Capítulo 59

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Ayla Miller

— O quê?

— Só te solto se me der um beijo — o sorriso torto dele bagunça mais meu corpo do que deveria.

— Você é uma criança, por acaso?

— Não. Mas ainda quero o beijo.

Respiro fundo, tentando manter algum controle da situação. Me aproximo, e deixo um beijo leve em sua bochecha.

— Não é aí que eu quero — ele diz, com aquele tom baixo e provocante.

— Você não especificou o local — rebato

— Quero na boca.

Fico parada por alguns segundos, digerindo o que ele pediu. E o jeito como ele olha pra mim... me desmonta. Crio coragem e beijo.

Nossos lábios se tocam, e, por reflexo, fecho os olhos. Era pra ser um selinho rápido, mas a textura macia da boca dele me prende. É quente, deliciosamente viciante. Não queria... mas cedi. Me entreguei.

Liam aprofunda o beijo, e mesmo sabendo que não era pra seguir esse caminho, meu corpo responde por mim. Me aproximo, unindo ainda mais nossos corpos, sentindo a respiração dele colidir com a minha. Os sons suaves do beijo preenchem o quarto, e é como se nada mais existisse além disso.

Minhas mãos exploram seu peito úmido, descendo devagar como se estivessem memorizando cada traço. É uma obra de arte viva.

Mas ele desacelera. Beija meu lábio superior com delicadeza e se afasta, o sorriso em seu rosto é tão provocante que arrepia até a alma.

— Boa noite — sussurra, fazendo meu corpo vibrar.

— Ah... boa noite — respondo num fio de voz, mas meu olhar gruda no dele.

Ele se aproxima novamente. Sua mão na minha cintura queima onde toca.

— Deixa a porta destrancada — sussurra, os olhos presos aos meus lábios. — Quando todos estiverem dormindo... eu vou pra lá.

— Mas... a gente não pode transar... — lembro, quase como um aviso para mim mesma, não pra ele.

— E não vamos — sua voz rouca me invade. O polegar passa devagar pela minha boca, lento. — Mas a gente pode fazer outra coisa... se me prometer gemer bem baixinho. Seu quarto é longe o suficiente. Vai funcionar se seguir essa regra.

Concordo com a cabeça. Meu corpo já vibra com a antecipação. Afasto-me dele, meio excitada, e saio do quarto.

***

A luz fraca do abajur projeta sombras no teto. Estou deitada, ouvindo o silêncio se esticar. Liam não veio.

Talvez tenha dormido. Talvez tenha mudado de ideia. Ou talvez isso tudo tenha sido só provocação e eu fui idiota o bastante pra acreditar.

Suspiro e me mexo para apagar a luz, mas paro quando ouço a maçaneta girar devagar. A porta se abre, e Liam entra como uma sombra viva. Tranca atrás de si.

— Desculpa a demora — murmura, já se aproximando da cama.

Não me dá tempo de responder. Seu corpo se encaixa sobre o meu com naturalidade, e o beijo que me dá... me faz esquecer o mundo. É quente, desesperado, mas ainda assim, cuidadoso.

Minhas mãos se enroscam em seus cabelos secos, seguindo cada movimento da sua língua, cada toque da sua boca. Sinto seus dedos subirem a barra da minha camisola, e o ar me escapa. Seu sorriso surge no meio do beijo, malicioso, ao perceber que não estou com calcinha.

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