Ayla Miller sempre teve o controle de tudo, perigosa, intensa e criada no meio do crime, ela nunca se ajoelhou por ninguém.
Até que seus olhos se prendem ao garoto mais improvável do colégio: Isaac Willian, o nerd calado que vive sendo alvo de bull...
— Comparado a mim? — Layam dá um leve sorriso por trás da máscara — Ele é um anjo. Mas... isso não significa que você deva confiar nele.
Solto uma risada seca, carregada de ironia. Que lógica ridícula. Se um demônio diz que o outro é um anjo, por que eu deveria acreditar em qualquer um dos dois?
— Não fode, Layam. Tá tentando incriminar ele, mas também quer vê-lo morto. Decide logo qual é o seu problema com o cara.
— É, eu quero ele morto — diz com a voz mais tranquila do mundo. Aquilo me dá nojo — Para com isso, Layam! Vingança não vai trazer os três de volta!
— Mas vai me tirar a culpa — responde, firme.
— Não vai — encaro seus olhos escuros com firmeza, mesmo que meu corpo esteja congelado — Você vai carregar essa culpa até o seu último suspiro. Nada vai apagar o que aconteceu. Matar gente que não tem nada a ver com isso só vai fazer você pior. E bem lá no fundo... você já sabe disso.
Ele ri. Mas não é uma risada normal. É o som seco de um homem quebrado, distorcido pela loucura. E ele se aproxima... passo por passo, até seu corpo estar rente ao meu.
Viro o rosto, nervosa, sem saber o que esperar, e é aí que vejo, de relance, o movimento dele abaixando a máscara.
Sua respiração quente invade minha orelha, lenta, perversa. Algo gelado encosta na minha coxa.
A ponta da arma.
O cano frio desliza lentamente pela minha pele, subindo com calma, empurrando o tecido do meu vestido. Meu corpo enrijece.
— Morrer virgem... é tão triste, não acha? — sua voz rouca e baixa arrepia minha espinha. — As coisas podiam ter sido diferentes... se seus pais não fossem assassinos.
— Acha mesmo que eu pedi por isso? Todo maldito dia eu discuto com eles por causa disso. Já tentei. Já chorei. Já gritei. Mas eles são assim. Gostam disso. Do poder. Do sangue. Eu os odeio também, Layam!
Ele não recua.
— E é por isso que todos vocês precisam morrer.
Seus lábios tocam de leve minha orelha. Um arrepio me rasga por dentro. E num impulso, o empurro, não com força, mas o suficiente para ele parar de subir com a arma.
Estou dividida. Parte de mim sente pena. Parte de mim quer socá-lo. Parte de mim só quer sumir. Mas nenhuma dessas partes sabe o que fazer agora.
— Olha pra mim. — sua voz vem firme.
Olho. O que realmente me assusta são os olhos. Sem alma. Sem fim. Um vazio tão profundo que parece querer me engolir inteira.
— Esse será o último rosto que você vai ver antes de tudo escurecer. Prometo que não vai doer.
— Layam... repensa. Só mais uma vez.
— Já repensei. Várias vezes. — o cano da arma encosta na minha testa. Frio. Gelado.
Encaro aqueles olhos. Sei que não adianta correr.
Sussurro:
— Eu sinto muito...
— Eu também. — ele murmura.
Então ele recua um passo. Braço estendido. Dedo no gatilho.
Um espelho explode atrás dele. Ele cambaleia com o impacto repentino de um chute no estômago. Antes que possa reagir, Isaac já agarra seu pulso, forçando-o contra o vidro, fazendo a arma cair.
Eles lutam com fúria crua, como dois animais selvagens. Isaac acerta, Layam revida.
A arma cai aos meus pés.
Me abaixo rapidamente, pego com cuidado. Não sei se está destravada. Não posso arriscar matar ninguém por acidente.
Layam imobiliza Isaac com um mata-leão, mas Isaac reage com habilidade, atingindo a costela dele com o cotovelo e se soltando. Em seguida, o derruba com um soco certeiro.
Meu coração para por um segundo quando vejo Layam se levantar — sangue escorrendo do rosto — segurando um caco de vidro como se fosse uma faca.
— Você pode se machucar com isso — Isaac diz, calmo, colocando-se entre mim e o perigo.
— Não eu. Você.
Layam avança. Isaac desvia, mas é atingido por um chute violento na costela. Mesmo assim, não recua. Ele já esperava uma luta longa.
Layam gira o corpo para outro golpe, mas Isaac é mais rápido. Agarra a perna dele e o puxa para baixo, fazendo-o cair com um baque surdo. Sem hesitar, Isaac monta por cima dele e soca... uma, duas, três vezes. A lateral do rosto de Layam já está toda ensanguentada quando ele apaga.
Mas Isaac não para.
— Isaac! Já chega! — grito.
Ele congela, respira fundo, ofegante. Seus olhos encontram os meus. Rosto sujo, lábio cortado, expressão selvagem, mas... presente. Ele ainda está ali.
Se levanta, pega a arma da minha mão com cuidado e a trava. Em vez de jogá-la fora, guarda na parte de trás da calça. Depois, segura meu pulso com firmeza.
— Vamos. — diz, num tom que não aceita discussão.
Saímos do labirinto, mas antes de cruzar a última curva, me viro uma última vez. Layam ainda está ali. Caído.
Meus pais assassinos matou o garoto que eu amava, arrastado pro inferno por culpa deles.
E Isaac... Um novo segredo? Até onde isso vai?
Até onde essa maldita história vai nos levar?
Continua...
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