Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Juro que meu cérebro entrou em curto. Nunca me ocorreu que o Isaac pudesse namorar. Eu estava tão focada — tão ridiculamente focada — em me aproximar dele, em decifrar cada gesto, cada olhar... que esqueci do mais óbvio: talvez ele já tenha alguém. Talvez ele já esteja apaixonado. Talvez ele nunca tenha me olhado como eu olhei pra ele.
E agora? Como é que eu sigo vivendo? Com dor no coração e um colapso por dia?
Merda. Eu sou uma piada ambulante.
— Voltou a ensinar as pessoas? — a ruiva pergunta, mas os olhos, esses olhos dela estavam cravados em mim. Como se analisassem cada centímetro do meu rosto.
— Sim. Ela está me pagando uma boa quantia. — Isaac responde, como se fosse só mais um dia comum.
Quantia...? Nem tocamos numa quantia ainda. Ele só inventou isso pra não levantar suspeitas? Ou pior: pra justificar minha presença?
— Sou Tifanny! — a garota diz, estendendo a mão com um sorriso que beira a perfeição.
— Ayla. — aperto sua mão com firmeza, tentando manter a dignidade. Mas meu desânimo vaza pelo meu olhar, pelo meu tom de voz, por cada centímetro do meu corpo que queria evaporar dali.
Porra, Ayla. Você é um lixo mesmo, né? Dando em cima de um cara comprometido? Isso é baixo... tão baixo.
— Onde está a minha irmã? — Isaac pergunta, e a essa altura, até a voz dele me incomoda. Me irrita porque eu a amo. E isso dói.
Uma menina pequena se aproxima e envolve os braços finos ao redor da cintura dele. Ela é um encanto: cabelo preto liso preso em um rabo de cavalo bem esticado, óculos que escorregam um pouco no nariz e uma expressão iluminada de felicidade. Fofa...
— Oi! Eu sou a Liz! — diz com entusiasmo, estendendo a mão minúscula pra mim.
— Sou a Ayla. — seguro sua mão com gentileza. Essa menina... ela é adorável. E, sinceramente, a única coisa boa que meu dia me deu até agora.
Mas enquanto Isaac e Tifanny conversam do outro lado, tão próximos que quase se tocam, eu me encolho. Meu peito aperta de um jeito sufocante. Um nó se forma na minha garganta. Não dá pra olhar aquilo por mais um segundo.
Abafo tudo tentando me concentrar. Me forço a olhar a maldita prova. Tentar fazer. Tentar me ocupar.
Isaac volta, senta ao meu lado, como se nada tivesse acontecido. Como se meu mundo não tivesse virado pó.
— Deixa eu explicar a prova pra você. — ele diz, puxando a folha — Presta atenção, vou explicar uma vez só. Na faculdade ninguém tem paciência, e você vai ter que se virar.
Assinto em silêncio. Tento absorver o que ele diz, mas minha mente já foi. Os números e fórmulas se misturam com a dor no peito, e não faz sentido nenhum. Tento focar nos lábios dele, nos movimentos... talvez isso ajude. Mas só piora.
— Entendeu?
— Aham... — respondo com um sorriso forçado, puxando a folha.
O olhar dele é quase uma sentença. Ele sabe que não entendi porra nenhuma.
— Vou tentar resolver. — sussurro, envergonhada.
***
— E de novo... você errou tudo. — Isaac solta um suspiro tão longo que parece puxar minha alma junto. — Ah, espera... — ele gira a folha — ...você acertou uma.
Ele bate a folha na mesa, impaciente.
— Como pode ser... tão burra?
Sinto como se ele tivesse me dado um tapa na cara.
— Olha, ninguém é burro. Só aprende em ritmos diferentes. — murmuro, quase como defesa automática.
— Pessoas burras conseguem acertar pelo menos três questões. Você não acertou nenhuma em cinco folhas! Eu te expliquei, Ayla! Dei as respostas quase desenhadas e mesmo assim você errou. Eu sou uma piada pra você?
Seu olhar queima. Me encolho um pouco, sem saber o que responder.
Tifanny ri. Não alto. Mas o suficiente pra eu ouvir. Fingindo estar no celular, mas com aquele risinho debochado nos lábios. Que vontade de socar ela...
— Desculpa... — sussurro, sem encarar ninguém.
— Chega por hoje. Vai pra casa e lê esse livro. — ele joga na minha frente uma enciclopédia disfarçada de caderno. — Tem todas as matérias aí. Tenta resolver as questões sem olhar as respostas. Me entrega tudo amanhã. Se esforça um pouco mais, tá? Por favor.
— Tá.
Engulo o orgulho. Enfio o livro na mochila com força, me levanto.
— Vou te pagar mil por semana, tudo bem?
Ele parece surpreso.
— Mil dólares é muito.
— Você vai ter um puta trabalho me ensinando. Não acho muito... acho justo. — dou um meio sorriso, mais triste que outra coisa. — Até amanhã.
Viro antes que ele diga algo. Me recuso a chorar ali. Saio da biblioteca com passos rápidos. O peso do livro na mochila parece pequeno comparado ao peso no meu peito. Tanta vergonha. Tanta decepção comigo mesma.
Como eu fui tão idiota de não pesquisar? Isso era o mínimo. Mas não... fui sonhar acordada. Achar que talvez ele retribuísse. Achar que talvez... fosse possível.
Agora, quem vai ter que me aguentar desabando, chorando e amaldiçoando o universo, vai ser o Ryan. Boa sorte pra ele.
Eu só queria desaparecer.
Continua...
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