Capítulo 72

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Isaac Willian

— Elas estarão seguras?

— Sim. Garanto a segurança delas. — ele coloca um papel sobre a mesa. — Assina. Preciso de você ao meu lado enquanto durar meu governo.

Esse homem só fica quatro anos. Ninguém o suporta. Roubou votos, é um canalha.

— Certo.

Pego a caneta e assino. Ele guarda uma cópia e me entrega a outra. Rasgo sem pensar.

— Se eu descobrir que você está rondando ou tentando descobrir algo sobre a vida delas, dou um fim no seu governo. — jogo os papéis na mesa. — Mais alguma coisa?

— Sim. Elas precisam sair hoje do país. Antes da meia-noite. Pode usar meu jato particular. Você não precisa saber para onde vão.

Filho da puta.

— Beleza.

Viro de costas e empurro o segurança ainda com a arma em punho. Minha mãe balança a cabeça em silêncio. Estou irritado demais para falar com ela.

***

O frio na barriga não me abandona. Estou nervoso. Tenho medo de Ayla me esquecer nesses quatro anos. Droga. Eu ia pedi-la em namoro hoje. Agora vou ter que esperar.

Esperei onze anos. Mais quatro não deveriam ser nada... mas doem como uma eternidade.

Bato à porta. Os seguranças me deixam entrar sem resistência — até estranho que não me atacaram. Precisei dar um tempo, clarear a cabeça, mas nem pude buscá-la no colégio. Deve ter se decepcionado.

Desculpa, Aly...

— Ah, Isaac! — ela me encara surpresa.

— Faz uma mala com o essencial.

— O quê? — o nervosismo toma seus olhos, ainda mais porque os pais estão na sala.

— Só faz o que eu disse.

— O que deu em você?

— Pega o essencial pra você e pra sua irmã. Vamos agora. — minha voz sai dura, quase uma ordem.

— Isaac... — suas sobrancelhas se abaixam.

— Faz o que ele pede, filha. — a voz firme de Rafael a faz se virar. — Arruma o essencial da Liz e vai com ele.

— Por quê? O que está acontecendo?

— Só faça. — a calma dele soa como quem já sabia.

Ayla fica perdida, mas obedece. Entro na casa. O irmão mais velho finge estar no celular; os pais leem como se fosse nada. Pela forma como não reagem, está claro que sabem de tudo.

— Já sabem de tudo, né? — digo.

— Garoto, acha que somos ingênuos? — Rafael vira a página. — Sabíamos que um dia isso chegaria.

— E não vão fazer nada?

— Sabemos que estarão seguras. — agora é Daiana quem responde.

O silêncio pesa. Eles parecem tranquilos. Eu, não. Engulo a raiva e fico calado. Sozinho aqui, não adiantaria começar uma briga.

Minutos depois, Ayla desce com Alice e duas mochilas. Pego o que ela segura.

— O que está acontecendo? — pergunta.

— Se despede dos seus pais. — não olho, mas sei que ela entendeu.

Ela hesita, mas vai até eles. Alice chora. Ayla permanece firme, séria.

Saio primeiro, guardo as mochilas no carro e abro a porta para as duas.

O caminho até o aeroporto é sufocante. Alice soluça baixinho no banco de trás. Ayla não diz uma palavra. Saímos do carro às pressas, o jato particular do presidente já pronto para partir. Quando tento pegar sua mochila, ela me detém e carrega sozinha.

— Desculpa. — minha voz sai trêmula, e ela para. — A decisão foi hoje. Se vocês não saíssem do país, seriam presas.

A mochila cai das mãos dela. Ayla se vira para mim. Os olhos marejados logo transbordam, as lágrimas correndo pelas bochechas.

— Por isso você não foi me ver à tarde?

— É... — acaricio seu rosto, puxando-a mais perto. — Eu ia te chamar pra sair hoje. Me perdoa.

— Perdoar pelo quê? Você não tem culpa. Só... não vai poder vir, né?

— Por agora, não.

Ela encosta a cabeça na minha mão. Beijo sua boca, e ela me beija de volta.

Puxo do bolso a pequena caixa do anel. Escondo no bolso da blusa que ela veste. Ela interrompe o beijo, confusa.

— O que é isso?

— Um presente. Eu queria te dar hoje. Abre quando estiver no avião, tá?

Ela apenas concorda, enxugando as lágrimas. Roubo mais um beijo, longo, como se fosse o último.

— Eu te amo. Espera por mim.

— Sempre. — ela sussurra. — Eu te amo, Isaac.

Precisei de toda a força que tinha para deixá-la ir. Meu coração se partiu ao vê-la desaparecer com Alice no edifício do aeroporto. Agora estão seguras, mas longe de mim.

A dor no peito é insuportável. Sei que os próximos quatro anos serão tortura. Não poderei ligar, mandar mensagens, nada. Regras daquele desgraçado. Mas ele não dura para sempre.

Escreverei todos os dias uma carta. Vou guardá-las até o dia em que a reencontrar.

Meu amor.

Continua...

É triste, mas não se desesperem, ainda não acabou

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É triste, mas não se desesperem, ainda não acabou.

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