Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Me afasto um pouco mais no labirinto sufocante de espelhos, tentando manter minha voz firme.
— Cara, acho que você tá delirando! Para de me seguir! — grito, com a garganta seca, tentando soar firme o suficiente para que ele me ouça, mas não tão alto a ponto de revelar minha localização exata.
— Não. Te matar pode ser uma esperança, Ayla... pensa nisso. Se você morrer, talvez eles parem de matar. Talvez, pessoas inocentes continuem vivas.
— ELES NÃO VÃO PARAR! — berro com raiva
Silêncio por alguns segundos... depois, sua voz retorna, carregada de uma convicção insana:
— Vão sim. Quando virem seu corpo... vão perceber o que são. Pais horríveis. Vão largar tudo, a matança, os segredos. Vão tentar proteger os outros dois. Não é incrível? Sua vida... por várias. Você seria uma heroína, Ayla.
Heroína? Isso é um pesadelo com roteiro de um psicopata.
— O quê? Por acaso você trabalha pro governo agora? — digo num tom sarcástico, tentando mantê-lo falando enquanto busco uma rota de saída.
Ele ri. É uma risada fria, desequilibrada, que ressoa pelos corredores espelhados.
— Governo? — o tom dele escurece. — Eles também estão no meu caminho. Tô matando um por um. Lembra do cara que você viu aquele dia na minha casa? Ele fazia parte deles.
Merda... ele sabe. Ele sempre soube.
— Sou só alguém... ferido. Procurando vingança.
Talvez fosse uma pergunta idiota. Mas não consigo evitar:
— Qual é o seu nome?
— Layam.
Congelo. Ele realmente disse?
— Tenho dezoito anos, Ayla. Eu era só mais um adolescente comum, como você. Mas os seus pais me fizeram assim. Um assassino.
Fico parada.
— Um garoto chamado Layam vivia com seu irmão Liam. Tinham tudo: dinheiro, fama, casa perfeita. Mas por trás das paredes, os pais brigavam. A relação entre os irmãos? Conturbada. Competitiva.
Sua voz muda de tom, melancólica, amarga:
— Um dia, Layam viu uma garota... você. Pela primeira vez, sentiu o coração bater diferente. E Liam também sentiu. Apostaram entre si: quem conquistasse a garota primeiro, a levaria. O outro aceitaria. Justo, né?
Não. Não era justo. Era doentio. Mas eu me lembrava. Dele. Liam.
— Ela era perfeita... perversa, explosiva, indomável. — ele ri devagar. — Do jeitinho que eu gosto.
O labirinto gira em torno de mim. Eu não o vejo nos espelhos, apenas meu reflexo, e isso está a ponto de me enlouquecer.
— Mas Ayla começou a ficar próxima demais do Liam. Risadas, olhares, bochechas vermelhas. Ele estava ganhando. Só que naquele mesmo dia... seus pais apareceram.
E então, o som de um tiro estilhaça o espelho ao meu lado. Grito. Outro disparo faz o vidro ao meu redor explodir. Faço o impossível para correr sem ser atingida, mas os espelhos parecem infinitos, me replicando em mil versões aterrorizadas.
— Invadiram minha casa — ele continua, a voz agora soando em todas as direções. — Escondi Liam no armário do escritório. Vi meus pais morrerem diante de mim, pelas mãos frias dos seus. Liam saiu gritando, em choque. Eles o arrastaram... e ele nunca mais voltou.
Aquela dor que me esmagou anos atrás, aquela perda sufocante... foi causada pelos meus próprios pais?
— Depois disso, decidi caçar todos vocês. Um por um. Descobri que você era a filha favorita. A protegida. E aqui estamos.
— Você é doente! — grito, sem fôlego, batendo de frente com um beco sem saída. O espelho à minha frente me reflete.
— Sou? — a voz dele vem atrás de mim agora.
Me viro lentamente. Ele está ali. A máscara preta cobrindo o rosto. Os olhos escuros e famintos, como os de um predador que saboreia a presa antes do bote.
— Mas não se esqueça, Ayla... foram os seus pais que fizeram isso comigo.
— Vai se foder. — me encosto no vidro, tentando pensar em qualquer maldita saída.
Então, ele deita levemente a cabeça, e solta outra bomba:
— Ah... e você não devia confiar no seu amiguinho Isaac. Ele é exatamente o tipo de pessoa que você mais odiaria ter por perto.
Fico imóvel. Sinto cada palavra como um prego sendo cravado em minha cabeça. A dúvida lateja. O medo me consome.
Continua...
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