XXI. Surpresa

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Azula havia subestimado o quanto Ty Lee era perigosa. Ela grunhiu durante toda a viagem de trem e, enquanto passava repelente, não deixou de se perguntar como havia sido tão facilmente convencida a visitar o campo. Ty Lee, por outro lado, estava elétrica. A florista havia colocado sua melhor roupa e carregava consigo um buquê gigantesco dentro de um cesto de palha. Logo na estação de trem, Azula avistou seis garotas idênticas à Ty Lee e deduziu sem esforço que eram as irmãs dela.

Ty Lee e as seis garotas berraram quando se viram e integraram um enorme abraço grupal. Azula tentou não revirar os olhos com a cena.

— Trouxe essas flores para vocês! — Ela estendeu a cesta para as irmãs.

— São tão lindas! Papai e mamãe vão adorar — uma delas exclamou.

Cansada de ser ignorada, Azula tossiu.

— Quem é essa? — perguntou outra irmã.

— Ah, pessoal, essa é a Azula. Nos conhecemos na cidade grande — Ty Lee começou as introduções — E Azula, essas são minhas irmãs: Ty Lin, Ty Lat, Ty Lao, Ty Liu, Ty Lum e Ty Woo.

Azula com certeza não iria decorar aquilo. As seis acenaram para ela empolgadas e a rodearam cheias de perguntas.

— Seu cabelo é tão sedoso! Qual xampu você usa?

— Que tatuagem incrível! Tem algum significado?

— Nossa, olha como as roupas dela são chiques!

Ela estava começando a perder um pouco a paciência, quando Ty Lee intercedeu para resgatá-la.

— Meninas, meninas! Deixem a Azula respirar. Foi uma viagem longa de trem e eu tenho muita coisa pra mostrar pra ela. Teremos tempo de conversar mais tarde.

O caminho até a casa de Ty Lee não poderia ter sido mais demorado e desconfortável. Azula já começava a temer as longas noites numa casa de campo apertada com sete garotas tagarelas. Se a casa fedesse a cocô de vaca, ela fugiria no meio da noite.

Após muitos quilômetros atravessando pastos de carro, Azula começou a encarar seu relógio de pulso. Não era possível que Ty Lee morasse tão isolada do mundo.

— Falta muito pra gente chegar na sua casa?

Ty Lee riu.

— Nós já estamos na minha casa. Tecnicamente. Não se preocupe, falta pouco até a casa principal.

Casa principal. Casa principal? Toda aquela extensão de terra era propriedade da família de Ty Lee? Azula a encarou boquiaberta. Era impossível que ela fosse rica. Ty Lee estava sempre economizando dinheiro, trabalhava numa pequena floricultura, morava num apartamento apertado e não usava roupas de marca.

— Ty Lee, você é rica?

A florista a encarou confusa, como se ela tivesse feito uma pergunta absurda.

— Claro que não. Nós só levamos uma vida confortável.

Eles eram ricos. Azula queria se jogar de uma ponte.

— Por que você mora naquele apartamento minúsculo, então?!

Ty Lee deu de ombros sorrindo.

— Minha faculdade já é bem cara e meus pais me ajudaram a abrir a loja, então não quis tomar mais do dinheiro deles. Eu pago meu aluguel com o dinheiro do meu trabalho. Afinal, eles também precisam sustentar minhas irmãs.

Azula estava cada vez mais pasma, incrédula, indignada. O mundo não fazia mais sentido. Talvez ele estivesse fora de órbita. Talvez a Terra tivesse ficado quadrada.

A Serpente em meu JardimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora