Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
Me encosto devagar na parede fria e metálica, tentando não entrar em pânico. Sério? Presa num elevador prestes a despencar com o garoto que eu gosto? Não podia simplesmente ser um pesadelo?
Se o elevador cair, pelo menos morro com ele. Ótimo consolo, Ayla.
Cacete. Para de pensar merda!Sacudo a cabeça, tentando expulsar o pensamento idiota. Respiro fundo, mas o ar aqui dentro está ficando cada vez mais quente, mais denso... sufocante.
Uma fraca luz vermelha se acende no botão de emergência, pulsando como um alerta.
— Você tá bem? — pergunto, sem virar o rosto.
Não ouço resposta.
Me viro devagar. Isaac está encostado no canto do elevador, a cabeça baixa, os ombros tensos. Sua respiração está rápida e irregular. Ele está tremendo.
Merda. Ele não está nada bem.
— Isaac? — me aproximo com cautela, tentando olhar seu rosto — Está tudo bem?
Ele respira pela boca, as narinas dilatadas, suor escorrendo pela testa. Está pálido. Como papel.
Foi por isso que ele hesitou antes de entrar. Foi por isso que ficou encarando aquela placa das escadas interditadas. Ele tem claustrofobia.
— Você tem... claustrofobia, né? — pergunto em voz baixa.
Ele fecha os olhos com força, como se aquilo fosse esconder o pânico.
— S-Sim... — sua voz falha, rouca — Esse ar... está muito abafado, eu...
— Ok, ok... vamos pensar em outra coisa. Ficar mandando você se acalmar não vai adiantar, eu sei disso. Então vamos ocupar sua cabeça. Me diz o que você gosta de fazer.
— Isso não vai... — ele começa, mas o elevador estremece com um rangido alto.
Isaac se encolhe, as mãos nas laterais da cabeça. Seu corpo começa a tremer mais forte.
— Só responde! — falo rápido, o coração martelando nas costelas.
— Eu gosto... de andar. Caminhar me acalma. Eu... pratico boxe porque ajuda a ocupar a mente. Não gosto de sair com muita gente. Estudar é... a única forma de alcançar o futuro que eu quero...
Ele me encara de repente, os olhos arregalados, cheios de desespero.
— Ayla... isso não tá ajudando. Esse lugar tá... encolhendo. O ar sumiu. Eu não consigo respirar, eu PRECISO sair daqui!
Ele se move de forma brusca, indo até a porta do elevador. O movimento faz a cabine inclinar de lado com um estalo de metal, e eu me desequilibro, segurando firme na barra lateral.
— ISAAC, PARA DE SE MEXER! — grito, o coração disparado.
— EU TENHO QUE SAIR! — ele responde em pânico
O alto-falante chia e uma voz irrompe:
— Eu mandei vocês não se mexerem! O que está acontecendo aí dentro?!
Corro até o botão de emergência, sem soltar a barra de ferro com a outra mão.
— Tem um garoto comigo! — o elevador range novamente — Ele tem claustrofobia!
— O quê?!
— Claustrofobia, porra! Ele pode desmaiar, ou surtar, ou pior!
— Tenta manter ele calmo! Se vocês continuarem se mexendo, o elevador pode cair!
— Você não tá entendendo! Ele já está entrando em pânico! Cade os bombeiros?!
— Por que ele entrou se tem claustrofobia? Eles estão a caminho! Chegam em cinco minutos!
Isaac está encostado de novo no canto, tremendo como uma folha, puxando o ar em curtos suspiros.
— Eu achei que... — ele passa a mão pelo rosto, molhado de suor — Achei que dava pra aguentar por alguns segundos... só queria te acompanhar até lá embaixo...
— Não precisava! — digo — Eu sei sair de um prédio, Isaac! Você não precisava passar por isso por minha causa!
— Mas eu queria! Eu queria fazer isso por você, tá legal?!
Cinco minutos. É muito tempo.
Volto a falar com o maldito do alto-falante.
— Escuta aqui! Com certeza esse elevador já estava com defeito! E vocês deixaram a única porra da escada INTERDITADA! Isso é burrice
— Olha, o elevador estava funcionando até pouco tempo atrás, e as escadas amanheceram quebradas. Estamos tão desesperados quanto vocês-
De repente, tudo apaga. O elevador despenca.
Grito. Grito como nunca gritei na vida, o estômago colado na garganta, o mundo virando ao contrário. Mas algo — alguma trava de segurança — nos segura no último instante. O impacto é seco, forte, mas não mortal.
Ficamos suspensos, no silêncio. Um silêncio carregado de morte.
Respiro pela boca, arfando. Sinto a garganta queimar de medo.
— Isaac! — me arrasto até ele, que está agachado no canto, completamente fora de si — Isaac, olha pra mim!
Seguro o rosto dele com as duas mãos e aponto a lanterna do celular direto para seus olhos. Sua pele está fria. Os olhos não param de se mover.
— Respira comigo. Foca em mim. Só em mim.
Começo a inspirar e expirar alto, guiando sua respiração. Uma, duas, três vezes. Me concentro nos seus olhos e não desvio.
Aos poucos, ele me acompanha, mas ainda está longe de estar bem. Minha mente corre. Tem algo errado. As escadas interditadas hoje? O elevador com defeito logo depois? Será que é só coincidência? Ou será que é... alguém tentando me matar?
Talvez seja paranoia. Talvez não.
Preciso manter o Isaac calmo. E só penso em uma coisa que possa fazê-lo esquecer por alguns segundos que estamos presos num caixão de aço a metros do chão.
— Desculpa por isso — sussurro.
— P-Pelo quê? — ele tenta focar em mim de novo, a voz falhando.
Não dou tempo de responder. Me inclino. Seguro seu rosto com mais firmeza.
E o beijo.
Continua...
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Ayla foi esperta em o ajudar dessa forma, ou não?
Obrigada por ler! Não se esqueçam de votar, é uma forma de me ajudar com o livro! Amanhã eu volto com mais capítulos, até lá, beijos ❤️