Capítulo 7

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Ayla Miller

Apertei a colher com força entre os dedos, sentindo o metal gelado. Isaac estava ajoelhado no chão, enquanto risadas ecoavam pelo refeitório, estrondosas e cruéis. Alguém do time de basquete derramou comida por cima da cabeça dele, transformando o garoto de óculos em um espetáculo público. Ele mexia a boca, tentando pedir que parassem. Mas não paravam.

Os ombros largos de Isaac foram agarrados com brutalidade e, em segundos, ele foi levantado do chão e arremessado no meio do salão. O impacto arrancou mais risos dos colegas. Era humilhante.

Meu pai deixou claro o que aconteceria se eu brigasse. Mas, nesse momento? Foda-se o que ele pensa.

Peguei a caixinha de suco com firmeza. Caminhei até eles, ignorando os chamados de Ryan ao fundo. O capitão do time estava de costas para mim, rindo, se achando o rei do mundo. Mirei. Acertei. A caixinha de suco atingiu a nuca dele com um som seco, e o silêncio caiu como uma tempestade. O suco escorreu pelos ombros do idiota, tingindo o uniforme caro de laranja viscoso.

Ele se virou devagar. E foi aí que Ryan se colocou entre nós. Ganhou tempo.

Corri até Isaac. Ele ainda estava no chão, com a cabeça baixa, coberto de restos de comida. Me ajoelhei e comecei a limpar seu rosto com o guardanapo da bandeja.

Mas, do nada, a mão dele agarrou meu pulso. Forte. Fria.

— Não preciso de ajuda de uma garota patética e fraca como você. — ele cuspiu as palavras, como se eu fosse algo nojento. A pressão aumentou por um segundo, e então ele soltou.

Fiquei ajoelhada, com os olhos arregalados. Ele já estava de pé, andando rumo à saída, sem nem olhar pra trás.

As palavras dele bateram com força. Cortantes. Frias. Como se cada sílaba tivesse cravado uma faca no meio do meu peito. Me senti uma idiota.

Levantei devagar, tentando disfarçar a dor que queimava no rosto e se escondia atrás do meu sorriso morto. Saí pela outra porta, o caminho oposto ao de Isaac. Queria ar. Queria desaparecer.

— Ele falou alguma coisa? — a voz de Ryan me alcançou.

— Falou... — respondi baixo, olhando para o chão.

— O que foi?

— Que sou patética e fraca. — me virei para ele.

— Você é a garota mais forte que eu conheço. — disse ele sem hesitar.

— Então por que ele disse isso? — murmurei, frustrada, confusa. — Eu só queria ajudar...

— Ele tava machucado. Irritado. Envergonhado. Você viu tudo, né? A risada da escola inteira, a comida, o tombo... Ele só descontou em quem tava mais perto. Acredite, ele vai pedir desculpas.

— Vai? — levantei a sobrancelha

— Com noventa por cento de certeza! — Ryan tentou um sorriso, mas o meu não veio. — Na hora da raiva a gente vira outra pessoa. E você foi a única que ficou do lado dele. Isso vale muito mais do que qualquer palavra atravessada.

— Tomara... — sussurrei

— Ei, não fica assim! — Ryan deu um empurrão leve no meu ombro — Depois da aula, te levo pra comer o maior sanduíche do universo.

— Sério?

— Combo infantil. Mas ainda assim o maior pro seu tamanho.

Soquei o ombro dele com força. Ele se afastou, rindo e gemendo de dor, e eu revirei os olhos.

— Se falar da minha altura de novo, faço você ficar do meu tamanho.

— Como?

Ele se abaixou até ficar na minha altura. Um desafio idiota.

— Arrancando suas pernas.

Ele levantou as mãos, rendido. O braço caiu ao redor dos meus ombros.

— O que acha de me ver treinar?

— Uma péssima ideia. — respondo, dando as costas — Você não sabe jogar futebol americano

— Ei!

***

— Onde você está?! — quase gritei com o armário, puxando tudo de dentro.

Livros, cadernos, estojo, roupas... E nada. A pulseira que o Ryan me deu quando fiz quinze anos. A caixinha vermelha onde eu deixava... sumiu. Eu tinha certeza que estava ali, ao lado dos livros de matemática.

Será que alguém descobriu a senha do meu armário? Não... não pode ser. Mas e se foi?

A batida na porta do armário me fez segurar a respiração. Ryan? Provavelmente.

Afastei um pouco para trás, vendo quem poderia ser

— Você tem um minuto?

A voz me arrepiou.

— Ah... é... s-sim. Claro. — me encostei no armário, tentando controlar o coração que ameaçava sair pela boca.

Isaac parecia desconfortável. Ele suspirou, arrumando a alça da mochila no ombro.

— Sobre hoje mais cedo... — começou — Desculpa. Eu tava... péssimo. Muito puto. Tinha muita gente rindo, me senti um lixo. E aí você apareceu, e eu... — ele coçou a nuca, desviando o olhar — Eu falei merda. Desculpa mesmo. Obrigado pela ajuda.

Ele sorriu de lado. Um sorriso tímido, sincero.

— Certo... disponha. — foi tudo o que consegui dizer.

Sério? Disponha?

— Sobre os estudos... — ele começou, mas eu o interrompi.

— Ah, eu ia falar disso com você! — sorri rápido, tentando esconder o nervosismo — Vou sair com o Ryan hoje. Podemos estudar amanhã?

Ele hesitou.

— Um dia é valioso, né? As provas estão chegando...

— Mas amanhã tá ótimo — me apressei em completar, já sentindo o cérebro gritar ele tem namorada!

— Beleza. Amanhã então.

Ele sorriu de novo, e dessa vez, eu retribuí.

Continua...

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