Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
O idiota do amigo do Ryan está enrolando com o teste de DNA, só porque o loiro não pagou a dívida que devia. E agora sou eu quem paga o pato. Ótimo, né? Não posso contar com mais ninguém e ainda assim me faz esse favor no tempo dele, como se eu estivesse pedindo um favor e não tentando resolver a porra da minha vida.
Se ele tivesse feito o teste na sexta, hoje eu já teria as respostas. Mas como o universo adora ferrar comigo, nada vai do jeito que eu planejo.
Estou prestes a descobrir quem é aquele cara e o mundo simplesmente insiste em jogar pedras no caminho.
— Relaxa! Ele não vai demorar com o teste.
— Cala a boca, Ryan! — faço um gesto com a mão acima da cabeça, deixando claro o quanto estou por aqui com ele.
— Não fica brava comigo, princesa... Eu ia saber dessa dívida?
— Você faz dívida e nem lembra? — bufo, tentando não jogar a mochila na cara dele — Que estúpido!
— Estou sendo todo carinhoso, e você me chama de estúpido. Também tenho sentimentos, tá? — ele faz uma carinha triste, totalmente falsa
— Para com essa carência. Vai arrumar alguém pra suprir isso.
— Ninguém me quer. — ele deita a cabeça sobre a mesa.
— Querem sim. Você que vive rejeitando. — cruzo os braços, virando o rosto para longe. — Devia começar a gostar de alguém logo.
Meus olhos param no Isaac.
Não falei com ele nem na sexta, nem hoje. Preciso devolver os óculos dele, acabei levando sem perceber. Acho que acabei pegando por impulso quando saí às pressas do quarto.
Hoje ele está sem óculos. Deve estar usando lente. De qualquer jeito, continua lindo. Aquela concentração dele no livro me atrai de um jeito que me dá raiva.
— Acho que vou chamar o Isaac pra sair.
— E eu?
— Você vai pra casa, vê se melhora dessa sua chatice. — me levanto, pegando os óculos na mochila e caminhando até onde ele está sentado, do outro lado do pátio.
Isaac continua lendo, mesmo quando ouve meus passos se aproximando.
— Oi. — me apoio na mesa, deixando os óculos ali. Ele ergue os olhos devagar. — O que você tá lendo?
— Um livro.
— Eu sei. Quero saber o nome.
— Não é.
— Não é...?
— Não é da sua conta. — ele sorri. E não foi um sorriso simpático. — Odeio quando me atrapalham lendo.
— Por que você é assim? — sento na mesa, em frente a ele.
— Assim como?
— Frio, chato, insuportável, um demônio... tudo de ruim. E só comigo. Pode me explicar? — apoio os pés no banco, cruzando as pernas e inclinando um pouco o corpo.
— Não sei... acho que só gosto de agir assim com você. — ele pega os óculos e guarda.
— É chato.
— Igual a você. — ele volta a ler, me deixando levemente constrangida.
— Você vai sair hoje? — pergunto, sem resposta. — Tava pensando em te chamar pra um parque...
— Vou sair com a Anny.
Anny?
A líder de torcida? O quê? Isso não faz sentido nenhum. A garota mais popular e mais chata da escola vai sair com o nerd esquisito? Não. Tem coisa aí. A Anny só procura as pessoas quando quer alguma coisa. E o Isaac? Ela nem precisa da ajuda dele pra nada...
— O quê?
— Você ouviu. Não vou repetir. — ele vira a página do livro, evitando me olhar.
— Tem noção de que ela só quer te usar pra alguma coisa, né?
— Ayla, tô tentando ler.
— Por que você vai sair com ela?
— Porque eu quero.
Puxo o livro da mão dele. Ele me encara na hora.
— Não sai com ela.
— Ah, esqueci. Agora você é minha mãe. — o olhar dele endurece. — Devolve meu livro, mamãe.
— Não! Me promete que não vai sair com ela. Deve ter dedo do Nathan nisso!
Nathan. O capitão do time de basquete. O cara com quem a Anny vive grudada. Óbvio que tem armadilha aí.
— Ayla!
— Então sai comigo! Eu quero sair com você.
Ele se levanta, se aproxima, e segura o livro com força.
— Eu já aceitei o convite dela.
— Desmarca! — aumento a força na disputa pelo livro. — Ela nem é seu tipo!
— E qual é meu tipo? Nunca tive preferência, Ayla! — ele puxa com mais força, mas eu não solto.
— Por que quer sair com ela? Isso não faz sentido! Vocês nem se falam.
— O que isso tem a ver? Tá com ciúmes? — ele continua puxando.
— ESTOU!
Solto o livro no impulso. Merda. Merda. Merda.
Não devia ter dito isso. O olhar dele muda na hora. Fica mais intenso, uma mistura de curiosidade e irritação. Agora quero bater minha cabeça na parede até esquecer como se respira.
Odeio agir por impulso.
Continua...
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