Capítulo 75 - Fim

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Isaac Willian

Acaricio a coxa nua dela, sentindo o calor suave da pele contra a palma da minha mão. Ayla está deitada, concentrada no trabalho que lê em voz baixa, mordendo o canto do lábio como se aquilo fosse a coisa mais séria do mundo. E, por mais que pareça uma cena comum, eu não consigo evitar o orgulho que toma conta de mim. Ela evoluiu tanto... se tornou uma mulher forte, resiliente. Uma guerreira. E ainda assim, consigo enxergar a mesma garota que sempre carreguei no peito.

Depois de transarmos, Ayla insistiu que queria revisar não apenas o trabalho, mas outras anotações. Disse que estava perdida, que precisava de um olhar diferente. Pediu minha ajuda. E eu, que antes já estava derretido por ela, agora me sinto completamente rendido.

— O que mais eu coloco aqui? — ela ergue a folha, com uma expressão de dúvida.

— Está perfeito assim. — respondo com firmeza.

— Sério? — ela insiste, olhando de novo para a folha, como se minha palavra não fosse suficiente.

— Sim. — aproximo-me, tocando sua mão. — Eu gostei, está ótimo.

Ela respira fundo, encara o texto mais uma vez até se convencer de que não precisa mudar nada. Esse jeito dela, meio inseguro e ao mesmo tempo tão dedicado, só me faz admirá-la ainda mais. Sento no colchão, ficando ainda mais perto, até nossas pernas se encostarem.

— O que você quer fazer agora? — pergunto, com aquele sorriso de quem já imagina a resposta.

— Ficar agarradinhos. — Ayla desliza para o meu colo, pressionando os seios contra o meu peito, com um olhar manhoso. — Vou te fazer cafuné, beijar você... depois beijar de novo, cafuné de novo, e mais beijos... — repete, rindo baixinho.

— Gosto da ideia. — sorrio de volta, passando a mão pela curva da sua cintura.

Mas um pensamento me atravessa de repente. A prancheta. Peguei emprestada com o homem que ia vir montar a estante da Alice e ainda não devolvi. Solto um suspiro curto.

— Já volto. — digo, me levantando apressado, a tirando de cima de mim. — Esqueci de devolver a prancheta.

Ayla me olha confusa, mas apenas dá de ombros. Visto minhas roupas às pressas, pego a prancheta no quarto da Alice e desço as escadas correndo. Saio até a rua, e lá está a van ainda estacionada. Entrego a prancheta para o homem, pedindo desculpas várias vezes. Ele não parece satisfeito, apenas me encara de um jeito estranho e vai embora sem dizer muito, arrancando com a van.

Suspiro, bagunçando os cabelos com a mão. Quando penso em voltar, noto um movimento. Alice aparece na esquina, voltando acompanhada de um garoto. Um rosto jovem, inocente... mas que me lembra um passado que preferia esquecer. A irmã de Ayla está sorrindo, leve, e o garoto parece o tipo que carrega o coração no rosto.

— Já entregou? — Ayla surge no porta com um roupão, chamando minha atenção.

— Sua irmã... — começo a dizer, mas ela já percebe.

Os olhos dela se estreitam. Sem esperar mais nada, desce correndo as escadas, abre o portão e encara Alice e o garoto. O sorriso da menina morre no mesmo instante.

— Estão atrasados. — Ayla cruza os braços, firme.

— O filme demorou... — Alice responde, e então vê meu rosto. — Isaac?! — um sorriso enorme abre em sua boca.

Ela me abraça com força, e eu retribuo, acariciando seus cabelos. Liz vai adorar revê-la, penso comigo.

— Não sabia que viria. — Alice diz, afastando-se.

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