Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
O olhar de Isaac queimava em mim com uma fúria tão intensa que me causava pavor.
— D-Desculpa... — minha voz treme, quase não sai — Eu invadi a casa do... do garoto de ontem. Tinha uma ficha sua lá. Eu li... dizia que você era adotado...
As mãos dele apertam meus ombros com tanta força que o ar me falta. Juro por tudo o que é sagrado, parece que meus ossos estão sendo lentamente esmagados sob os dedos dele.
— Isaac... você tá me machucando... — sussurro, ofegante.
E então, algo nele muda. O olhar assassino dá lugar a uma expressão confusa e desesperada. Ele me solta com um movimento brusco, como se tivesse sido queimado pelo próprio toque.
— Droga... — ele leva as mãos ao cabelo, puxando os fios com violência — Eu não queria... você só... descobriu algo que não podia.
Isaac me encara. Seus olhos, antes cheios de raiva, agora brilham com um tipo de tristeza silenciosa. As sobrancelhas franzidas entregam o pânico.
— Me desculpa... agi por impulso. — ele baixa o olhar — Mas, por favor... não conta isso pra ninguém. Eu te imploro.
— Eu não vou contar... — respondo baixo, sentindo a dor pulsar nos meus ombros. Ele é forte demais. Que força é essa?
E então, de repente, sua cabeça se inclina. Um beijo sutil roça o canto da minha boca — inesperado. Ele me encara como se tentasse consertar algo só com o olhar.
Sua mão toca meu rosto com uma delicadeza absurda. Meus batimentos aceleram.
— Desculpa pelo que fiz — ele sussurra, com o rosto perto demais. — Preciso de um tempo sozinho.
Sem me dar tempo para responder, ele se afasta às pressas, sem olhar para trás. Fico parada, com mil perguntas rodando em minha mente.
***
Já faz um tempo que Isaac não me dá mais aula. Desde aquela noite, tudo parece ter desandado entre nós. E agora, com a confusão envolvendo o Layam, minha cabeça está um completo caos. Mal consigo focar nas aulas. Talvez devêssemos voltar a estudar juntos...
Ryan disse que viu Isaac na sala de estudos, aquele cômodo só dele. Seguro a maçaneta, respiro fundo e abro a porta com cuidado.
O lugar é silencioso, bem iluminado e absurdamente organizado. Livros alinhados com perfeição, uma mesa com notebook, anotações e o sofá no canto, onde Isaac está sentado. De olhos fechados e fones nos ouvidos.
Fecho a porta devagar e caminho até ele, passando pelas prateleiras que exalam cheiro de papel antigo. Me inclino à sua frente, observando cada traço do seu rosto. O corte em seu lábio, o hematoma na lateral... cenas de ontem voltam como flashes violentos.
Estendo a mão para tocar seu rosto, mas ele se move com rapidez, agarrando meu pulso num reflexo. Seus olhos se abrem, intensos, assustadoramente atentos.
— Não deveria estar na aula? — sua voz é fria.
Ele solta meu pulso devagar.
— Estava chata — respondo, tentando não soar afetada.
— Suas notas vão decair.
— Você também não foi.
— Eu não preciso de nota. — ele retira os fones, a expressão impassível. — E você não devia estar aqui, Miller.
— Pois é. Mas entrei. — observo o ambiente ao redor — Aqui é bem legal.
— Gosto de ficar aqui. Sozinho.
Ele me olha de lado, levantando as sobrancelhas como quem espera que eu vá embora. Ignoro.
O celular vibra em minha mão. Malcolm.
Mal Descobri que você está sendo perseguida, gata.
Ayla Meu pai te contou?
Mal Saiu daqui agora. Já sabe quem é?
Ayla Sim. Não conte pra minha família. É o Layam Cooper. Conhecido de infância. Mas não quero que ele morra, Mal. Quero resolver isso sem violência.
Mal A obsessão dele já passou dos limites. E se tiver vingança no pacote, você tá ferrada. Ou mata, ou morre.
Ayla Ninguém vai morrer! Que saco! Vamos conversar pessoalmente.
Mal Te busco hoje.
— Que pena. Não vou sair. — murmuro, baixando o celular — Poderia ter trancado a porta, mas deixou aberta. Aposto que sabia que eu viria.
Isaac dá uma risada sarcástica, cruzando os braços. Viro de costas pra ele e caminho até as prateleiras. Tantos livros... tantos títulos interessantes. Queria ter metade da vontade de ler que ele tem.
Um título me chama atenção: Diário. Pego o livro. A capa é idêntica à do Layam. Mesma textura, mesma cor. Só que essa está bem cuidada, sem poeira, com as folhas limpas.
Antes que eu possa colocar no lugar de volta, Isaac o arranca brutalmente da minha mão. Seu rosto se fecha com uma fúria gelada.
— Eu não gosto que mexam nas minhas coisas. — sua voz é dura, quase cortante. — Isso é falta de privacidade. E de educação.
— Desculpa, eu só estava vendo...
— Não importa! — ele devolve o diário à prateleira com brutalidade — Não quero que toque. Se veio aqui pra fuçar, pode sair agora!
— Tá bom! Para de ser tão chato! Eu disse que não ia ler!
— E já estava mexendo! E pra ver, não precisa tocar, Ayla!
Meus olhos queimam. Por que ele mudou tanto de humor? Só por conta do diário? Aquele olhar furioso por tão pouco... nem ia abrir o maldito diário.
— Vai se foder! — rosno, empurrando seu ombro com força e saindo da sala, batendo a porta com violência.
— AYLA MILLER!
Reviro os olhos no mesmo instante em que o diretor surge, com a cara mais azeda que já vi.
— Pra minha sala. Agora!
Suspirei. Mais um problema pra conta.
Continua...
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A bipolaridade grita
Obrigada por ler! Esses foi os três capítulos de hoje, AMANHÃ volto com mais TRÊS! Até! ❤️