando ele aperta minha coxa com mais força. A mão desliza e, ao mesmo tempo, os beijos sobem para minha mandíbula, indo direto para minha orelha. Mordisca meu lóbulo com tanta sutileza que meu corpo inteiro reage em arrepios.

Então ele para. Fica frente a frente comigo. Olhos nos olhos.

— Quer tentar de novo?

A pergunta não é sobre o beijo. E nós dois sabemos disso.

— Quero.

Ele me observa por mais tempo do que o necessário. Busca no meu rosto algum sinal de hesitação. Mas não vai encontrar.

Isaac vai até o fogão e desliga tudo. Eu quase pergunto se ele não vai terminar de cozinhar, mas não dá tempo. Ele volta, me puxa com firmeza, obrigando minhas pernas a prenderem em seu quadril e nos encaminha para o andar de cima.

O quarto é silencioso. Quente. As luzes estão apagadas, mas a claridade da janela revela o suficiente. Sinto o colchão macio sob meu corpo quando ele me deita, e suas mãos sobem pelas minhas pernas com uma lentidão, como se cada centímetro fosse sagrado.

— Vou tentar ser carinhoso, ok?

— Aham...

Aham? — ele ri, arqueando uma sobrancelha.

— Desculpa — cubro o rosto com as mãos — Estou nervosa.

— Não tem problema. — sua voz está mais suave agora — Quando você começar a sentir prazer... o nervosismo vai embora.

Seus dedos alcançam a borda da minha calcinha, e meu corpo responde antes de mim. Um arrepio gelado percorre minha espinha, mesmo que suas mãos sejam quentes.

— Por que você quer transar comigo? — a pergunta escapa. Nem sei por quê.

Isaac não responde de imediato. Só me olha. Através da fresta entre meus dedos, vejo a intensidade nos olhos dele.

— Porque você me atrai — sua voz é baixa, quase um sussurro. — De um jeito estranho... quase perigoso. E eu gosto disso.

Ele se inclina e me beija, mas não com pressa. É um beijo lento, cheio de intenção. A língua dele encontra a minha, e a sensação é... indescritível.

Meus dedos tocam seu rosto, enquanto ele puxa minha calcinha devagar, até tirá-la. Quando se afasta para olhar, meus joelhos se fecham instintivamente, mas ele pressiona levemente, apenas o suficiente para mostrar que está ali. Que é ele quem está no controle.

Estou com vergonha. Nervosa.

Continua...

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