Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Já estou na casa do Brian, encostada numa parede do quintal, me sentindo uma completa idiota. Olho em volta e vejo os outros: todos arrumados demais, descolados demais. E eu? Me sinto deslocada. Talvez não seja nem que eles estão melhores... talvez só estejam exagerados.
— E aí — a voz familiar de Ryan me puxa de volta.
Forço um sorriso, tentando disfarçar a insegurança.
— Estou muito exagerada?
— Claro que não! — ele me examina de cima a baixo com um sorriso lento — Tá uma tremenda gata.
Reviro os olhos, sem conseguir acreditar no elogio. É o tipo de coisa que ele diria até se eu estivesse usando um saco de lixo.
— Me dá um cigarro?
— Quê? Nem ferrando! Teu pai-
— Eu sei o que meu pai disse — corto, roendo o que resta das minhas unhas — Tô nervosa, ok?
— Nervosa por causa do nerd? Nem é certeza que ele vem.
— Então eu vim assim pra nada? — dou um passo à frente, fazendo ele olhar melhor meu visual.
— Claro que não. Veio assim... pra mim.
— Nossa, que piada, hein — digo com desgosto, virando o rosto.
— Ei! Querem ver um cachorro que achei na rua? — Brian grita lá do fundo do quintal, com aquele entusiasmo dele.
Curiosa, sigo até onde ele está. Atravessamos um portão lateral e damos de cara com uma cena inesperada. Numa casinha improvisada, uma cachorra magra, exausta, amamenta uma ninhada de filhotes.
— Você disse que era só um. — cruzo os braços, olhando pra ele.
— Foi só modo de falar. Eu achei a mãe depois... aí ela me levou até os filhotes — ele dá de ombros, tomando um gole da bebida. — Tô sem tempo pra cuidar deles. Quer algum?
— Eles ainda estão mamando, Brian. Não pode simplesmente sair dando assim. — me agacho perto dela — Tem que esperar um tempo, deixar eles crescerem.
— E agora?
— Agora você cuida deles. — falo como se fosse óbvio.
— Eu não tenho tempo — diz ele, meio impaciente.
— Então contrata alguém. E vai comprar comida decente pra ela. — lanço o olhar mais mandão possível.
Ele revira os olhos, resmungando enquanto caminha de volta pra casa.
— Traz uma vasilha com água pra ela — peço pro Ryan, que até então só observava em silêncio.
— Tá bem.
A cachorra levanta a cabeça com esforço. Seus olhos têm um peso que reconheço. Ela está faminta, esgotada...
— Brian não sabe cuidar nem dele mesmo, e trouxe vocês pra cá como se fosse suficiente — murmuro, passando os dedos devagar pelo pelo dela — Não dá pra confiar vocês a qualquer um. Tem gente demais nesse mundo que finge se importar e só machuca depois.
Ela apenas me encara. De repente, escuto passos se aproximando atrás de mim.
— Pode colocar aqui — digo, achando que é o Ryan com a água.
— Colocar o quê?
Ergo os olhos rápido... vendo Isaac, parado bem ao meu lado, usando uma roupa simples, mas que, de algum jeito, o deixa absurdamente lindo. Como pode alguém parecer tão deslocado e ainda assim parecer certo?
— Você realmente veio... — digo, sem conseguir esconder o leve brilho na voz — Em uma festa de... gente burra.
— Às vezes gosto de agradar meus fãs — ele responde com um meio sorriso, mas logo seu olhar se fixa na cachorra — Ela está com fome.
— Eu sei. Brian foi comprar ração — digo, voltando o olhar para os filhotes. Um deles tenta escalar minhas pernas com as patinhas minúsculas — Opa! — o coloco de volta na caminha com cuidado.
— Ela tá bem fraca — ele se abaixa ao meu lado, e eu quase perco o ar. Céus. Por que ele cheira tão bem assim? — Quando ele a trouxe?
— Pra ser sincera, eu não sei. — mordo o lábio, tentando manter o foco no cachorro e não nele — Dois dias, talvez?
— Tem que levar ela num veterinário.
— Brian não tem tempo.
Toco um filhote de leve, e ele solta um chorinho agudo.
— Ai! — me afasto — Será que machuquei?
— Você não machucou. — ele pega o filhote com delicadeza, o segurando com uma mão grande e firme. O bichinho logo se acalma, aninhado contra o peito dele — Ele só tá feliz. Tá sentindo carinho pela primeira vez.
Isaac sorri. Um sorriso de verdade, daqueles que mostra os dentes. Meu coração dá um salto. Fico tão sem graça que desvio o olhar, engolindo seco. Não cora, Ayla, pelo amor de Deus...
— Aqui. — a voz do Ryan me puxa do transe.
Ele aparece com uma vasilha de água colocando perto dela, e a cachorra, faminta, começa a beber imediatamente.
— Você veio mesmo... Inacreditável ver um nerd no meio de uma festa de jovens... burros — Ryan provoca.
— Às vezes venho me divertir. — Isaac responde, sem sequer olhar pra ele. — Me ajuda a levar eles pra uma associação de resgate.
— Claro — respondo antes mesmo de pensar.
— Legal. Só vamos esperar o garoto de cabelo queimado chegar com as rações.
— Isso é bullying — digo, mas não com raiva.
— Tô só devolvendo tudo que ele já fez comigo.
— Como assim? — pergunto
Antes que ele responda, Brian volta, carregando uma sacola com ração e algumas latas.
— Você veio mesmo... Como soube onde era minha casa?
— Que ração você comprou? — Isaac toma a sacola, ignorando o ruivo — Pelo menos comprou a boa. Milagre.
— Como é?
— Brian! — chamo antes que ele surte — Vamos levar os filhotes pra associação onde o Isaac ajuda, tá bom?
— Tá, tanto faz. — ele vira as costas, resmungando, indo com Ryan pra dentro da casa. Tá claramente de mau humor.
Ajudei a preparar a comida da cachorra. O silêncio entre nós é confortável, mas ao mesmo tempo... incômodo. Queria conseguir puxar assunto, mas não sei o que dizer. Não com ele tão perto assim.
— Me acompanha até a associação? — ele pergunta, num tom tranquilo, mas que faz o coração acelerar.
Engulo em seco. Meu corpo responde antes da minha mente.
Aceno com a cabeça.
Continua...
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